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L.Cima: O ouro do tempo

Vira e mexe sempre nos vemos em uma situação na qual um disco ou uma música nos surpreende e esses momentos quase sempre surgem diante de um álbum anteriormente escutado, não compreendido e largado em meio às poeiras da estante. A sensação é sempre a melhor possível e remete ao fato de, no instante do “clarão”, se perceber como a bagagem musical acumulada pelo indivíduo entre a primeira e a última audição de uma obra é o suficiente para entender determinada canção. Isso é sempre acompanhado por uma mensagem subliminar escondida, muito bem guardada onde o álbum parece nos dizer: “Seu merda, e você pensando que já sabia de tudo!”. É como se a cabeça não funcionasse direito antes e passasse a trabalhar da forma correta. Isso se trata de momentos com discos como o The Dark Side of The Moon (que nos reserva boas surpresas) e de bandas ou discos mais situados em um grupo de musicalidade menos óbvia. Bandas como Tortoise, Fleet Foxes (o segundo disco) e o primeiro disco solo do Scott Weilland, a princípio, podem gerar certa estranheza aos ouvidos, mas depois se percebe que eles só estavam esperando pelo momento no qual o ouvinte encontre a chave certa para decifrar seus códigos. Chave essa que pode estar em outro disco, em uma mesa de bar e até mesmo quando se fala da vida dos outros em um chat do Facebook. O importante é que, quando se estabelece a comunicação entre as partes, o que estava perdido no tempo acaba se valorizando como ouro e a pessoa fica ávida por mais momentos como esse. Quem já viveu uma experiência como esta sabe do que estou querendo dizer. Para quem ainda não viveu, eu desejo que cheguem logo os seus primeiros fios de cabelo branco.

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Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Sexto guia de singles de bandas baianas. Por Leonardo Cima.

Mais uma vez o Portal SoteroRock traz a sua lista de singles de bandas e artistas baianos, lançados ao longo desse período pandêmico no qual nos encontramos neste 2020. Para essa ocasião, a diversidade ainda marca uma forte presença nessa seleta. Rock, pop, metal, eletrônico, folk e o grande leque que se abre a partir desses gêneros vão aparecer para você aqui enquanto faz a sua leitura. Então, abra a sua mente, saiba um pouco sobre cada um dos trabalhos citados aqui, siga cada um nas redes sociais (se possível, é claro!) e, óbvio, escute as canções!! Se você acha que faltou algum artista/banda aqui nessa matéria, mande uma mensagem inbox pelo nosso perfil do Instagram, que iremos escutar! Midorii Kido - Sou o que Sou Para quem acha que o rock já se esgotou em termos de abraçar minorias e até mesmo acredita que é conservador, este primeiro single da drag queen Midorii Kido é um tapa na face daqueles que professam dessa maneira contra o gênero. Sou o que Sou é um rock forte,

O garage noir da The Futchers. Por Leonardo Cima.

Nesses últimos dois meses, o selo SoteroRec teve a honra e a felicidade de lançar na sua série Retro Rocks, os trabalhos de uma das bandas mais interessantes que a cena local já teve e que, infelizmente, não teve uma projeção devidamente extensa. Capitaneada por Rodrigo "Sputter" Chagas (vocal da The Honkers), a The Futchers foi a sua banda paralela idealizada e montada por ele próprio no final do ano de 2006. A propósito, o nome Futchers vem inspirado da dislexia do compositor britânico Billy Childish, que escreve as palavras da mesma maneira que as fala. Ele, ao lado de mais quatro integrantes, também de bandas locais da época, começaram os ensaios com uma proposta sonora voltada mais para o mood e o garage rock, se distanciando um pouco dos seus respectivos trabalhos nos grupos anteriores. Relembrando um pouco daquele período e como observador, esse "peso" de não ter que se repetir musicalmente recaía um pouco mais sobre Rodrigo. Não que houvesse isso