Pular para o conteúdo principal

A série “As 10 Caras do Rock Baiano” com Cadinho Ricardo Baixista da Cascadura, Rebeca Matta, Retro_Visor e mais!

A série “As 10 Caras do Rock Baiano” retorna com a sua quarta entrevista trazendo um dos músicos mais atuantes da cena local: Cadinho Ricardo. Baixista de técnica, feeling e presença de palco apuradas, Cadinho nos fala sobre a sua trajetória, sobre sua percepção da cena local e como é tocar com artistas, músicos e bandas notáveis. Competência, profissionalismo, disciplina, bom humor, carisma e inteligência formam a marca desse músico que faz toda a diferença no cenário local e não foi diferente nesse bate papo descontraído. Como já é de costume, se ajeite na cadeira e aproveite essa interessante entrevista. 

SRP - Quando começou seu gosto pela música? Já havia algum músico na sua família que serviu de referência pra você, ou sua influência veio de fora? 
Cadinho - Bem, minha relação com música começa cedo. Rolavam diversos títulos em vinil em casa. Disco music, pop e jovem guarda por minha mãe, sambas e cantores do rádio por meu pai. Absorvia aquilo e outras coisas que tocavam no rádio. Daí, comecei a desenvolver meu gosto musical. Minha família não tem lá tantos músicos, não chega a configurar uma tradição, mas tem/tinha muita gente com sensibilidade musical. 

SRP - E a extinta Flashpoint Records, o fato de ter trabalhado em uma loja de discos teve influência na sua formação musical também? CR - Quando entrei lá, já tinha uma bagagem e formação bem estabelecidas. Evidente que o contato com clientes contribuiu bastante. Aprendi muito ali, e não só sobre música, rs. O ambiente era propício e fiz bom uso dele. Estamos vivos pra isso: aprender. 

SRP - Com certeza, meu caro! CR - Essa é a graça, rs. 

SRP - Você faz parte de algumas bandas daqui da cidade e uma das que me chamou mais a atenção foi a Retro_Visor com a sua formação diferenciada (baixo, vibrafone e bateria), como surgiu a ideia de formar uma banda com essa composição? CR - Havia uma ideia de montar a banda desde que o Antenor Cardoso comprou o vibrafone - lá se vão alguns anos -, ele sempre falava que tava lá com o instrumento e que era para a gente montar o projeto. A coisa ficou meio ali em "stand by", até que no final de 2010 resolvemos que era a hora de colocar a ideia em prática e agendamos um show de estreia sem nunca termos ensaiado até então rs. De lá pra cá, muita coisa veio acontecendo, RS. É isso, foi assim. Éramos três amigos bebendo cerveja e cada um tocava um instrumento, tendo, inclusive experiência em bandas em comum. (Banda retro_Visor)

SRP - Rs, as melhores coisas sempre surgem dessa forma, de um jeito espontâneo, com um bom papo entre amigos e uma cerveja gelada! CR - Rs, pois é! 

SRP - Achei muito interessante mesmo o som da Retro_Visor, me lembrou muito Tortoise e som regional daqui da Bahia, além do fato do Antenor ter pontuado no VandexTv sobre os outros instrumentos que aparecem de forma “invisível” quando vocês tocam! Muito bom!!! CR - Sim, a estética da banda é fruto da bagagem de cada um refletida no arranjo. Fico feliz que tenha gostado, meu velho! 

SRP - Mesmo sendo um músico muito jovem, você já acumula inúmeras experiências com artistas e bandas extraordinárias. Tem alguma vivência que mais te marcou? CR - Todas elas deixam um registro bem bacana. Cada uma tem o seu contexto, a sua peculiaridade. A primeira experiência de gravar um disco inteiro com a Hares, ter retornado aos palcos com o Chip Trio, iniciar uma nova experiência sonora com o Retro_Visor, gravar um dvd e cd ao vivo com a Rebeca Matta - cantora que sempre admirei - com tanta gente boa envolvida, estar hoje no Cascadura tocando com amigos ali.... São coisas que vem quando puxo na mente. É muita coisa, guardo tudo com muito carinho. 

SRP - Ha pouco a gente falava sobre a sua agenda que, ainda bem, está cheia. Como consegue conciliar o seu tempo para dar conta das bandas que toca? CR - Dou uma atenção muito grande a organização da agenda, me dedico muito a isso. É possível e estou conseguindo, rs. 

SRP - E sobre o Rock na Bahia, qual a sua visão sobre o atual período do cenário local, o que mais te agrada e o que mais te incomoda nessa cena? CR - Sinto esse momento como um ostracismo dinâmico. Há muita coisa sendo produzida, há muito assunto pertinente no ar. Tudo emperra em problemas estruturais da cidade... O de sempre: política, péssimo serviço, falta de lugar pra tocar... Há essa novidade latente, que se engessa nessas limitações de Salvador. O diálogo é o que me interessa. 

