Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)
  • ENTREVISTA

    Aguardem!Voltaremos... Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/rota-alternativa-2015-entrevista-com-a-desrroche/

  • OUÇA DEUS!

    Promover debates e entrevistas sempre com um convidado da cena de rock da Bahia. Uma mesa redonda democrática onde se pode falar dos rumos do rock baiano. Agora na Mutante radio aos domingos. Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/programa-rota-alternativa-22017-com-deus-du/

  • BUK PORÃO!

    Sob o comando de Marcio Punk a casa de shows recebe todas as semanas artistas do cenário local. Venha participar dessa festa.

  • 10 anos de Soterorock!

    Foram mais de 50 programas gravados e mais de 300 resenhas realizadas por nossa equipe. Hoje depois de muitos colaboradores que fizeram parte deste projeto, completamos dez anos nesta jornada Rocker. Léo Cima, Kall Moraes e Sérgio Moraes voltam com o programa Rota Alternativa em 2017 trazendo novidades.

  • VENHA PARA BARDOS BARDOS

    O Endereço: Tv. Basílio de Magalhães, 90 - Rio Vermelho, Salvador - BA

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 

SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado? 
Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...
Share:

ExoEsqueleto Sessions – Resenha do disco

Dizem que quando uma banda acaba, é por que uma outra melhor surgirá das suas cinzas. Na história do rock existem casos e mais casos desse tipo e a Bahia não foge a esse aspecto místico desse estilo musical. Geralmente, os músicos que se mantêm seguindo as suas carreiras apresentam uma certa evolução e uma certa maturidade em relação as suas bandas anteriores, como por exemplo a Retrofoguetes, a Hardrons e ao The Mars Volta. A boa nova em questão, é a banda ExoEsqueleto, que é formada por ex integrantes das bandas Sine Qua Non (Ricardo Bittencourt e Renato Almeida) e Headphones (André Dias).
Neste ano de 2013 eles lançaram o seu primeiro trabalho, o disco intitulado ExoEsqueleto Sessions, que foi produzido pela própria banda e pelo produtor Vandex. O cd possui boas influências de blues, black music bem swingada, rock, música baiana e ótimos ecos de suas antigas bandas, tudo isso com um caráter bem intimista e um ótimo instrumental. A segurança dos músicos nos seus instrumentos já se faz perceber nas primeiras músicas, com ótimos solos de guitarra e, principalmente, viradas inesperadas das canções. Esse último aspecto é algo recorrente durante o disco e “Sadismo”, “Estático Cult” e a psicodélica com pegada Radiohead na fase The Bends, “Rarefeito”, são bons sinais do que vem adiante. “Visceral” é um rockão pra frente e sem frescuras, forte e veloz, é nessa faixa que começam a aparecer as influências da música baiana no som dos caras e tudo nela fica em equilíbrio, com certeza é um dos principais destaques do disco. “Randômico” e “Necessidade Atônita” mantêm um clima atmosférico tranquilo e cheio de boas nuances e texturas de guitarra, linha de baixo bem construída e bateria inteligente fazendo viradas na hora certa. “Vermelhos” e “Desconforto” encerram a sequência das músicas amarrando bem o disco em uma boa unidade.

Share:

The Hangover 2 (Comemoração aos dez anos de lançamento do disco de covers da The Honkers)

Mais um mergulho na cena rocker da cidade na ultima noite de sábado, no Dubliners Irish Pub do Rio Vermelho. A cada dia que passa, a casa tem se firmado como um dos principais lugares para se fazer rock na cidade e tem proporcionado boas apresentações e novidades para o seu público. O local já estava cheio quando chegamos e abrigava a festa de comemoração aos dez anos de lançamento do disco de covers da The Honkers, e tinha como atrações a própria Honkers e a sergipana Tody’s Trouble Band.
Share:

Resenha: “Eu Não Quero Ser o Que Você Quer”, tributo à Pastel de Miolos

Um tributo a alguma banda, ou a algum artista, costuma cair sempre no lugar comum. Tende-se a privilegiar um estilo musical específico e a contemplar um determinado público, acabando por afastar novos ouvidos e levar ao ouvinte uma sensação de deja vú e até mesmo, dependendo da expectativa, à uma certa frustração. Não é o caso de “Eu Não Quero Ser o Que Você Quer”, a homenagem à banda baiana Pastel de Miolos.
Comemorando 18 anos de estrada, a PDM ganhou esse presente que contém nada mais e nada menos do que 34 bandas e artistas daqui e de fora do Estado, e que é uma verdadeira mistura de estilos musicais que enriquecem a obra. Essa diversidade é um aspecto interessante e que oferece um “cala a boca” para aqueles que insistem em afirmar que o cenário local está estagnado e sem mentes criativas.
Share:

Decadentes ou construtores?

Música New Wave, Hip Hop, drogas, pichações e insegurança fazem parte do universo usados no Filme: "Warriors, Selvagens da Noite" do diretor Walter Hill, para apresentar as mais exóticas gangues de rua da cidade de Nova York e todo movimento pós-Hippie da época.
Share:

“We Can Be Heroes” – Os dez anos do primeiro disco da The Honkers.

Não sei se alguém já fez isso antes, mas eu gostaria de ser o primeiro. Há dez anos era lançado um dos discos mais importantes do cenário rocker baiano, o “Bettween the Devil and the Deep Blue Sea” da The Honkers. Digo importante não só por ser um disco que tem se provado resistente ao tempo, mas também por conta de ser uma representação do que foi o cenário roqueiro da cidade, e do estado, na época em que foi lançado. Simplesmente Rodrigo, PJ, Thiago, Brust e Dimmy destroçaram o marasmo no qual o cenário da cidade vivia, exatamente como se um Jaeger abatesse um Kaiju, consolidando uma das grandes fases do rock na cidade.
            O ano era o de 2002 e a cidade vinha de uma certa ressaca da década de 1990, amargando um período de poucas novidades na cena e com a maioria das bandas se dissolvendo. Mas me lembro de uma certa noite, quando fui assistir a um evento que reuniu a Retrofoguetes, Brincando de Deus, Snooze e The Honkers.Tinha uma TV no Idearium que estava passando os dois a zero da seleção da Nigéria sobre a Argentina, mas pouca gente se prendeu a ela por conta da performance da banda de abertura. Já naquele momento, com uma apresentação de um pouco mais de trinta minutos, a Honkers sinalizou uma nova etapa do rock baiano que estava por vir pela frente. A noite era saudavelmente difícil para iniciantes, mas o recado foi dado. Após o show, Rodrigo, com um sorriso de “missão cumprida” no rosto, veio até nós e perguntou: “Vocês vieram ver a Brincando de Deus, não foi?” e lhe respondi com sinceridade: “Também”.
            Com a entrada da banda no circuito de shows da cidade, os fatos começaram a conspirar a favor dela e de quem mais estivesse disposto a atuar na cena. Só bastaram um pouco mais de oito meses desta apresentação no Idearium para que os rapazes lançassem o seu disco de estreia em abril de 2003. Com a produção do Vandex, com o grupo há muito tempo bem ensaiado e já chamando a atenção com algumas outras apresentações, “Between the Devil...” saiu rodeado de boas expectativas e contendo sete canções que vinham fazendo parte do repertório do grupo. Com o seu formato físico emulando um disco de vinil (a cor da sua mídia é preta), o cd começa com “Distorced Party”, um instrumental matador, em seguida vem o rockabilly garageiro “Something Wrong With My Girl” e na terceira faixa tem o ska-mod-indie de “Where Do I Go”. A quarta canção é o punk vigoroso de “My Pretty Punk Girl”, que vem seguida da faixa título, uma bela balada de fim de tarde e com uma bela letra que mataria o Morrissey de inveja. A obra termina com o cover de “Não Beba Papai, Não Beba”, da banda paulistana Coke Luxe.
            De fato não só o estouro da Pitty nacionalmente representou a boa fase do rock na cidade naquela época, como muitos afirmavam. Muita coisa começou a acontecer de verdade depois do lançamento do disco (portas para outros artistas iniciantes foram abertas e passou por aqui um festival nacional com o Placebo como o headliner) e, nos seus dois anos seguintes, fatos memoráveis como a Demolition Party, o disco de covers que foi gravado no mesmo ano, o “Underground Music for Underground People (covered by one overground band)” e a turnê latino-americana da Honkers reforçaram a boa atmosfera na qual a banda e o cenário viviam.

            É claro que nem tudo são flores e que as coisas não conseguiram se manter como se esperavam, mas é certo que todo marco deve ser celebrado e cultuado, respeitado e perpetuado. “Between the Devil and the Deep Blue Sea” vai durar muito mais do que dez anos. 

Share:

Resenha: Revista Ozadia, número zero.

Sou um apreciador recente de quadrinhos, e já há algum tempo venho acompanhando o que vem sendo feito de bom neste ramo e fico salivando por novidades dos meus autores preferidos. Ao mesmo tempo que, assim como no rock, é muito bom saber que há uma movimentação local na produção de HQ’s e que essas produções saem de mãos talentosas e possuidoras de uma liberdade criativa que se iguala à música que aprecio.
A mais recente novidade é a edição de número zero da revista Ozadia, que é uma compilação de cinco histórias eróticas escritas pelas mãos de sete quadrinistas e roteiristas daqui da Bahia. Lançada com o apoio do selo Quadro a Quadro e ganhando popularidade a cada dia que passa, a revista tem dois aspectos importantes para ser lida mais de uma vez: uma ótima fluência no seu texto e traços inspiradíssimos de seus desenhos.
De Ricardo Cidade e Alex Lins, “Especimen” abre a Ozadia com uma ótima ficção cientifica pornográfica, onde a heroína sai em busca de coleta de amostras de um certo material e se depara com um desfecho no melhor estilo Stephen King. Por Bruno Marcello, “A Partir de 5” possui diálogos visuais nos quais os leitores podem apreciar com mais liberdade a sacanagem que acontece a cada quadro. “Sucumbir”, de Leonardo Maciel e Neto Robatto, traz uma história de proteção que cairia muito bem em um filme da Emmanuelle. “Descaradagens na Bahia Colonial”, de Sávio Roz, conta uma história de época, com um bom humor peculiarmente baiano na qual uma dama é julgada por atos de comportamento considerados avançados para o seu tempo. E por último, de Dan Cesar, tem “3 Real” que conta a história de Mirandão, um detetive particular que sai em busca de respostas para a sua cliente em uma perigosa Carlos Gomes noir. A revista ainda conta com um bônus, um interessante classificados que vale a pena ser conferido.
Como já vem sugerido no título, a HQ é imprópria para menores de idade e os rapazes não economizam na explicitação da ideia original por meio dos seus desenhos e por meio dos diálogos dos personagens. As histórias são curtas, mas possuem profundidade no seu conteúdo proporcionando ao leitor uma nova oportunidade de ler a obra outra vez e de levar a própria imaginação a lugares sugestivos para pôr em prática o que veio à cabeça em um momento à dois, à três ou até mesmo à quatro. Só senti falta de uma presença feminina no seu quadro de compositores.

A baianidade também é uma marca forte da revista, que pode sim ganhar o mundo e mostrar como é a safadeza por aqui, pois no momento em que escrevo essas linhas, os rapazes estão no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos, de Belo Horizonte) autografando e propagando a sua obra. Para uma produção independente, eles começaram muito bem, exatamente como em uma boa preliminar. Que venham as próximas edições.
Share:

Retorno da banda INVENA! (Pra quem gosta de rock na veia!)

Sabe aquelas bandas que você vai ver e sai de lá com vontade de tocar depois de ouvir um bom e velho rock and roll no sentido mais amplo da palavra? Os caras da banda INVENA mesmo Com alguns kilos e anos a mais nas costas, retornam aos palcos de Salvador com gás total. A INVENA desde sua volta, há alguns meses atrás, já andam colocando muita gente pra dançar ao ritmo quente do rock and roll tradicional que a banda nunca deixou de fazer. Assim estão sendo as apresentação da banda INVENA no largo do Carmo, Santo Antonio em Salvador- Bahia. 

A banda espera lançar oficialmente ainda este ano (2013) na capital baiana o seu EP de retorno, recheado com músicas autorais do grupo. (Trabalho de estúdio).

Flavio (Cabeça) comanda os vocais da banda, sempre mostrando muita disposição, energia e performances marcantes. O grupo ainda conta com Pedro Jorge (Ele mesmo, o mestre, PJ – Também The Honkers) nas guitarras.

