Pular para o conteúdo principal

Cheira Como o Espírito da Adolescência – Por Leo Cima


A noite do último dia treze de julho foi tão rock que, no caminho de volta para casa, eu, Sérgio, Ricardo, Gil e Bárbara não imaginávamos que o Marcelo Lomba havia defendido dois pênaltis na partida do Bahia contra a Ponte Preta. Além disso, nos indagamos e percebemos que, até aquele momento, ainda não havíamos celebrado o rock no seu dia comemorativo. A diversidade cultural dessa cidade foi a marca mais forte neste dia de comemoração e não há nada mais rock do que isso. Os caminhos nos levaram para o Pelourinho (local querido ainda pouco cuidado de nossa Salvador) para assistir ao show da banda baiana Vivendo do Ócio na praça Pedro Archanjo. 

Depois de experimentar o famoso cravinho (é, eu ainda não havia tomado) e me certificar da minha autêntica naturalidade chegamos no local onde já se fazia ouvir, na praça Tereza Batista, a percussão forte e contagiante da banda afro Os Negões, mostrando que duas linguagens musicais distintas podem conviver respeitosamente no mesmo espaço. Após meia hora de samba reggae e conversas sobre Black Sabbath, a VDO subiu ao palco para tocar o seu repertório vibrante para uma plateia vibrante. Já começando a se acostumar a tocar em grandes festivais, a banda sentiu-se a vontade com o fato de ter um publico fisicamente mais próximo, o que permitia uma troca sincera de energia entre ambos. Mesmo que para mim o show deles no inicio do ano no projeto Espicha Verão tenha sido mais intenso, devo admitir que intensidade não faltou nesta ocasião e isso manteve o que há de mais interessante na música deles: um som jovem, feito por jovens e que dialoga com todas as gerações, fazendo do rock uma entidade viva. Tendo a sequência de suas músicas mais bem estruturada e com todos mais seguros nos seus instrumentos, a banda manteve a apresentação longe de momentos monótonos. 

Todas as músicas estavam na ponta da língua das pessoas, mas é impossível não destacar “Nostalgia”, uma musica que já nasceu como um hit de caráter clássico e que vai ficar por aí por muito tempo. Encerrando a apresentação, a Vivendo do Ócio atendeu ao pedido do público e tocou “Plut Plat Zum”, do Raul Seixas (olha o dialogo aí novamente!), e em seguida veio o desfecho do show com o Jajá auxiliando o Dieguito na bateria a tirar um samba reggae para a ótima surpresa dos ouvintes. Será que o som d’Os Negões já queria nos avisar sobre algo? Após o final do show rumamos para o Sankofa African Bar, um dos lugares mais interessantes que já entramos. Lá encontramos muito afrobeat, muita salsa, muito reggae e muito espaço para falar sobre a vida e sobre o ótimo som que vimos. Enfim, viva a grande apresentação da Vivendo do Ócio e viva ao rock da Bahia e toda a sua pluralidade que o faz diferente de todos os outros lugares.

Popular Posts

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…

Todo dia é dia de rock. Por Leo Cima.

Aconteceu, no final de semana em que se celebrou o dia mundial do rock, o festival Rock Concha 2019. Evento que, neste ano, comemorou trinta anos da sua primeira edição. Houve um hiato de um pouco mais de vinte anos nas suas atividades, porém, há quase uma década, a festa vem acontecendo de maneira assídua a cada ano e já pode ser considerada como certa no calendário cultural da cidade.
Para esta ocasião, a produção do evento apostou em um lineup que propôs fugir de repetir nomes escalados nos anos anteriores, se mantendo atrativo neste sentido e oferecendo ao seu público bandas relevantes na cena nacional e local, com algumas delas há bastante tempo sem vir à Salvador, outras lançando trabalho novo, ou comemorando décadas de estrada. A falta de roadies durante algumas apresentações foi percebida em dois momentos, nos shows da Drearylands e da Alquímea, mas nada que comprometesse o desempenho de ambas no palco!
No sábado, quem abriu o evento foi a Drearylands. Comemorando vinte anos …

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 
SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado?  Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...