Pular para o conteúdo principal

Noite de chuva, porém quente e experimental

"Shows de aquecimento para o 6° Bigbands preparam a sua chegada."

Mais uma vez a equipe do Portal Soterorockpolitano adentrou na noite da cena rocker da cidade para conferir, desta vez, o Warm Up Bigbands, o aquecimento de um dos mais importantes festivais da Bahia, o Festival Bigbands. Chegando nesta ocasião a sua sexta edição, depois do hiato de um ano, o evento ressurge com uma grade de atrações que traz grupos da capital e do interior da Bahia, além de bandas da região nordeste e do centro-oeste e alcança, em seu ápice, quatro dias em dois finais de semana do mês de agosto (dias 08, 09, 14 e 16). Antes, no dia 03/08, o evento acontece no projeto Faustão Falando Sozinho, no Espaço Cultural Dona Neuza (no Marback) e é o único momento a ocorrer fora do Dubliners Irish Pub.

O Rio Vermelho, na noite deste último sábado, parecia o Pelourinho em dias de carnaval. Foi confuso, confesso! O lugar estava mais cheio que o normal e realmente lotado de gringo e de gente que passava dos limites na tentativa de contato com eles. Tinham aqueles que arranhavam o seu inglês(?) com turistas argentinos...
espantando-os de vez da mesa do bar, e aquelas que estavam esperançosas por arranjar um novo namorado de qualquer parte da Europa e, consequentemente, pagar promessa ao santo casamenteiro.
Mas o fato é que, nessa babel, o rock como língua universal se aprumava para receber a quem quisesse chegar de qualquer parte do planeta, sendo ele brasileiro ou estrangeiro, e contava com três bandas para aquecer a noite chuvosa de Salvador. Como de costume, o Irish Pub já se encontrava com a sua frente cheia do bom público que foi ver as bandas Tentrio, Modus Operandi e Lacertae (SE) e esperavam o início do som há muito tempo já anunciado.
Banda Tentrio

Arauto do que está por vir
            O Warm Up Bigbands foi de fato um grande aquecimento para o festival que está por vir. Estavam para se apresentar algumas bandas que não têm tocado com muita frequência no cenário e que há muito tempo mereciam espaço para mostrar seus trabalhos. Sendo elas bandas de estilos e qualidades impares, que fizeram o almejo pela noite aumentar desde o momento do anuncio do evento, é bem verdade que o line up desta noite fez justiça a todas elas, diante da qualidade e diversidade musical que ali foi vista e, principalmente, pela diversão na qual ambas executaram suas canções.
            Entrando no recinto, a Tentrio já tocava a sua primeira canção. Na condição de uma das principais bandas de rock instrumental da cena local, o trio de rock soube se beneficiar da boa aparelhagem que estava no palco. Tendo a fama de músicos disciplinados, os rapazes se fizeram valer pela concentração e compromisso que possuem com o som que fazem, derramando toda a sua face psicodélica e stoner nos ouvidos de quem ali estavam. As músicas explodiam de forma empolgante e deixaram a apresentação mais energética e com um final de certa forma surpreendente quando fizeram um cover cantado de um lado b do Nirvana, a música “D-7”. Em seguida veio a Modus Operandi. Sempre quis ver uma apresentação dos caras ao vivo para saber como funcionava essa dinâmica diferente que eles têm no som, com toda aquela parafernália de latas, botijão, furadeira, britadeira e correntes no lugar da guitarra. Não pude deixar a oportunidade de ver essa formação inusitada passar e o que vi foi incrível. A qualidade do som da banda ao vivo é muito superior ao que está nos seus discos.


Modus Operandi
Uma empolgação grandiosa dos integrantes e uma sonoridade atmosférica, que vai muito mais além das suas referencias góticas e industriais, fizeram uma diferença significativa na apresentação dos rapazes. Foi como se o Joy Division aumentasse a rotação de sua música em dez vezes e se misturado a sons de fábrica. As danças insanas do vocalista, as performances do percussionista e do baixista, a segurança do baterista e o cover de última hora de “I Wanna be Your Dog”, dos The Stooges, confirmaram a qualidade da banda em cima do palco. Para encerrar a noite a banda sergipana Lacertae veio mostrar para o publico de Salvador a sua também inusitada formação, com ausência de um baixo e com o seu baterista tocando berimbau e bateria ao mesmo tempo. Mesmo com melodias de guitarra bem elaboradas, a Lacertae não conseguiu segurar a audiência presente desde metade de seu show. Além do fato deles estarem sob grande expectativa do público local, o grupo encontrou alguns problemas técnicos (na bateria e na pedaleira, em momentos distintos) ao longo de sua apresentação, que acabaram prejudicando a sua performance. Já próximo ao final do show, o volume da guitarra ia aumentando cada vez mais e as pessoas iam se dispersando na mesma proporção. Deixaram a desejar! Ainda assim, para mim valeu muito a experiência de ter visto um show dos sergipanos, eles estão há vinte e cinco anos na estrada e muito antes do Jack White surgir com essa onda de banda de rock em dupla eles já quebravam tudo por esse Brasil.

Ao final, um desentendimento conjugal e uma cosplay (ou seria cospobre?) sedutora da Beyoncé nos pegaram de surpresa na saída do pub, esperamos que o casal tenha se resolvido e que a Beyoncé tenha chegado bem em casa. Se pelo menos as pessoas não ficassem do lado de fora do bar enquanto as bandas tocam, elas não teriam esse tipo de exposição de suas imagens. Quanto ao Warm Up Bigbands, este sim fez sua parte e deixou um gosto do que virá no mês de agosto, agora é só esperar a chegada do 6° Bigbands. Enquanto isso, você pode contribuir com o festival sendo um apoiador através do site Catarse. É só acessar e ver as condições!


Popular Posts

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…

Todo dia é dia de rock. Por Leo Cima.

Aconteceu, no final de semana em que se celebrou o dia mundial do rock, o festival Rock Concha 2019. Evento que, neste ano, comemorou trinta anos da sua primeira edição. Houve um hiato de um pouco mais de vinte anos nas suas atividades, porém, há quase uma década, a festa vem acontecendo de maneira assídua a cada ano e já pode ser considerada como certa no calendário cultural da cidade.
Para esta ocasião, a produção do evento apostou em um lineup que propôs fugir de repetir nomes escalados nos anos anteriores, se mantendo atrativo neste sentido e oferecendo ao seu público bandas relevantes na cena nacional e local, com algumas delas há bastante tempo sem vir à Salvador, outras lançando trabalho novo, ou comemorando décadas de estrada. A falta de roadies durante algumas apresentações foi percebida em dois momentos, nos shows da Drearylands e da Alquímea, mas nada que comprometesse o desempenho de ambas no palco!
No sábado, quem abriu o evento foi a Drearylands. Comemorando vinte anos …

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 
SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado?  Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...