O bom e velho rock and roll inspirado por Stones, The Police, Beatles, influências da banda baiana, que não deixa ninguém sem tomar os seus goles de cerveja! Quem gosta de ver um rock feito por amigos para amigos, honesto e com muita agitação, sem firulas modistas e com diversos covers entre uma música autoral e outra, deve ir a um show dos caras!
Share:

HOMENAGEM MERECIDA | (Show de lançamento do CD Tributo a Pastel De Miolos)


O Irish Pud do Rio Vermelho estava em clima de festa no último dia dezenove de outubro. O motivo para tal clima foi o lançamento do tributo à Pastel De Miolos Pdm, intitulado Eu Não Quero Ser o Que Você Quer, e estavamos lá para conferir essa merecida homenagem à uma das mais importantes e significativas bandas do cenário local. O evento ainda contou com a presença das bandas Latryna, Theatro de Seraphin e Snooze. Chegando lá já se percebia que o lugar estava mais cheio que o normal, com parte do público conversando e refrescando a garganta até o momento em que a primeira banda subiu ao palco. Vinda de Camaçari, a banda Latryna executou bem o seu repertório de canções punk e chamou muito a atenção por conta dos elementos grunge em algumas de suas canções. Eles prometem um EP para breve, quem os viu fica no aguardo. Na sequência vinheram a Theatro de Seraphin e a Snooze (Aracajú), a primeira com uma performance inspiradíssima do seu guitarrista Cândido Martínez e a segunda executando muito bem as suas canções ao vivo e acabando com um jejum de quatro anos sem tocar em terras soteropolitanas. Entre uma banda e outra ainda deu para bater um papo muito bom sobre as similaridades das cenas daqui e do Rio de Janeiro com o Pedro de Luna, que também estava lançando o seu livro por lá, o Niterói Rock Underground 1990-2010, (o rapaz viu tudo acontecer de perto em sua cidade e pelo Brasil a dentro, vale a pena conferir). O livro está disponível nos sites das melhores livrarias do ramo, ou pelas mãos do próprio lá no

FLICA (Festa Literária Internacional de Cachoeira). Mas a noite era da Pastel de Miolos. Quando eles começaram a sua apresentação, o Irish Pub já estava tomado pelas pessoas que foram conferir as suas canções diretas, objetivas e sem frescuras ou vaidades. As rodas de pogo eram formadas com vibração a cada acorde inicial das músicas e não houve sinal de cansaço um só segundo. Como em todo lançamento de um ótimo tributo, a apresentação contou com participações mais que especiais de quem o fez. Foi assim com o Alex Costa, da Jato Invisível, que fez parte da formação original da PDM aparecendo em dois momentos distintos do show, com o visionário idealizador do tributo Tony Lopes (o Reverendo T, para quem não conhece), com o Irmão Carlos, com o

Wendel da Agressivos, com o João Marques da Tronica e com outros participantes que, infelizmente, não sei os nomes. Só pude ficar até o momento em que eles tocaram Eu Não Quero Ser o Que Você Quer, mas tenho certeza que, ao final, foi uma celebração à música punk feita com espontaneidade, transparência e qualidade. Parabéns a Alisson, a André e a Wilson. O interessante foi ver cada participante tocando as músicas em suas versões originais, o que deu uma vontade maior de escutar de novo o tributo, que considero um dos mais interessantes e diferentes que já escutei. Mas isso é papo para uma outra história, ou post!
Share:

The Hangover | Por Léo Cima

A última noite de sábado foi mais uma noite de incursão na cena rocker da cidade. Mais uma vez o Rio Vermelho era o lugar e o Irish Pub de lá oferecia uma noite com The Honkers, Os Jonsóns e Teenage Buzz. Chegamos já no final da apresentação da Teenage Buzz e senti aquela sensação de ter perdido uma boa festa. Os rapazes estavam mandando muito bem nas canções de influência sessentista garageira, com uma pitada de Syd Barret e na performance explosiva bem característica de algumas bandas da década passada. É a Honkers fazendo escola. Eles só vacilaram em não terem levado o EP para eu poder tapar o buraco da parte do show que eu não vi. Dá próxima vez eu chego mais cedo, ou eles atrasam o som um pouco mais. Acho que terão vida longa no cenário. Ainda na atmosfera sessentista da noite, Os Jonsóns entraram no palco e desfilaram o seu repertório de boas canções. Esse clima e o som da casa favoreceram e muito a performance dos rapazes, que foi melhor do que a performance do momento em que os vi tocando pela primeira vez há dois mêses atrás. A excecução muito segura e direta e um público agitado aqueceram o lugar para a banda seguinte. Eis que entra a The Honkers, uma das bandas mais importantes do cenário local e exemplo principal de resistencia da sua geração e exemplo de como ser uma banda de rock para aqueles que estão chegando. Já havia muito tempo que não os via ao vivo e tive o prazer de perceber que eu iria, depois de muito tempo, ver Pedro Jorge assumindo o seu posto de guitarrista na banda. Apesar do tempo de estrada, a banda não perdeu a força que tem no palco. Sim, os rapazes já estão um pouco mais velhos, assim como eu, mas a verve de outrora ainda está intacta dentro deles. As músicas com mais punchs, as performances com ápices sexuais, os momentos inusitados no palco, as participações especiais e o envolvimento do público fizeram do show uma grande festa para os presentes. Definitivamente a Honkers lavou a alma e segue firme no seu caminho das pedras que rolam (daquelas que não criam limo!). Terminada a jornada, é a hora de voltar para casa. Na saída, eu jurei ter me cruzado com o canadense The Weeknd, mas era só um cidadão parecido. No táxi, apertado, fomos guiados pelo taxista George, que cantou algumas canções do Harrison para embalar a manhã que já estava surgindo. Tinha que ser assim, um taxista rocker para fechar uma noite rocker!!!
Share:

Resenha: “Amor Atlântico”, de André L. R. Mendes.

Foto por João Smith
Desde os tempos como frontman do Maria Bacana, André L. R. Mendes já chamava a atenção com o seu talento de cantor e compositor no cenário local e o seu terceiro disco solo conserva esta condição, mas em um nível mais elevado e maduro ao que se apresentava na época de sua antiga banda. Com uma produção sempre muito cuidadosa de Jorge Solovera, “Amor Atlântico” é um disco de dez canções curtas ao violão e com texturas requintadas, de caráter intimista e com um tom de melancolia que remete a um final de tarde sentindo o cheiro da chuva leve ao lado de quem se ama. 

 O disco se difere dos anteriores por conta de um clima mais calmo, chegando a lembrar artistas como Bon Iver e Elliott Smith, ou até mesmo como o Billy Corgan na fase “Adore”, mas sem os aparatos eletrônicos. Logo se percebe essa característica da obra em sua primeira música, “As Velhas Ondas”, que é uma bela paisagem musical à beira da praia. O amor é um tema presente em quase todas as faixas, como por exemplo em “Sim, Deixa Fluir”, “Tempo de se Jogar”, “Lobo Só” e “Amor Atlântico”, essa última à capela. 

