Pular para o conteúdo principal

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 

SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado? 
Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...
que consideramos ser o primeiro (e talvez o ultimo!rs). O que mudou no som foi só o que mudou na nossa vida mesmo, os conteúdos das letras tem a ver com as novas coisas que vivemos, as interferências de novos sons que conhecemos também. Eu acho que não mudou muito do jeito de fazer a coisa, só que com mais referências. Esse disco mesmo explora muito uma coisa que temos atenção desde o início, que são os erros, as coisas que surgem como erradas, tentamos preservar os erros que nos interessam, do nosso jeito.
SRP - Sendo assim, imagino que o processo de gravação tenha sido bem espontâneo e, já sendo o primeiro disco completo, como foi a experiência de ser produzido pelo Irmão Carlos? 
PD – Rapaz, teve muito problema, mas acredito que nós conseguimos chegar no melhor resultado possível. SRP - Da formação original da Weise tem você e o Leonardo Freitas, ainda acontece o revezamento de instrumentos entre vocês dois? 
PD - Em outro sentido, sim. É que ele agora tá tocando guitarra e, em algumas musicas, teclado. Não entre nós (o revezamento), eu estou só na guitarra mesmo e no vocal.
SRP - Ainda sobre o novo disco, as canções são todas autorais ou terá algum cover, ou alguma regravação de alguma música mais antiga de vocês? 
PD - Não, tudo nova. Eu tava querendo fazer uma coisa mais conceitual, as músicas tem algo em comum, a ordem faz um sentido, mas não tem historia nenhuma. A maioria das músicas fiz sozinho, mas fiz também uma com Leonardo e tem uma que eu fiz com meu amigo Caio Araujo da Velotroz. Alem disso, Giovani Cidreira canta comigo a ultima canção, ficou bem bonito. 
SRP - E sobre as suas apresentações, me lembro que elas tinham uma característica bem intensa, com influencias fortes do grunge, como vocês se encontram no palco hoje em dia? 
PD - Isso ai depende de tanta coisa que eu nem sei dizer. Deve ser mais ou menos a mesma coisa, só que eu, por estar mais velho, mais maluco. 
SRP - Vocês estão na ativa ha um pouco mais de cinco anos, o que torna a vida de uma banda independente daqui mais árdua?
PD - O mau gosto! 
SRP - Mas o mau gosto de que ou de quem? 
PD - Das pessoas daqui. Eu vejo um monte de banda boa nascer e morrer sem lotar um show sequer num inferninho enquanto outras péssimas é que conseguem se projetar um pouco. Sempre são as coisas que se encaixam nos modismos da época, eu me sinto numa cidadezinha do interior às vezes, com essa gente procurando imitar alguma coisa que deu certo. Alias, retiro a parte da cidade do interior, seria uma cidadezinha que começou a crescer por que chegou uma fábrica na região, pra ser mais exato. 
SRP - E o que há de bom gosto na cena local, o que você tem escutado de bom daqui? 
PD - Charlie Chaplin, Velotroz, o trabalho solo de Giovani Cidreira, The Pivos e Honkers. 
SRP - Com o lançamento do seu novo disco, a Weise pretende levar sua música para além das fronteiras de Salvador? 
PD - Pretendemos viajar sim, mas ainda não temos nada certo. 
SRP - Para finalizar, gostaria que você deixasse um recado para os nossos leitores e dissesse onde podemos encontrar o trabalho da Weise na web. 
PD - Uma ultima coisa que eu queria dizer é: se uma banda parece com uma outra mais antiga que esta, a banda boa é a mais antiga, que se fez presente até quando não estava. Infelizmente, a que parece alguma coisa tem levado a melhor. Para ouvir Weise clique aqui!

Popular Posts

"Carnaval, carnaval, carnaval / Fico tão triste quando chega o carnaval" Por Sérgio Moraes

Com uma sonoridade ímpar desde os idos de 1985, a Banda Organoclorados (Alagoinhas-Bahia), Lançou seu mais recente vídeo “No Carnaval a Gente Esquece”. Você pode ouvir nas plataformas de vídeo espalhadas pela web ou aqui! 



O vídeo faz um paralelo visual da vida cotidiana, euforia e desespero se misturando na obscuridade dos dias turbulentos que vivemos. Misturando imagens de alegria (num simples passeio pela calçadão das ruas com a banda) e desilusões diárias (Coquetel Molotov e afins). A sonoridade blues-Rock da canção é bem vinda, pois, a participação especial de Lucas Costa na gaita harmônica abrilhanta ainda mais as imagens e a sonoridade de “No Carnaval a Gente Esquece”.
Veja e tire suas próprias conclusões deste belo vídeo, letra e composição dos cinco caras!
Organoclorados é: Alan Gustavo - guitarra; André G - baixo; Artur W - guitarra e voz; Joir Rocha - bateria; Roger Silva - teclados.
Título: Trecho da letra de Luiz Melodia “Quando o Carnaval Chegou.”

Tem muito som no tabuleiro do rock aqui na Bahia. Por Leonardo Cima.

Depois do nosso hiato no ano de 2018, retomamos às nossas atividades aqui no site em 2019. É bem verdade que escrevemos menos do que esperávamos e pretendíamos, porém continuamos observando o que acontecia na cena ao longo desses doze meses que se passaram. Bastante som foi lançado, várias propostas sonoras diferentes ganharam a luz do dia e mantiveram esse ano como os seus antecessores: agitado em volume e em alta qualidade de produção.
Teve banda/artista apostando em single, ou fazendo as suas primeiras investidas solo, projetos musicais saindo do papel, banda lançando novidade depois de muito tempo sem disponibilizar um novo trabalho, ou seja, uma considerável quantidade de impulsos motivadores levaram à todas essas novidades da cena rocker da Bahia.
Então, resolvi fazer essas micro resenhas para compensar a minha baixa frequência por aqui pelo site no ano que passou e para fazer justiça com esses lançamentos, trazendo alguns títulos nessa matéria. Mas, frisando, essa não é uma lista…

Depois do inferno...Tem outro Inferno...Por Sérgio Moraes

Ouvir bandas novas já faz parte da rotina de quem faz este site acontecer. Há quem duvide e não acredite que escutamos tudo atentamente, letra por letra, acorde por acorde. Nosso trampo é sério porque amamos tudo isso. 
Amo mais ainda quando alguns amigos voltam do inferno com boas novas. É o caso da banda D.D.I (Depois do Inferno), projeto novo de André Jegue (que mantem sozinho o projeto “Funciona Face” e Ex-integrante da não tão distante BR-64) e também André Batista – Bateria, Rodrigo Magalhães - Contrabaixo Mateus Galvão – Guitarra. Todos remanescentes de outras bandas da cidade. 
A DDI nasce com uma identidade própria já marcada pelos trabalhos anteriores dos caras, o que me deixa bastante contente. Quando André Jegue se dedica a cantar Hardcore seus vocais ficam lindos e agressivos não devendo nada a bandas como Dead Fish (Referência relevante do gênero). 
A D.D.I liberou duas ótimas músicas do seu próximo trabalho, “Depois do Inferno” e “Facada do Cão”, (Ouça as duas!). Ambas…