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L.Cima: O ouro do tempo

Vira e mexe sempre nos vemos em uma situação na qual um disco ou uma música nos surpreende e esses momentos quase sempre surgem diante de um álbum anteriormente escutado, não compreendido e largado em meio às poeiras da estante. A sensação é sempre a melhor possível e remete ao fato de, no instante do “clarão”, se perceber como a bagagem musical acumulada pelo indivíduo entre a primeira e a última audição de uma obra é o suficiente para entender determinada canção. Isso é sempre acompanhado por uma mensagem subliminar escondida, muito bem guardada onde o álbum parece nos dizer: “Seu merda, e você pensando que já sabia de tudo!”. É como se a cabeça não funcionasse direito antes e passasse a trabalhar da forma correta. Isso se trata de momentos com discos como o The Dark Side of The Moon (que nos reserva boas surpresas) e de bandas ou discos mais situados em um grupo de musicalidade menos óbvia. Bandas como Tortoise, Fleet Foxes (o segundo disco) e o primeiro disco solo do Scott Weilland, a princípio, podem gerar certa estranheza aos ouvidos, mas depois se percebe que eles só estavam esperando pelo momento no qual o ouvinte encontre a chave certa para decifrar seus códigos. Chave essa que pode estar em outro disco, em uma mesa de bar e até mesmo quando se fala da vida dos outros em um chat do Facebook. O importante é que, quando se estabelece a comunicação entre as partes, o que estava perdido no tempo acaba se valorizando como ouro e a pessoa fica ávida por mais momentos como esse. Quem já viveu uma experiência como esta sabe do que estou querendo dizer. Para quem ainda não viveu, eu desejo que cheguem logo os seus primeiros fios de cabelo branco.

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"Carnaval, carnaval, carnaval / Fico tão triste quando chega o carnaval" Por Sérgio Moraes

Com uma sonoridade ímpar desde os idos de 1985, a Banda Organoclorados (Alagoinhas-Bahia), Lançou seu mais recente vídeo “No Carnaval a Gente Esquece”. Você pode ouvir nas plataformas de vídeo espalhadas pela web ou aqui!  O vídeo faz um paralelo visual da vida cotidiana, euforia e desespero se misturando na obscuridade dos dias turbulentos que vivemos. Misturando imagens de alegria (num simples passeio pela calçadão das ruas com a banda) e desilusões diárias (Coquetel Molotov e afins). A sonoridade blues-Rock da canção é bem vinda, pois, a participação especial de Lucas Costa na gaita harmônica abrilhanta ainda mais as imagens e a sonoridade de “No Carnaval a Gente Esquece”. Veja e tire suas próprias conclusões deste belo vídeo, letra e composição dos cinco caras!   Organoclorados é: Alan Gustavo - guitarra; André G - baixo; Artur W - guitarra e voz; Joir Rocha - bateria; Roger Silva - teclados. Título: Trecho da letra de Luiz Melodia “Quando o Carnaval Cheg

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Resenha: Revista Ozadia, número zero.

Sou um apreciador recente de quadrinhos, e já há algum tempo venho acompanhando o que vem sendo feito de bom neste ramo e fico salivando por novidades dos meus autores preferidos. Ao mesmo tempo que, assim como no rock, é muito bom saber que há uma movimentação local na produção de HQ’s e que essas produções saem de mãos talentosas e possuidoras de uma liberdade criativa que se iguala à música que aprecio. A mais recente novidade é a edição de número zero da revista Ozadia, que é uma compilação de cinco histórias eróticas escritas pelas mãos de sete quadrinistas e roteiristas daqui da Bahia. Lançada com o apoio do selo Quadro a Quadro e ganhando popularidade a cada dia que passa, a revista tem dois aspectos importantes para ser lida mais de uma vez: uma ótima fluência no seu texto e traços inspiradíssimos de seus desenhos. De Ricardo Cidade e Alex Lins, “Especimen” abre a Ozadia com uma ótima ficção cientifica pornográfica, onde a heroína sai em busca de coleta de amostras de um