A nostalgia também encontrou espaço em “Só Lembro”, enquanto “Casa Amarelo Ouro” mereceria estar em uma sequencia final de um bom filme da Sofia Coppola. “Tchau Jornal” mostra o lado político de André, onde ele chama a atenção para como a mídia pode manipular ou esconder a verdade, sugerindo ao ouvinte que não acredite em tudo o que se lê. “Amor
Capa do Álbum 
Atlântico” é um bom disco e merece a atenção dos amantes do rock e daqueles que gostam de boa musica, de canções cuidadosas e bem elaboradas. 

André L. R. Mendes não dá as costas para o seu passado musical e, além do “Amor Atlântico”, disponibiliza todo o trabalho de sua carreira (para download) no seu site e promete lançar um trabalho novo a cada ano, sempre no dia do seu aniversário. É uma postura interessante e inédita para o cenário, que a cada 15 de julho terá uma boa novidade musical a ser celebrada. Ouça e deixe fluir!!!!!!!!



Veja o Vídeo: 

Resenha por Léo Cima
Criticas, sugestões de pautas e assuntos ligadas a música escreva: rotaalternativa@soterorockpolitano.com
Share:

Shows de rock no mês de Setembro movimentam Salvador!

A gangue de Rodrigo Sputter volta a atacar a cidade com seu rock fuleiro dos bons! O melhor de todos os tempos e resistente no melhor sentido da palavra The Honkers, acompanhado da fabulosa revelação Teenage Buzz e Os Josóns!.

Pra quem gosta de rock visceral e de verdade! Vá ao Rio vermelho no Irish Pub dia 28/09 e encontre essa gangue por apenas 10 reais as 22 horas!


Não conhece? não acredito! VEJA O VÍDEO!






Não conhece? Vou dar uma forma! VEJA VÍDEO
Share:

Programa Vertigo Indica, 8ª Edição

Chegando em sua oitavaª edição, o programa "Vertigo indica" trás um formato interessante de informar e indicar referências musicais dentro da cena de rock, pós-punk, industrial entre outros gêneros. Sob o comando de David Vertigo, (vocalista da banda de industrial, Modus Operandi) e edição e produção de Fernando Lopes, os caras vão aos poucos preenchendo essa lacuna que nos falta, sempre trazendo um conteúdo muito interessante. CONFIRA AQUI CANAL COM TODOS OS SETE PROGRAMAS ANTERIORES!
Share:

Queens of the Stone Age

Queens of the Stone Age, (também conhecidos pelo acrônimo QotSA) éuma bandaestadunidense de rock formada em Palm Desert, Califórnia em 1997.
É muito conhecida por popularizar o gênero que até os anos 2000 não era muito considerado, conhecido como stoner rock e pela sua constante mudança de integrantes, sendo o único integrante original o vocalista/guitarrista/compositor da banda, Josh Homme. Antes do surgimento do Queens of the Stone Age, existia uma banda californiana chamadaKyuss que, após ser apadrinhada pelo produtor Chris Goss, partiu do completo anonimato para tornar-se ícone cult da cena heavy metal americana, chegando inclusive a figurar como o principal expoente do sub-gênero stoner rock.Muitos talentos fizeram parte da formação do Kyuss durante sua existência. Entre eles estavam: Josh HommeNick OliveriJohn Garcia e Alfredo Hernandez.No entanto, apesar da popularidade o Kyuss se dissolveu em 1995 e o líder e guitarrista Josh Homme mudou-se para Seattle.
Em Seattle, Josh ingressou no Screaming Trees como segundo guitarrista durante a turnê do álbum Dust de 1996, tendo inclusive participado do festival Lollapalooza em sua última edição com o Trees, tocando ao lado de bandas como Soundgarden e Metallica.
A partir de 1997, com as atividades do Screaming Trees se tornando cada vez mais esparsas, Josh encontra tempo suficiente para trabalhar em um projeto próprio. Foi o início da série Desert Sessions, projeto que permitiu a ele se expressar com maior liberdade eexperimentalismo. Logo em seguida, Josh resolve montar outra banda, o Queens of the Stone Age.  

Integrantes

                      
Share:

MAGDALENE - THIS DANCE BANDA DE FEIRA DE SANTANA

 
Banda: Magdalene and the Rock and Roll Explosion

Origem: Feira de Santana\Bahia

Gênero: Hard Rock\Grunge\Punk

Formação:

Poliana Santiago - Vocals
Pv Santos - Guitar
Moysés Martins - Bass
Elder - Drums

Histórico
A ideia da banda surgiu da iniciativa de um casal com objetivo de desenvolver as canções em estúdio.
Composta por Magdalene (Vocal), Paul Stone (Guitarra), Moyses Martins (Baixo) e Maicon Charles (Bateria). A digitaltv apresenta Magdalene and the Rock and Roll Explosion!

Extraído do Bahia Rock Machine
Release:
O rock and roll chegou ao século XXI completando cinco décadas de existência e dando indícios de certo desgaste, depois de tanto expandir sua fórmula básica. Do progressivo ao punk, do art-rock ao heavy metal, do hard rock ao grunge, voltar às raízes parecia o único antídoto ou a saída remanescente quando nada mais restava para se inventar. A geração dos 90's já retratava o aborrecimento, como se àquela altura o rock houvesse perdido o senso de diversão e se afogado num mar de apatia. Porém, nos anos que se seguiram, a necessidade de suprimir as tendências suicidas não demorou a falar mais alto. Era chegado o momento de virar o jogo, de recuperar os clichês vitais. Em outras palavras, era a vez do revival. É de se supor que as exigências maiores do público entusiasta do revival sejam diferentes daquela procura habitual pelo novo.
Em primeiro lugar, a qualquer um de nós é impossível ler/ouvir o nome Magdalene and the Rock and Roll Explosion e não associá-lo imediatamente a tudo que remete à essência do estilo. O grupo busca inspiração no Dna primordial do Rock com influências que vão desde Chuck Berry a hellacopters, passando por Bob Dylan, Rock setentista e até mesmos bandas atuais que fazem o chamado "retrô moderno...Assim temos rock and roll puro e elevado à enésima potência.
(Por: Ana Clara)
  • Categoria

  • Licença

    Licença padrão do YouTube


Share:

As 10 Caras do Rock Baiano - Com a Banda Vômitos, "Punk Rock pra mendigo!"

O Portal Soterorockpolitano foi buscar na cidade de Barreiras os entrevistados da oitava entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano”, são eles o guitarrista Rick Rodriguez e o vocalista Tito Blasphemer, da banda Vômitos. Nessa entrevista eles falam sobre as condições da cena da sua cidade e do esforço para mante-la ativa, suas influências e a inspiração para as suas letras, além da repercussão do clipe da música “Facada”, que já chegou a mais de 3.000 visualizações no Youtube. Então, ajeite-se na sua cadeira e fique ligado para não tomar uma facada no bucho.

