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Resenhas de Shows por Léo Cima / Circuito Rock Salvador- BA


SHOW: BANDA CASCADURA 
Um conhecido meu sempre me diz: "Pô Leo, Casacadura de novo? Tudo bem, o som dos caras é muito bom, mas pera aí!" Eu entendo, o finalzinho do show do Círculo, vendo a banda tocar "Rosa Maria" foi o suficiente para saber que eles continuam bons. Mas nunca é demais assistir a uma apresentação de uma banda competente como o Cascadura (mesmo em uma noite de terça feira)! Havia se passado um ano desde que eu vi a apresentação deles na Concha Acústica, abrindo para o Agridoce bem no início da turnê do Aleluia e estava ansioso para ver como eles estariam agora. Estava tudo lá: a banda mais entrosada, a percussão (que ainda não estava presente no palco há um ano atrás) caindo como uma luva nas canções, a performance "DUCARALHO" de Cadinho, Fábio mandando muito bem com "Roll Over Beethoven" no final de "Soteropolitana" e o público, que acompanhou todas as músicas com uma empolgação sem igual. O show avançava em uma crescente empolgante ao mesmo tempo em que ia chegando mais gente e isso deu brecha para o desenterro de figuras que estavam ha muito tempo esquecidas na memória do tempo como o Kurt Cobain do Sertão (pois é Ricardo, Sérgio e João, aquele mesmo que perambulava pela cidade baixa) dentre outras, mas a coisa esquentou de verdade quando eles chegaram na canção "A Mulher de Roxo". Daí em diante, como nas coisas místicas dessa cidade, a chuva começou a cair e as músicas e a atmosfera do local ficaram mais fortes ainda. Ainda no show, me peguei pensando em qual seria o próximo passo do Cascadura, mas essa é uma indagação muito precoce. Talvez o Fabio ainda nem tenha pensado nisso e acho que de fato eles ainda vão colher muitos frutos do Aleluia antes de começar algo novo, pois o que é bom dura por muito tempo!! Depois disso tudo, já fora da Pedro Arcanjo e no meio de um monte de gringo, fui surpreendido por um grupo de samba reggae tocando pelas ruas do local. Confesso que fiquei meio desnorteado, mas foi muito bom. Esse é o Pelô que gosto de ver: vivo e diverso! 

SHOW: BANDA TRONICA
Passei alguns minutos de hoje pensando em como iria começar esse texto e não me veio na cabeça nada melhor do que afirmar que duas, das três bandas que vi no último sábado, terão uma boa e significativa projeção no cenário caso continuem ativas como estão. Digo duas por que a Theatro de Seraphin já se consolidou há muito tempo na cena rocker da cidade. A noite começou apressada para não perder o derradeiro ônibus para o Rio Vermelho para conferir os shows das bandas Trônica, Os Jonsóns e Theatro de Seraphin no Revolver Bar Pub Salvador, lugar levemente reformado (faltando sinalização no chão as topadas foram inevitáveis, mas tudo bem) que vem recebendo shows de rock com uma certa frequencia nas noites soteropolitanas. Os Jonsóns já haviam começado a tocar quando cheguei e de cara já se percebia que os rapazes formam um grupo entrosado e bem humorado. A quietude do público ainda em menor número não intimidou a banda que continuou a executar muito bem as suas canções tendo um bom som a seu favor e, entre uma música e outra, o vocalista tentava chamar os presentes para participarem um pouco mais, isso sem perder a pose. O seu repertório alternou músicas próprias e covers, que eles poderiam dispensar com facilidade. Acho até que mereciam mais gente vendo eles nessa noite. Em seguida veio a Trônica, executando o seu stoner pop moderno. Com um som mais pesado e arranjos bem elaborados Jamil Jende, Thiago Jende e João Marques conseguem sintetizar bem referências como Foo Fighters, QOTSA e Trail of Dead sem cair no óbvio e acabam agradando sem muito esforço. Com um repertório de músicas autorais fortes houve ainda a participação especial do Irmão Carlos fazendo um cover do Roberto Carlos e da sua psicodélica e não menos radiofônica "W Raimundo", além de encerrar a apresentação com uma bonita homenagem a um amigo que irá se mudar. Para encerrar a noite subiu ao palco a Theatro de Seraphin com o seu rock melancólico. Os anos de experiência conferem à banda uma competência ímpar na execução dessa difícil vertente do rock e até onde vi a apresentação foi bem intensa. Tive que sair antes da metade do show, pois o dia de trabalho foi duro e o cansaço não iria casar bem com um som deprê. Mas a volta para casa funcionou como uma outra parte do show deles: as pistas vazias, o som do taxi teimosamente baixo, o barulho dos bares do Rio Vermelho bem distante e a Fonte Nova assustadoramente silenciosa. Um som interessante tem dessas coisas, você consegue percebe-lo nos detalhes.

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