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L.Cima: O ouro do tempo

Vira e mexe sempre nos vemos em uma situação na qual um disco ou uma música nos surpreende e esses momentos quase sempre surgem diante de um álbum anteriormente escutado, não compreendido e largado em meio às poeiras da estante. A sensação é sempre a melhor possível e remete ao fato de, no instante do “clarão”, se perceber como a bagagem musical acumulada pelo indivíduo entre a primeira e a última audição de uma obra é o suficiente para entender determinada canção. Isso é sempre acompanhado por uma mensagem subliminar escondida, muito bem guardada onde o álbum parece nos dizer: “Seu merda, e você pensando que já sabia de tudo!”. É como se a cabeça não funcionasse direito antes e passasse a trabalhar da forma correta. Isso se trata de momentos com discos como o The Dark Side of The Moon (que nos reserva boas surpresas) e de bandas ou discos mais situados em um grupo de musicalidade menos óbvia. Bandas como Tortoise, Fleet Foxes (o segundo disco) e o primeiro disco solo do Scott Weilland, a princípio, podem gerar certa estranheza aos ouvidos, mas depois se percebe que eles só estavam esperando pelo momento no qual o ouvinte encontre a chave certa para decifrar seus códigos. Chave essa que pode estar em outro disco, em uma mesa de bar e até mesmo quando se fala da vida dos outros em um chat do Facebook. O importante é que, quando se estabelece a comunicação entre as partes, o que estava perdido no tempo acaba se valorizando como ouro e a pessoa fica ávida por mais momentos como esse. Quem já viveu uma experiência como esta sabe do que estou querendo dizer. Para quem ainda não viveu, eu desejo que cheguem logo os seus primeiros fios de cabelo branco.

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Resenha: Revista Ozadia, número zero.

Sou um apreciador recente de quadrinhos, e já há algum tempo venho acompanhando o que vem sendo feito de bom neste ramo e fico salivando por novidades dos meus autores preferidos. Ao mesmo tempo que, assim como no rock, é muito bom saber que há uma movimentação local na produção de HQ’s e que essas produções saem de mãos talentosas e possuidoras de uma liberdade criativa que se iguala à música que aprecio. A mais recente novidade é a edição de número zero da revista Ozadia, que é uma compilação de cinco histórias eróticas escritas pelas mãos de sete quadrinistas e roteiristas daqui da Bahia. Lançada com o apoio do selo Quadro a Quadro e ganhando popularidade a cada dia que passa, a revista tem dois aspectos importantes para ser lida mais de uma vez: uma ótima fluência no seu texto e traços inspiradíssimos de seus desenhos. De Ricardo Cidade e Alex Lins, “Especimen” abre a Ozadia com uma ótima ficção cientifica pornográfica, onde a heroína sai em busca de coleta de amostras de um

As 10 Caras do Rock Baiano - Com a Banda Vômitos, "Punk Rock pra mendigo!"

O Portal Soterorockpolitano foi buscar na cidade de Barreiras os entrevistados da oitava entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano”, são eles o guitarrista Rick Rodriguez e o vocalista Tito Blasphemer, da banda Vômitos. Nessa entrevista eles falam sobre as condições da cena da sua cidade e do esforço para mante-la ativa, suas influências e a inspiração para as suas letras, além da repercussão do clipe da música “Facada”, que já chegou a mais de 3.000 visualizações no Youtube. Então, ajeite-se na sua cadeira e fique ligado para não tomar uma facada no bucho. Soterorockpolitano - Como e quando surgiu a banda? Rick Rodriguez - A banda surgiu em 2007, tínhamos um interesse em comum, que era o punk rock, e isso nos motivou a formar a banda na época, começamos tocando músicas dos Ramones, que era nossa banda preferida e logo em seguida começamos a compor, e ter nossas próprias músicas. Tito Blasphemer - Estávamos cansados da cena de nossa cidade, bandas que

4 Discos de Rock Baiano, a compilação das cinco publicações. Por Leonardo Cima.

Movidos pelo resgate da memória da cena independente da Bahia, no qual o selo SoteroRec tem feito com o Retro Rocks desde o inicio deste ano  e por todas as ações que o cenário também tem feito nesse sentido, decidimos trazer uma compilação especial do nosso site para você que nos acompanha.  Em 2017, o Portal Soterorock fez uma série de matérias que destacava alguns dos principais discos de rock lançados na Bahia ao longo dos anos. Essa série se chamava "4 Discos de Rock Baiano" e como o nome sugere, quatro discos eram referenciados nas matérias.  Foram ao todo cinco publicações com bandas/artistas de gerações distintas reunidas nesta coletânea.  Você vai encontrar aqui pontuações sobre as obras e o mais importante: o registro público sobre elas, para que possam ser revisitadas e referenciadas ao longo dos anos. Passar em branco é que não pode! O aspecto positivo de se visitar essas postagens é a de ver que a maioria das bandas e artistas citados nelas ainda estão em ativida