Soterorockpolitano - Como e quando surgiu a banda?
Rick Rodriguez - A banda surgiu em 2007, tínhamos um interesse em comum, que era o punk rock, e isso nos motivou a formar a banda na época, começamos tocando músicas dos Ramones, que era nossa banda preferida e logo em seguida começamos a compor, e ter nossas próprias músicas.
Tito Blasphemer - Estávamos cansados da cena de nossa cidade, bandas que tocavam apenas covers de bandas emo produzidas pela mídia. Era frustrante ir no único gig do mês e ouvir só bandas de cover! Eu na época era um moleque que tive muitos problemas com drogas arrumava muita treta com essas bandas de cover. Como eu e Rick já éramos amigos tivemos a ideia de montar uma banda e como já tínhamos influência do underground ajudou muito na identidade e som da nossa banda.
SRP - Um cenário formado por bandas mais autorais é bom melhor do que feito por bandas de covers...
Rick - Com certeza! Nos destacamos na cidade por sermos uma banda autoral.
Tito - Isso mesmo, prova disso é que das bandas da década passada nós somos a única banda ativa.
SRP - Vocês dois são os únicos componentes originais da banda, por que essa rotatividade de músicos nos postos da bateria e do baixo?
Rick - Sim, somos os únicos membros originais, é complicado levar uma banda através dos anos, ainda mais sem apoio e tal. Os membros anteriores tiveram motivos pessoais para saírem da banda, trocamos de baterista e de baixista, mas isso não afetou a banda, os membros que ocuparam os lugares se adaptaram rápido ao som e ao nosso estilo. As duas mudanças de formação, na minha opinião, deixaram o som da banda ainda mais definido.
SRP - O som de vocês lembra bandas da geração dos anos 1980, mais especificamente as que figuraram nas coletâneas punk Sub e Ataque Sonoro, quais as principais influências do grupo?
Rick - Para falar a verdade nossa maior influencia é o punk setentista, de New York Dolls a Sex Pistols, mas também temos influencias nacionais, bandas como Cólera, Restos de Nada, Replicantes e outras. Com o tempo, acabamos criando uma identidade própria para as nossas músicas, que ficou bem parecido com aquele punk dos anos 80, aconteceu naturalmente... Mas não temos só influencias punk, também curtimos rock clássico, ska e outros estilos.
Tito - Alem dessas que o Rick falou, pessoalmente as bandas que mais me influenciaram foram The Who The Doors e Hellhammer. The Who e The Doors pela excentricidade e atitude auto destruidora e Hellhammer, mesmo metal, os caras não sabiam tocar porra nenhuma e viraram uma lenda. Só na raça eles são os caras mais punks desse estilo.
SRP - Muitas vezes as melhores bandas se escondem nesse detalhe, de não ter uma técnica muito apurada, não é? Conhecer cada vez mais o instrumento é sempre muito bom, mas se n tiver cuidado, o som fica quadrado...
Tito - Isto aconteceu com muitas bandas do punk.
Rick - Tem que explorar a criatividade, por que senão acaba virando mais um clichê, hoje mais do que nunca está mais difícil ainda criar.

SRP - Falando em criatividade, onde vocês buscam inspiração para compor as letras da Vomitos? Os personagens que aparecem nas suas letras como o mendigo, Frank, o cara que é expulso de casa aos 37 anos são pessoas conhecidas, ou elas são criadas por vocês?
Tito - São criadas por nós, mas buscamos inspirações nas historias inusitadas que acontecem na nossa cidade. Bem no começo da banda a cidade era infestada por mendigos, fizemos amizades com muitos. Daí fizemos uma homenagem aos mendigos da nossa cidade com a musica “A do Mendigo”.
Rick - O Frank também foi criado por nós, como uma forma de mostrar a realidade, coisas que acontecem atualmente como repressão, manipulação e exclusão social, como é retratado na música. O cara de 37 anos, haha, foi uma forma de mostrar a homofobia, porém de uma forma humorística e irônica ao mesmo tempo.
SRP - Eu, particularmente, acho a letra de "Camisa de Abadá" bem clássica nesse sentido. Tem um monte de gente que só usa camisa de abadá aqui em Salvador!!!
Tito - Eles usam tanto a camisa de abadá que ficam parecendo mendigos no final do ano, depois compram uma nova em fevereiro.
Rick - Na nossa cidade não é diferente, camisa de abadá é para se vestir o ano todo, haha.
Tito – Pagodeiros e gogoboys desfilando com camisas de abada fininhas parecendo drags!
SRP - Vocês tiveram mais de 3 mil visualizações no youtube com o clipe da música "Facada", vocês esperavam atingir essa marca?
Rick - Para uma produção caseira são muitos acessos, eu particularmente não esperava nem 1000 acessos. O clipe estourou de uns dias pra cá depois que o vocalista do The Honkers postou (o vídeo) no face dele, devo agradecimentos a ele, haha.
Tito - Produção caseira de uma banda que é odiada na sua região, hehe. Temos muitos haters, mas todo mundo vai no gig quando organizamos!
SRP - Quais as oportunidades que surgiram para vocês depois dessa visibilidade?
Rick - Convites para tocar aí em Salvador, Brasilia além também do reconhecimento que abanda ganhou depois do clipe.
SRP - Como é a cena musical de Barreiras, ela é diversificada em termos de estilos de bandas de rock?
Rick – Bom, a cena aqui atualmente é dividida entre o mainstream e o underground, umas bandas tocam por dinheiro outras tocam por que gostam, no underground os estilos são diversificados, não se prendem só ao punk, no underground a maioria das bandas são autorais.
Tito - Na década passada tu só via banda de cover heavy metal e emo, hoje temos muitas bandas com músicas próprias, punk rock, black metal, pop rock e horror punk. A cena ainda tem muito o que melhorar! Acho que estamos numa fase de transição, mas posso dizer que o punk revolucionou a cena daqui, o pessoal passou a dar mais valor a musicas autorais.
SRP - Há pouco vocês falaram que possuem muitos haters, isso é algo que ocorre só com vocês ou existe alguma divisão ente os estilos da cena?

