Pular para o conteúdo principal

"As 10 caras do rock baiano" com: “Oreah Chinaski” vocalista e baixista da Declinium

Oreah defina pra mim o que é lançar um disco falando de existencialismo na atual cena de rock da cidade? Cara , pra gente é meio que natural porque talvez esse seja justamente o nosso diferencial, outro dia fomos tocar em candeias e um cara na plateia disse que a gente era a banda mais dramatica que ele já tinha visto, (Risos).

O que "Marte" trás de novo? Uma preucupação maior com os arranjos e letras acho que rolou uma evolução legal no trabalho, aquele lance de se firmar com nossa propria cara, sempre tive trauma de gravar, mas esse disco pra mim foi o que fiquei mais confortavel fazendo e a ideia é sempre passar o que a gente tá sentindo. Acho que fomos bem sucedidos nesse aspecto.

Os trabalhos da Declinium estão sempre recheados de minimalismos e detalhes de produção. Como é feita essa direção artistica, criação de músicas, capa e afins? Geralmente eu chego com a ideia inicial e a banda trabalha em cima desse material, todos os integrantes opinam da mesma forma, não tem essa de um só decidir, sempre acreditei que se é banda todo mundo tem que meter a mão na massa, nesse EP contamos com o auxilio luxuoso de “Léo Marinho” gravando e “Jera Cravo” mixando e masterizando as musicas, “Jera” , arrisco a dizer que conhece a “Declinium” mas que eu! (Risos). A parte grafica que fez foi “Wilson” da “Pastel de Miolos”. Dei a ideia e ele executou.O  sacana é meio anjo da guarda pra gente, sou um vacilão de primeira linha, mas ele sempre tá lá apoiando não deixando a peteca cair e na parte musical quem tem Fofo, léo, Bruno e Ericson numa banda é garantia de qualidade gosto e respeito todas as formações que tivemos, mas essa formação é a que sempre sonhei a que mas gosto.

Falando em não deixar a peteca cair, o que te mantem tocando e o que te levou a tocar rock. As influências da banda se renovaram para a construção de "Marte" ou a banda ainda pesquisa nas mesmas fontes de trabalhos anteriores? Cara, acho que se eu parar de tocar, paro de existir! Sempre fiz isso é a maneira que eu tenho de exorcizar os meus demônios sabe? Fico muito feliz quando sei que a pessoa ouve o nosso trabalho e entende o que a gente quer passar. Sempre fui um cara sem grandes expectativas com relação a tudo sabe? Vim de uma familia detonada, não me encaixava em lugar nenhum, não tinha referência pra nada e onde fui me encontrar? “No rock´n´roll”...Tocar me faz ter aquela sensação de que sou útil pra alguma coisa. As referências continuam as mesmas, mas escutamos coisas novas também e de forma indireta isso acaba nos influenciando, mas eu acho que a declinium já tem uma identidade, se você ouvir vai sacar de imediato que é Declinium.

Podemos esperar um album cheio, ou a banda prefere gravar EP's e esperar a reação do público? O que vocês espera com o lançemanto do EP? Os shows de divulgação do album tem acontecido?
Sim, nunca fizemos um disco cheio por absoluta falta de grana, (Risos)...mas parece que agora vai! Descolamos um produtor interessado em trabalhar com a gente, então os shows estão sendo agendados bigbross tá dando uma força monstro nesse sentido. Parece que as pessoas estão gostando do trabalho elogiando e isso motiva mais ainda o lance agora é tocar no maior numero de lugares que for possível e evitar as roubadas porque já estamos mais calejados e tomar prejuizo é barril demais, (Riso).

Falar em falta de grana, como é viver para o rock e não do rock. Trocando em miudos, não ser remunerado por isso. Ter que Trabalhar em outras áreas e não receber só pelo rock produzido?
Velho, sinceramente eu espero que comece a entrar alguma grana agora , mas se não entrar beleza também...(Risos). A recompensa vem de outras formas sabe? como quando termina um som e vem alguem falar que te ouviu num momento especial essas coisas aquele momento em que você tá num palco tocando e as pessoas cantando junto não tem preço man. E eu sou um ninguém saca? E sinceramente eu não me sinto sacaneado por não rolar grana, se rolar massa, mas eu me sinto satisfeito de fazer parte dessa cena que esta tomando forma aqui em camaçari. Tem surgido bandas muito foda cara que eu saio de casa pra ver porque sei que são boas de verdade. Rivermann ,Foursome , Pivos Codigo em Sigilo e muitas outras são caras que nem eu ,as vezes melhores, tipo Patricio da Foursome ,Bruno da Rivermann ,Sassau da “Codigo” são caras que eu realmente admiro ,eu particularmente acho que sou o menos talhado pra tá na frente cantando e tal. Já viu um cara mais improvável pra tá na frente com uma banda? sou eu, mas parece que funciona, (Risos).

