Pular para o conteúdo principal

The Hangover 2 (Comemoração aos dez anos de lançamento do disco de covers da The Honkers)

Mais um mergulho na cena rocker da cidade na ultima noite de sábado, no Dubliners Irish Pub do Rio Vermelho. A cada dia que passa, a casa tem se firmado como um dos principais lugares para se fazer rock na cidade e tem proporcionado boas apresentações e novidades para o seu público. O local já estava cheio quando chegamos e abrigava a festa de comemoração aos dez anos de lançamento do disco de covers da The Honkers, e tinha como atrações a própria Honkers e a sergipana Tody’s Trouble Band.
Entrando no pub, a Tody’s Trouble Band já executava a sua segunda ou terceira canção. O som forte dos rapazes dava um tom perfeito ao clima noir que o lugar se encontrava e isso, de fato, proporcionou uma ótima experiência musical para a audiência. Foi a primeira vez deles aqui em Salvador e em um lugar mais longínquo de sua terra natal, mas não vai demorar para eles tocarem em cidades cada vez mais distantes. O rockabilly competente e insano dos sergipanos botou todo mundo para dançar e balançar a cabeça, esquentando a noite com músicas autorais e covers bem sacados de temas como o dos Blues Brothers (Peter Gunn Theme), da animação Mr. Bump e do clássico “I Will Survive”. No intervalo de cada canção, além de não disfarçar a satisfação de estar fazendo aquele som em cima do palco, o vocalista Tody se comunicava com a plateia de maneira espontânea e bem humorada, entregando experiências de Rodrigo Sputter com travestis e tentando eleger qual era o rapaz mais bonito naquela noite, se era esse último ou se era o Rogério Big Brother. A banda se saiu tão bem, que esticou mais a apresentação e teve mais liberdade para desenvolver sua performance. Foi um ótimo show, de um ótimo grupo, com ótimos instrumentistas e não deixou a desejar na sua proposta musical. O nordeste está bem servido de rockabilly! A falta de um disco gravado foi o único aspecto negativo para eles nessa noite, mas, segundo os próprios integrantes, o cd já está a caminho. Acredito que eles devem voltar a tocar mais vezes por aqui!
Depois deles subiu ao palco a The Honkers, comemorando dez anos do lançamento do seu disco de covers, o Underground Music for Underground People (covered by overground band). A banda viria a tocar um repertorio já conhecido pela maioria ali presente, mas uma pergunta veio à minha cabeça: “O que é uma apresentação da Honkers, finalmente?”. A casa ainda estava cheia e havia uma certa atmosfera de ansiedade pelo inicio do show e, como em muitas outras ocasiões, a banda estava prestes a salvar a noite (e o dia) de muita gente ali no pub. Simplesmente eles não deixaram barato! É incrível com as pessoas respondem bem ao som da banda que, desde o inicio de sua apresentação estava eletrizante e contagiante, mantendo a noite quente depois da Tody’s Trouble Band. A maioria ali presente que se aglomerava próxima ao palco dançava, cantava e vibrava a cada música como se não houvesse o amanhã, até o momento de quase nudez de Rodrigo aconteceu de forma diferente dessa vez por conta de uma calça com estampa de onça que ele vestiu, a partir daí o som foi esquentando cada vez mais e foi exatamente aonde me veio a tal pergunta à cabeça. Creio que essa seja uma pergunta sem resposta, pois as apresentações fazem da Honkers uma verdadeira entidade, na qual a barreira entre o palco e o publico deixa de existir, transformando os dois espaços em um só e onde os seus integrantes podem deixar seus instrumentos nas mãos dos convidados sem colocar em risco a essência do som da banda. Gostaria de ter ficado até o final da apresentação, mas o cansaço não deixou. Certamente houve um desfecho agradável.

Novamente, o cenário rocker daqui proporcionou uma boa jornada musical para quem se dispôs a sair de casa para se distrair. É bom ver que as apresentações de rock dessa cidade estão cada vez mais ganhando fôlego e quem ficou em casa perdeu duas ótimas apresentações. Até a cerveja preta estava gelada e acho que o Cameron Crowe poderia rodar um bom filme seu ali.

Popular Posts

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Sexto guia de singles de bandas baianas. Por Leonardo Cima.

Mais uma vez o Portal SoteroRock traz a sua lista de singles de bandas e artistas baianos, lançados ao longo desse período pandêmico no qual nos encontramos neste 2020. Para essa ocasião, a diversidade ainda marca uma forte presença nessa seleta. Rock, pop, metal, eletrônico, folk e o grande leque que se abre a partir desses gêneros vão aparecer para você aqui enquanto faz a sua leitura. Então, abra a sua mente, saiba um pouco sobre cada um dos trabalhos citados aqui, siga cada um nas redes sociais (se possível, é claro!) e, óbvio, escute as canções!! Se você acha que faltou algum artista/banda aqui nessa matéria, mande uma mensagem inbox pelo nosso perfil do Instagram, que iremos escutar! Midorii Kido - Sou o que Sou Para quem acha que o rock já se esgotou em termos de abraçar minorias e até mesmo acredita que é conservador, este primeiro single da drag queen Midorii Kido é um tapa na face daqueles que professam dessa maneira contra o gênero. Sou o que Sou é um rock forte,

O garage noir da The Futchers. Por Leonardo Cima.

Nesses últimos dois meses, o selo SoteroRec teve a honra e a felicidade de lançar na sua série Retro Rocks, os trabalhos de uma das bandas mais interessantes que a cena local já teve e que, infelizmente, não teve uma projeção devidamente extensa. Capitaneada por Rodrigo "Sputter" Chagas (vocal da The Honkers), a The Futchers foi a sua banda paralela idealizada e montada por ele próprio no final do ano de 2006. A propósito, o nome Futchers vem inspirado da dislexia do compositor britânico Billy Childish, que escreve as palavras da mesma maneira que as fala. Ele, ao lado de mais quatro integrantes, também de bandas locais da época, começaram os ensaios com uma proposta sonora voltada mais para o mood e o garage rock, se distanciando um pouco dos seus respectivos trabalhos nos grupos anteriores. Relembrando um pouco daquele período e como observador, esse "peso" de não ter que se repetir musicalmente recaía um pouco mais sobre Rodrigo. Não que houvesse isso