Tito - O mainstream odeia nossa banda. No underground não temos nenhuma divisão de estilos, nenhuma! Metal, punk ou seja lá o que for  temos bastante união.
Rick - Aqui preferem dar valor a cópias do que às coisas autenticas. Dentro do underground tem de tudo aqui, praticamente todas as vertentes do rock, e não há discriminação.
SRP - E quanto a estrutura, a cidade oferece qualidade para as bandas daí?
Tito - Estrutura e apoio zero! O ultimo gig no beco do rock, no dia mundial do rock, o beco estava cheio de entulho e merda e o som podre. Nosso som é composto de cubos de todos os integrantes das bandas que tocam na noite.
Rick – Nada! Nossa cidade não tem nada que apoie a cultura, não só na música, em todos os sentidos. Nem patrocínio, nem apoio cultural, apoio do poder público ou das secretarias, nada disso existe aqui.
SRP - Sem espaço devido para shows, ou qualquer incentivo à cultura, o que acaba sobrando para o povo barreirense?
Rick - Acaba sobrando as micaretas, que é a única coisa que tem apoio por aqui, kkkk. Para tocar temos que nos virar sozinhos, pra organizar shows, que abre espaço tanto pra banda quanto pra galera que curte o movimento.
Tito - Nossa cidade esta para o pior lugar do mundo para se tocar numa banda assim como o Afeganistão esta para o pior lugar do mundo para se nascer. Barreiras, nossa cidade, é um cenário agreste em todos os sentidos.
SRP - O Beco do Rock me parece o principal, ou o único, reduto do rock em Barreiras...
Rick - Atualmente é o único, até o centro cultural dessa cidade está interditado por irregularidades, imagine se eles disponibilizariam um reduto para o rock.
Tito - Tinha também o ferro velho onde aconteceram os gigs mais sujos que vão ficar pra sempre na minha memória, mas o espaço foi demolido e vendido.
SRP - E o local onde vocês gravaram o clipe de "Facada"?
Rick - Aquele é o local onde a gente ensaia, nos fundos da minha casa.
Tito - Agora só nos resta o beco.
SRP - Vi um vídeo de vocês tocando em um porão na cidade de Brasília, a banda tem abertura para tocar nas cidades próximas a Barreiras?
Rick - Ao longo dos anos tocamos em toda a região, fizemos amizade com outras cenas, isso fortaleceu o rock na região, as bandas sempre convidam as outras para tocar nas suas respectivas cidades, é um dos pontos fortes do underground aqui na região, uma cena ajuda a outra.
Tito - É muito bom tocar fora de nossa cidade, só cair na farra e mandar nosso som.
SRP - E planos de tocar na capital, ou nas cidades mais próximas do litoral, vocês tem pretensões de cair na estrada para o lado de cá?
Tito - Porra cara é meu sonho sair tocando fazer uma tour!
Rick - Vontade a gente tem, queríamos muito conhecer de perto a cena dai, mas nos falta o principal, grana. Haha.

SRP - E as bandas da região? Quem mais além da Vomitos faz a cena que vocês gostariam de citar?
Tito - Tem o Terminal Zero, Repugnantes, Demons Wings Voadores, Hell Affliction, Carnissais, Albatruzes, e a banda do Murilo, acho que é Mainá. É uma cara que toca violão musicas próprias, pra quem gosta de um som hippie ele é boa pedida!!
Rick - Têm duas bandas que gosto, de Santa Maria da Vitória, Hellraiser b.s e Bastard, são duas bandas do underground que estão ganhando nome no cenário regional e essas que o Tito citou, daqui mesmo da cidade.
SRP - Finalizando, eu gostaria que vocês deixassem algum recado para os nossos leitores. O que vocês gostariam de dizer para eles?
Rick - Gostaria de agradecer o espaço, queria dizer que música não foi feita pra ganhar dinheiro, música foi feita pra ser ouvida e ser sentida, é decepcionante ver no que certos 'artistas' transformaram a música hoje em dia, um verdadeiro comercio. Apoiem a cena de vocês, o rock n' roll nasceu no subúrbio e é nele que se encontra a verdadeira atitude.
Tito - Foi muito excitante a entrevista Leo, boa noite. Eu vou dormir "nestante" porque tenho que trabalhar daqui a pouco.














Share:

Resenhas de Shows por Léo Cima / Circuito Rock Salvador- BA


SHOW: BANDA CASCADURA 
Um conhecido meu sempre me diz: "Pô Leo, Casacadura de novo? Tudo bem, o som dos caras é muito bom, mas pera aí!" Eu entendo, o finalzinho do show do Círculo, vendo a banda tocar "Rosa Maria" foi o suficiente para saber que eles continuam bons. Mas nunca é demais assistir a uma apresentação de uma banda competente como o Cascadura (mesmo em uma noite de terça feira)! Havia se passado um ano desde que eu vi a apresentação deles na Concha Acústica, abrindo para o Agridoce bem no início da turnê do Aleluia e estava ansioso para ver como eles estariam agora. Estava tudo lá: a banda mais entrosada, a percussão (que ainda não estava presente no palco há um ano atrás) caindo como uma luva nas canções, a performance "DUCARALHO" de Cadinho, Fábio mandando muito bem com "Roll Over Beethoven" no final de "Soteropolitana" e o público, que acompanhou todas as músicas com uma empolgação sem igual. O show avançava em uma crescente empolgante ao mesmo tempo em que ia chegando mais gente e isso deu brecha para o desenterro de figuras que estavam ha muito tempo esquecidas na memória do tempo como o Kurt Cobain do Sertão (pois é Ricardo, Sérgio e João, aquele mesmo que perambulava pela cidade baixa) dentre outras, mas a coisa esquentou de verdade quando eles chegaram na canção "A Mulher de Roxo". Daí em diante, como nas coisas místicas dessa cidade, a chuva começou a cair e as músicas e a atmosfera do local ficaram mais fortes ainda. Ainda no show, me peguei pensando em qual seria o próximo passo do Cascadura, mas essa é uma indagação muito precoce. Talvez o Fabio ainda nem tenha pensado nisso e acho que de fato eles ainda vão colher muitos frutos do Aleluia antes de começar algo novo, pois o que é bom dura por muito tempo!! Depois disso tudo, já fora da Pedro Arcanjo e no meio de um monte de gringo, fui surpreendido por um grupo de samba reggae tocando pelas ruas do local. Confesso que fiquei meio desnorteado, mas foi muito bom. Esse é o Pelô que gosto de ver: vivo e diverso! 