SRP - Conversar, debater e se organizar são fatores que mais tem se mostrado a favor da cena local e o velho e bom "faça você mesmo" ainda funciona de certa forma por aqui. A falta de uma estrutura boa na cidade de fato sufoca muita coisa! CR - O "faça você mesmo" tem que sempre funcionar. Evidente que atento as novidades para viabilizar suas ações. A falta de estrutura inviabiliza muita coisa. Mas é isso, temos de reclamar sim, resmungar, se queixar, mas sobretudo fazer. 

SRP - Com certeza, pois as pedras que rolam não criam limo!!! Rs. CR - Sim, RS.  (Conheça o Cascadura)

SRP - E os sons?? O que tem escutado ultimamente? CR - Ah cara, apesar de ser um pesquisador nato, acabo escutando frequentemente as mesmas coisas. Mas quando pauso o Clash, Beatles, Stones, Camisa de Vênus, Mano Negra, Gogol Bordello, Metallica, Titãs... Escuto muito QOTSA, Electric Moon, Vivendo do Ócio... 

SRP - Ave Maria, só coisa fina. Fineza total! Hehehe. Cadinho, uma última pergunta! Tenho que perguntar por eu ser baterista. Rs. Como é fazer a cozinha ao lado de Emanuel Venâncio na banda da Rebeca Matta? CR – Hahahahahahaha. 

SRP – Hehehe. As canções ficaram ótimas e o resultado do dvd também, ela é demais e as participações especiais foram incríveis! CR - Cara, Emanuel além de um monstro, um grande talento, é um querido. Nos entendemos muito bem. Uma alegria e um privilégio tocar com ele, Juninho Costa, João Meirelles e a Rebeca Matta. Sim, o dvd ficou ali num prisma muito confortável pra mim, só gente querida. 

SRP - Muito bom mesmo, velho. Acho esse dvd uma pérola no meio da Bahia! Uma preciosidade! CR - Gostei muito de ter participado, ter tido a oportunidade de produzir uma faixa com a banda ao lado do Peu Sousa e me sinto feliz em dar sequencia a esse trabalho. Muito bacana a chance de fazer uma música que permita explorar diferentes linguagens que abrigadas na minha mente, rs. 

SRP - Com certeza, competência e inteligência são as palavras chave e para isso você tem de sobra!! Rs. E o Cascadura, como tem sido a experiência do Aleluia na estrada? CR - Muito boa. Olha, como eu gosto de estar ali, viu... Estamos em turnê e, onde chegamos somos muito bem recebidos. A aceitação do disco e da formação atual tem sido excelente. O "Aleluia" é uma realidade e me orgulho em ser parte da construção dessa obra no palco. Amo fazer essa música. 

SRP - Cadinho, acho que é isso! Rs. Quer deixar alguma mensagem para os nossos leitores?? CR - Cara... Muito rock para todos nós! 

SRP - Recado dado!!


Popular Posts

"Carnaval, carnaval, carnaval / Fico tão triste quando chega o carnaval" Por Sérgio Moraes

Com uma sonoridade ímpar desde os idos de 1985, a Banda Organoclorados (Alagoinhas-Bahia), Lançou seu mais recente vídeo “No Carnaval a Gente Esquece”. Você pode ouvir nas plataformas de vídeo espalhadas pela web ou aqui!  O vídeo faz um paralelo visual da vida cotidiana, euforia e desespero se misturando na obscuridade dos dias turbulentos que vivemos. Misturando imagens de alegria (num simples passeio pela calçadão das ruas com a banda) e desilusões diárias (Coquetel Molotov e afins). A sonoridade blues-Rock da canção é bem vinda, pois, a participação especial de Lucas Costa na gaita harmônica abrilhanta ainda mais as imagens e a sonoridade de “No Carnaval a Gente Esquece”. Veja e tire suas próprias conclusões deste belo vídeo, letra e composição dos cinco caras!   Organoclorados é: Alan Gustavo - guitarra; André G - baixo; Artur W - guitarra e voz; Joir Rocha - bateria; Roger Silva - teclados. Título: Trecho da letra de Luiz Melodia “Quando o Carnaval Cheg

Tem muito som no tabuleiro do rock aqui na Bahia. Por Leonardo Cima.

Depois do nosso hiato no ano de 2018, retomamos às nossas atividades aqui no site em 2019. É bem verdade que escrevemos menos do que esperávamos e pretendíamos, porém continuamos observando o que acontecia na cena ao longo desses doze meses que se passaram. Bastante som foi lançado, várias propostas sonoras diferentes ganharam a luz do dia e mantiveram esse ano como os seus antecessores: agitado em volume e em alta qualidade de produção. Teve banda/artista apostando em single, ou fazendo as suas primeiras investidas solo, projetos musicais saindo do papel, banda lançando novidade depois de muito tempo sem disponibilizar um novo trabalho, ou seja, uma considerável quantidade de impulsos motivadores levaram à todas essas novidades da cena rocker da Bahia. Então, resolvi fazer essas micro resenhas para compensar a minha baixa frequência por aqui pelo site no ano que passou e para fazer justiça com esses lançamentos, trazendo alguns títulos nessa matéria. Mas, frisando, ess

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava