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Resenha: Show Messias Bandeira e Wander Wildner (05/10/12)


Não sou crítico de música e nem tão pouco jornalista profissional para escrever sobre algum show, mas gosto de rock e de coisas bem feitas, principalmente de coisas bem feitas. Na última sexta (05/09), no Portela Café, Messias Bandeira e Wander Wildner fizeram apresentações acima da média e atenderam as expectativas do público que compareceu em número significativo ao local do evento. Antes das apresentações, o dj Bruno Aziz aqueceu com clássicos do indie como Sonic Youth e principalmente Pixies, os ouvidos (em altíssimo e bom som) de quem já estava presente ou de quem estava chegando no local.

A primeira atração da noite foi o já conhecido e respeitado Messias Bandeira, que apresentou em seu show um repertório focado nas músicas do seu último e ótimo trabalho intitulado “Escrever-me, Envelhecer-me e Esquecer-me”. Acompanhado por uma banda competente, Messias mostrou mais uma vez para os seus conterrâneos que sabe utilizar muito bem nas suas composições elementos do britpop da década de noventa sem perder a atenção para o que há de novo na música atual. Com uma execução excelente das suas canções marcadas pelo amadurecimento de sua voz e por versões ao vivo de músicas como “Avenida Contorno”, que é uma das melhores do seu álbum, reforçou a ideia de que ele deveria cantar suas canções em português, além de “No Hay Banda” que também está presente no seu disco, mas que já fazia parte do repertório da Brincando de Deus. Apesar de ter sido uma apresentação curta, Messias realizou uma grande performance e preparou a audição para a atração seguinte.

Como a atração mais esperada da noite, Wander Wildner subiu ao palco para divulgar o seu novo dvd “Rodando El Mundo” e para lançar a sua cerveja Labareda, bebida essa que foi lançada em parceria do cantor com a Cerveja Coruja. A apresentação se iniciou com o Wander Wildner sozinho com a sua guitarra no palco e desde o princípio já se percebia, devido a sua presença marcante e pelo seu carisma, o domínio total do público que já o acompanhava (com a sua voz rouca e rasgada) nas suas canções. Foi como se o Elliott Smith encontrasse um verdadeiro punk na figura de uma mesma pessoa. Depois desta sequência foram chamados ao palco os músicos Morotó Slim e Rogério Gagliano para acompanhá-lo na segunda parte do show que foi ganhando mais volume a cada música tocada. Em seguida, foi também chamado ao palco o baterista Rex para executar a sequência final da apresentação que teve no seu total quase duas horas de duração em que foram tocadas canções como “Um Mundo Sem Joey”, “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, “Bebendo Vinho”, “Amigo Punk” e a cover de “Um Lugar Do Caralho” do Júpter Maçã.

A apresentação do Wander Wildner foi excelente e me chamou muito a atenção o fato de ter sido organizada e ao mesmo tempo espontânea, bem estruturada e dividida em três partes distintas, como se fosse uma verdadeira ópera (punk)rock. Havia muita história viva do rock nacional em cima do palco, uma vez que o Wander Wildner é um roqueiro autêntico com direito a todas as marcas das cicatrizes que a vida pode nos dar e possuidor da sabedoria de juntar músicos versáteis que se divertiram muito com o som que estavam fazendo naquele momento, além de negar com naturalidade os pedidos da platéia para que tocasse músicas de sua antiga banda (foi uma negação justa, até porque lhe foi negado algo que ele pediu para que jogassem em cima do palco). Ao final, brindou o organizador do evento Rogério Bigbross, brindou a casa que o recebeu muito bem e brindou o público que compareceu ao show e frisou que, mesmo que não fosse ninguém assiti-lo, ele estaria lá tocando de qualquer forma, pois segundo o próprio, ele e seus companheiros são homens que fazem o que fazem. Repito: Gosto de coisas bem feitas.

Por: L.Cima
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