SHOW: BANDA TRONICA
Passei alguns minutos de hoje pensando em como iria começar esse texto e não me veio na cabeça nada melhor do que afirmar que duas, das três bandas que vi no último sábado, terão uma boa e significativa projeção no cenário caso continuem ativas como estão. Digo duas por que a Theatro de Seraphin já se consolidou há muito tempo na cena rocker da cidade. A noite começou apressada para não perder o derradeiro ônibus para o Rio Vermelho para conferir os shows das bandas Trônica, Os Jonsóns e Theatro de Seraphin no Revolver Bar Pub Salvador, lugar levemente reformado (faltando sinalização no chão as topadas foram inevitáveis, mas tudo bem) que vem recebendo shows de rock com uma certa frequencia nas noites soteropolitanas. Os Jonsóns já haviam começado a tocar quando cheguei e de cara já se percebia que os rapazes formam um grupo entrosado e bem humorado. A quietude do público ainda em menor número não intimidou a banda que continuou a executar muito bem as suas canções tendo um bom som a seu favor e, entre uma música e outra, o vocalista tentava chamar os presentes para participarem um pouco mais, isso sem perder a pose. O seu repertório alternou músicas próprias e covers, que eles poderiam dispensar com facilidade. Acho até que mereciam mais gente vendo eles nessa noite. Em seguida veio a Trônica, executando o seu stoner pop moderno. Com um som mais pesado e arranjos bem elaborados Jamil Jende, Thiago Jende e João Marques conseguem sintetizar bem referências como Foo Fighters, QOTSA e Trail of Dead sem cair no óbvio e acabam agradando sem muito esforço. Com um repertório de músicas autorais fortes houve ainda a participação especial do Irmão Carlos fazendo um cover do Roberto Carlos e da sua psicodélica e não menos radiofônica "W Raimundo", além de encerrar a apresentação com uma bonita homenagem a um amigo que irá se mudar. Para encerrar a noite subiu ao palco a Theatro de Seraphin com o seu rock melancólico. Os anos de experiência conferem à banda uma competência ímpar na execução dessa difícil vertente do rock e até onde vi a apresentação foi bem intensa. Tive que sair antes da metade do show, pois o dia de trabalho foi duro e o cansaço não iria casar bem com um som deprê. Mas a volta para casa funcionou como uma outra parte do show deles: as pistas vazias, o som do taxi teimosamente baixo, o barulho dos bares do Rio Vermelho bem distante e a Fonte Nova assustadoramente silenciosa. Um som interessante tem dessas coisas, você consegue percebe-lo nos detalhes.
Share:

Série “As 10 Caras do Rock Baiano” com o baterista Dimmy (Banda Vendo 147)


Os bateristas dominaram o Portal Soterorockpolitano! A nossa série “As 10 Caras do Rock Baiano” chega a sua sétima entrevista com mais um grande baterista do nosso cenário: Dimmy “O Demolidor” Drummer. Neste papo, Dimmy fala sobre bandas instrumentais, sobre como foi gravar o som do clone drum no estúdio e sobre a sua relação com as bandas que faz parte (Vendo 147, Bestiário e Stereowatts), além de expor a sua opinião sobre o cenário local como músico e também como produtor e tour manager. Então ajeite-se na cadeira, aproveite bem essa entrevista interessantíssima e curta a nossa página no Facebook.
Soterorockpolitano - Você é um músico que consegue aliar técnica e espontaneidade ao seu estilo, quais as suas influências e o que te fez escolher a bateria como seu instrumento?
Dimmy Drummer – Então, acho que vem de um mix de influências. Comecei a vida de músico como gaitista e vocalista de blues, depois de algum tempo que fui para os tambores, porém, sempre estive nos bastidores como produtor cultural. Daí acredito que isso ajuda nesse processo de influência. Como referência de bateristas eu sempre destaco três bateras gringos e três bateras nacionais: John Bonhham, Ian Paice e Bill Ward, Duda Machado (Pitty), Louis Fernando (Cobalto/Drearylands) e Kiko Freitas (João Bosco) e acredite, eu sempre quis ser Duda Machado (na bateria, claro), sempre via os shows da Lisergia e pensava que queria muito tocar, um dia, como Duda. Já com Louis, eu tinha e tenho certeza que nunca vou conseguir, huauahauha.
SRP - Rsrsrsrs, mas me lembro do tempo em que você era conhecido também como "O Açougueiro", por conta do seu estilo e isso me remetia ao apelido que o John Bonham tinha, que era "The Beast". E eu achava legal por que a referencia era muito justa...
DD - Mas o apelido de Demolidor vem exatamente daí, do jeito carinhoso de tocar.
SRP - Há algum tempo atrás houve o surgimento de bandas instrumentais no cenário e nos últimos anos o número de bandas dessa vertente vem, de uma forma discreta, aumentando. A que você atribui esse crescimento, mesmo o rock instrumental sendo um estilo ainda pouco difundido?
DD - Realmente, começaram a surgir excelentes bandas desse segmento nos últimos anos e tenho percebido que esse numero tem aumentado, talvez a moçada tenha cansado dos vocalistas (brincadeira). Eu acredito que como toda banda é instrumental, talvez isso já aconteça naturalmente e de repente, aquela ideia de ter uma música instrumental no repertório tenha se transformado em um repertório inteiro para muitos músicos.
SRP - O bom das bandas instrumentais é que elas quebram um pouco o formato convencional que se estabeleceu para o rock, que é aquele de que "tem que ter um vocalista" e às vezes a coisa funciona melhor sem a presença desse elemento...
DD - Não sei se funciona melhor, mas os músicos gostam bastante, principalmente pelo fato da liberdade na hora de compor e de executar as músicas. Não existe a preocupação com um formato apesar de que algumas dessas bandas substituem o que seria a voz pelos próprios instrumentos. É isso, é a tal liberdade – hehehe.
SRP - O clone drum é de fato um diferencial no som da Vendo 147 e um aspecto peculiar dentro do cenário musical baiano. Como foi a experiência de gravação do clone drum dentro do estúdio?
DD - A primeira vez foi ensurdecedora. Gravamos quatro músicas para o primeiro EP no antigo estúdio 60 de Jera Cravo. Como estávamos no inicio, praticamente era como um espelho, tocávamos quase que a mesma coisa, ao mesmo tempo, eu e Glauco. A segunda vez foi incrível a gravação do Godofredo no Estúdio T, do professor André T. Gravamos em duas etapas, por conta da ideia do disco e usamos baterias diferentes, já é um momento bem melhor do clone drum, onde já temos as coisas bem sincronizadas e com isso foi possível explorar bastante dentro do estúdio.
SRP - Recentemente entraram na Vendo 147 o Enio Nogueira e o Bruno Balbi, ambos assumindo as guitarras. Como tem sido a influencia deles no som do grupo?