Na cena atual, qual ou quais bandas vocês destacaria como revelação de um bom trabalho? 
“Fousome”, os caras são realmente bons! Na minha opinião são os melhores hoje! Tem a “The Pivos” que é foda a “Rivermann” que também trampa muito certo e tão surgindo mais bandas ainda, eles estão se articulando pra gravar!

Porque a cena de Camaçari tem se mostrado mais forte que as produções feitas em Salvador. qual a sua visão sobre o assunto?  Man, vai parecer piegas o que vou te falar mas é porque a gente se apoia. Um ajuda o outro sempre em tudo desde organização de shows como emprestar material, essas coisas a gente quer fazer junto e não competir e parece que o público entende isso. Uma coisa que eu fico puto com relação a salvador é que algumas bandas parecem que estão numa competição, nem assistem o show da banda que tá tocando no mesmo evento sabe? Mas tem bandas muito legais em SSA como; Falsos Modernos, Pancreas, Theatro de Seraphim, The Honkers...

Existe alguma coisa que te desagrada na cena de rock da cidade?
A mentalidade de alguns donos de casa de show ,eles acham que estão fazendo favor em te colocar pra tocar, mas aqui temos um apoio legal da secretaria de cultura e do teatro Alberto Martins que ajudam muito dão um apoio massa, tem a panela produções de Flavio Guerra e Paulo Derrico que estão movimentando as coisas de forma profissional e muito justa por aqui Flavio também é vocalista da “Ladrões Engravatados” um dos shows mais divertidos que já ví. São muito bons, e eu sempre tento ver as coisas de uma forma positiva, até o que me desagrada, (Risos).

Deixo esse último momento para considerações finais...

Só tenho a agradecer a vocês pela força! É assim que se constrói a cena com bandas e veiculos de midia que saibam do que tão falando. Quem se interessar em nos levar pra tocar, contate-nos e vamos tocar rock, muito obrigado mesmo pela oportunidade e essas “bandecas” de nariz empinado não estão com nada!!! (Risos) grande abraço. CLIQUE AQUI E CONHEÇA A BANDA!

Popular Posts

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Como na profundidade do cosmo. Por Leonardo cima.

Bem no começo desse ano, em janeiro, antes de toda essa agonia que nos encontramos, de pandemia e quarentena, a banda soteropolitana Vernal lançou o seu mais recente trabalho, Epicteto. Essa ressalva inicial do período desse lançamento se faz presente pelo fato de trazer uma recordação recente, de se botar na praça algo novo e poder circular livremente por aí pelas gigs e se esbarrar com os seus autores em um palco tocando as suas canções. Digo isso de maneira geral, até. As produções da cena continuaram e continuam em meio a quarentena, mas esse sabor de presenciar as coisas de perto já começa a pesar, de certa maneira, e visitar esse disco da Vernal também é visitar esse período de cerca de dois meses e meio, ou três (quase!), de liberdade sem restrições que ainda gozávamos. Olhando mais para dentro desse momento, o trio estava vivendo uma boa projeção na cena, com boa frequência de shows e aparição em canais de comunicação alternativa, alguns deles em seus passos iniciai

Sexto guia de singles de bandas baianas. Por Leonardo Cima.

Mais uma vez o Portal SoteroRock traz a sua lista de singles de bandas e artistas baianos, lançados ao longo desse período pandêmico no qual nos encontramos neste 2020. Para essa ocasião, a diversidade ainda marca uma forte presença nessa seleta. Rock, pop, metal, eletrônico, folk e o grande leque que se abre a partir desses gêneros vão aparecer para você aqui enquanto faz a sua leitura. Então, abra a sua mente, saiba um pouco sobre cada um dos trabalhos citados aqui, siga cada um nas redes sociais (se possível, é claro!) e, óbvio, escute as canções!! Se você acha que faltou algum artista/banda aqui nessa matéria, mande uma mensagem inbox pelo nosso perfil do Instagram, que iremos escutar! Midorii Kido - Sou o que Sou Para quem acha que o rock já se esgotou em termos de abraçar minorias e até mesmo acredita que é conservador, este primeiro single da drag queen Midorii Kido é um tapa na face daqueles que professam dessa maneira contra o gênero. Sou o que Sou é um rock forte,