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Palco do Rock 2015, o primeiro dia.

Fevereiro chegou e com ele mais uma festa de momo para alegrar a tudo e a todos na Bahia. Com esse carnaval, aconteceu também a vigésima primeira edição do Palco do Rock, para o alívio e alegria de corações e mentes daqueles que gostam do bom e velho rock’n roll. Movimentações de bastidores entre a organização do evento e o órgão público responsável por autorizar a sua realização quase provocaram o seu não acontecimento. Isso também gerou um atraso recorde na divulgação da grade do PDR, que só saiu para o público na quarta feira anterior ao início da festa.
Como os problemas no passado e com o festival confirmado, seguindo o que fizemos nas edições anteriores, nós do Portal Soterorockpolitano escolhemos um dia da sua programação para marcar presença e trazer as nossas impressões sobre o que aconteceu por lá. Nesta ocasião, optamos pelo primeiro dia e já nele vimos muita coisa! Logo de cara uma mudança temporária na característica do evento: o local...

Por conta das obras de revitalização da orla de Salvador o Coqueiral de Piatã se tornou um local inviável de se fazer a festa, forçando a mudança do PDR para o Jardim de Alah. O lugar é mais próximo de várias localidades da cidade, porém menor do que o espaço original. Mas esse empecilho não atrapalhou as milhares de pessoas presentes de circularem, montarem suas barracas e abrirem suas rodas de pogo. E foi notória a grande quantidade de gente que marcou presença neste primeiro dia. Outro bom aspecto foi o som do palco, que estava excelente, muito bem equalizado e com poucos momentos de falha. O curto intervalo de tempo entre uma banda e outra também chamou a atenção.
Tiveram também aqueles fatos que você só consegue enxergar estando no meio do povo. Tinha gente fazendo o tradicional bate-cabeça-guitar-air, outros degustando uma boa dose de uma bebida de coloração azul (mistério). Houve quem subisse na “tora” no palco entre as apresentações para protestar, como o auto-nomeado “O Terrorista da Mata Escura” (infelizmente esquecemos o seu primeiro nome), que protestou por quase dez minutos contra o sistema, contra o desrespeito a escolha da opção sexual e escolha religiosa. Houve pedido de casamento em cima do palco com um casal empolgadíssimo que parecia querer pular etapas e ir direto para a lua de mel (me lembrou até o Cid Guerreiro, que se casou em cima do trio elétrico há quase trinta e cinco anos atrás). Desejamos felicidades para os dois.
Também teve muito beijo no Palco do Rock esse ano, é claro que roqueiro algum não iria se privar de algo tão bom como isso. Teve beijo de homem com mulher, de mulher com mulher, de homem com homem e até beijo de grupo. A coisa foi boa e é uma das formas de expressar o quanto o lugar estava com um ambiente positivo e próprio para apreciar as atrações com tranquilidade. E, diga-se de passagem, atrações com performances acima da média.
Sem perder o fôlego
 Antes de seguirmos para as apresentações, deixamos aqui as nossas mais humildes e sinceras considerações as bandas Randez Vouxxx, Veuliah, Rhenoda (RN) e Not Names (Catú-BA). Não podemos presenciar seus shows por motivo de força maior e esperamos escrever sobre vocês em outra oportunidade.
As apresentações das bandas foram no mínimo empolgantes. O publico que foi no sábado pôde ver muita vontade e suor vindos dos grupos, que por sua vez dialogava muito bem com a audiência. Isso gerou uma espécie de energia vinda dessa relação publico/banda, que ocorre bastante quando um show acontece em um espaço menor. O tamanho do palco desse ano foi mais baixo, deixando os músicos mais próximos das pessoas, gerando esse fenômeno que é um misto de vibração, velocidade, empolgação e exaltação.
            Chegamos lá um pouco antes do show do Paulinho Oliveira. Ex-guitarrista vindo de uma das primeiras formações do Cascadura (da época em que o Cascadura ainda era doutor), o cantor fez seu rock setentista soar bem no início da noite, com uma banda bem redonda e entrosada e com uma competência adquirida de muito tempo de estrada. Foi um bom show para um numero ainda razoável de pessoas que já se encontravam lá e para os outros tantos que estavam chegando naquele momento. Depois dele subiu ao palco a Human (Serrinha-BA), com um vocalista carismático e com um som mais fincado no heavy metal eles aqueceram o lugar para o que viria depois deles.
            Seguindo a sequencia, a Circo de Marvin fez uma das melhores apresentações da noite. Com direito a participação do Away de Petrópolis (ele mesmo, o do Hermes e Renato) anunciando a entrada do grupo, os rapazes empolgaram a plateia com sua performance explosiva e com sua música fortemente influenciada por sons californianos da década de noventa, fazendo com que rodas de pogo não parassem de surgir.
Tão grande foi a excitação que o único segurança na frente do palco teve muito trabalho para conter aqueles que queriam subir e ficar perto da banda. Muitos durante o show tentaram este feito e conseguiram, então aqui vai uma dica para as próximas escaladas: se você não for subir no palco para dar um mosh seguro, tome cuidado para não se esbarrar e quebrar algum equipamento da banda, não agarre integrante algum do grupo e não tente tocar o seu instrumento, isso pega mal e pode comprometer uma apresentação. Ok? A Circo de Marvin sobreviveu muito bem a isso tudo e conseguiu encerrar a sua apresentação catártica com alto nível.

Depois deles surgiu a Behavior e ela tinha a tarefa árdua de manter o clima do lugar da forma que a sua antecessora deixou. É algo difícil de realizar, mas o conjunto teve competência para conseguir esta façanha despejando todo o seu som death sobre o Jardim de Alah. Nessa apresentação foi formada a maior roda de pogo do dia, foi algo impressionante e hipnotizante de se ver. A banda bem entrosada e com novo integrante em uma das guitarras, alem de já experiente, não deu trégua alguma no seu desempenho e o povo respondia sem perder o fôlego.
A Norfist (Lauro de Freitas-BA) também fez um show empolgado, com o seu frontman frenético e bem comunicativo com a audiência. Há muito tempo que queríamos ver uma apresentação da banda e ainda não havíamos tido a oportunidade. Com exceção do vocalista Zezinho Peixoto, a formação do grupo já não é mais a mesma que gravou o seu mais recente EP, mas nem por isso deixou de ter a pegada apresentada no disco. A canção “Um Facista” foi ponto alto no show, assim como a cover de “Que País é Esse?”, da Legião Urbana.

Foi uma noite divertida e cheia de boas surpresas musicais, saímos de lá contentes até com o fato de rever amigos e amigas que não víamos há tempos, além de perceber que os dias seguintes provavelmente viriam a estar na mesma sintonia.

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