DD - Enio é um velho conhecido para muitos, pois além do seu trabalho (Enio e a Maloca) ele já tocou em bandas bem influentes na cena como a Dois Sapos e Meio e Mercy Killing. É um cara extraordinário como pessoa e como guitarrista e é como se chegasse um craque num time de futebol, daqueles camisa 10, com toda essa bagagem está ajudando muito no amadurecimento da banda e nos novos caminhos que pretendemos seguir. Bruno Balbi é o sangue novo do time, garoto, super talentoso e se identifica muito com a ideia toda, simplesmente, estamos muito bem servidos nessa posição.
SRP - Falando um pouco sobre os seus outros trabalhos, a Bestiário e a Stereowatts. Na Stereowatts você mostra um lado musical pouco conhecido pelo público que é a influência da música eletrônica nas suas composições e na Bestiário é notório um som mais pesado, denso e sombrio. Apesar da diferença musical há abertura para o som de uma banda interferir no som da outra e agregar mais qualidade à sua contribuição a elas?
DD - Eu sempre penso que o músico tem que servir à música, se a música me pede alguma coisa, eu tenho que fazer, penso dessa forma, por isso tive vários trabalhos distintos ao longo dessa vida musical que tenho. É só dar uma passada no que eu já toquei e vai perceber o mix de gêneros. Eu sempre acredito que eu tenho que ser um batera para cada banda que toco, por mais que eu tenha as minhas influências, eu não gosto de tocar da mesma forma, pois a música é diferente, o caminho que a música me mostra é diferente. É isso, na minha cabeça eu tenho que ser um baterista em cada banda que toco.
SRP - Tendo feito parte da formação clássica da The Honkers e da fase mais ativa da banda, o que você recorda de melhor daquela época e o que traz de referência de lá?
DD - Foram oito anos vivendo o Honkers dia e noite, muito da minha referência musical, como produtor e principalmente como tour manager vem desse período. Vivi muita coisa incrível nessa época, musicalmente falando, e sou eternamente grato por ter vivido isso.
SRP - Me lembro que aquela turnê que vocês fizeram, que também passou pela Argentina, foi algo ousado. Cair na estrada e tocar nos lugares que vocês tocaram foi algo corajoso e desafiador...
DD – É, o Honkers sempre foi desbravador.
SRP - Você já correu o Brasil tocando, com boa parte das bandas que já passou, em eventos como a Virada Cultural (São Paulo) e o Abril Pro Rock (Pernambuco), em que Salvador se difere das demais cidades em termos de bandas e de estrutura?
DD - Eu sempre carreguei a bandeira das bandas daqui, sempre vi muito mais qualidade nas bandas de Salvador, porém, o Brasil é um país muito grande e temos um cenário independente gigantesco e com muitas bandas superinteressantes, porém, Salvador tem um diferencial que é a indústria do axé como aliada, parece até piada, mas, graças a esse imenso mercado é que temos boas lojas de instrumentos, ótimos estúdios de gravação e excelentes técnicos que se especializaram no rock... Isso faz uma diferença imensa, é só perceber na gravação das bandas daqui e de bandas de outras cidades. Poderíamos ter uma estrutura a altura para nos ajudar, porém, esse mesmo mercado ficou por anos parado no produto que eles criaram e temos esse hiato no que diz respeito a estrutura de shows de bandas que não são da denominada industria do axé, mas... Como o mundo da voltas, dá para todos e o que vemos é um declínio dessa indústria e, cada dia que passa, cada vez mais próximos a nossa realidade chegando até a disputar pauta em lugares que várias bandas de rock já estavam acostumadas a tocar na noite. Acredito que pode ser o início de uma nova era para quem trabalha com música na cidade, pode demorar para chegar num nível agradável, porém é um começo.
SRP - Com certeza, concordo plenamente. Eu sempre falo que não há cidade com melhor potencial para fazer rock como Salvador tem. É como naqueles casos onde as situações adversas são as melhores oportunidades para se fortalecer e ascender!!
DD - E como o rock sempre foi contra cultura, ou sempre remou contra a maré, nada mais propicio do que toda essa história.
SRP - Nos últimos anos os períodos de baixa agitação no cenário representam intervalos cada vez maiores entre um momento e outro mais efervescente. Na sua opinião, o que causa esse aspecto da cena soteropolitana?
DD - Eu percebi que depois que a internet se tornou mais acessível muita coisa na música mudou, tanto pra bom como pra ruim, tanto o público mudou como as bandas. Antigamente as bandas era super interessadas em conhecer outros trabalhos, trocar material, fazer intercâmbio... Hoje tudo isso ainda acontece, mas de uma maneira mais seletiva. Se consolidar hoje em dia, ao mesmo tempo que é fácil, é mais difícil pois no meio de tanta coisa boa ou ruim que a internet lhe proporciona, as pessoas pensam muito antes de montar um trabalho. Parece que quando é mais difícil e mais complicado, as coisas acontecem e quando é mais fácil, elas empacam.
SRP - E as bandas e artistas? O que tem lhe chamado a atenção?
DD - Maglore, Di bigode, Amp, The Baggios, Plástico Lunar, Cascadura, Baiana System, Jair Naves, Aeromoças Tenistas Russas, Monster Coyote, Huey, Cassim & Barbária, Tentrio, Ferraro Trio, Calistoga, Zefirina Bomba, Far From Alaska, Camarones, 4Instrumental, Them Crooked Vultures... São algumas das bandas que não saem da minha playlist. É sempre ruim citar bandas, porque sempre se esquece de alguém (odeio isso), hehehe.
SRP - E como foi a experiência de fazer uma jam com o Pepeu Gomes em uma apresentação da Vendo 147?
DD - Foi dentro do nosso projeto “Vendo 147 Convida” onde ele foi um dos convidados junto com a Nina Becker (Orquestra Imperial) e Lucas Santtana. Rapaz, tocar com o Pepeu é realizar um sonho. O cara é o Deus da guitarra, é tudo aquilo que parece ser e mais um pouco sem contar que é uma simpatia de pessoa. Tocamos três músicas dele e ele tocou o medley que fazemos nos shows com clássicos do rock e ainda deu a dica dele, durante a música. Foi realmente um sonho realizado
SRP - Dimmy, para finalizar sempre abro um espaço para o entrevistado deixar uma mensagem para os nossos leitores. Qual a sua mensagem para eles?
DD - Se você tem um trabalho (seja na música ou não), acredite nele, se você não acreditar, vai ficar muito difícil alguém leva-lo a sério. Nunca sinta que já está bom, que já é suficiente e que não precisa melhorar. Toda crítica é válida, principalmente aquela que mostra um erro que você não enxergou, isso só vai fazer o seu trabalho melhorar. Saúde, paz, prosperidade, harmonia e sejam sempre positivos!












Share:

Online

Matérias

Resenhas