Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)
  • ENTREVISTA

    Aguardem!Voltaremos... Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/rota-alternativa-2015-entrevista-com-a-desrroche/

  • OUÇA DEUS!

    Promover debates e entrevistas sempre com um convidado da cena de rock da Bahia. Uma mesa redonda democrática onde se pode falar dos rumos do rock baiano. Agora na Mutante radio aos domingos. Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/programa-rota-alternativa-22017-com-deus-du/

  • BUK PORÃO!

    Sob o comando de Marcio Punk a casa de shows recebe todas as semanas artistas do cenário local. Venha participar dessa festa.

  • 10 anos de Soterorock!

    Foram mais de 50 programas gravados e mais de 300 resenhas realizadas por nossa equipe. Hoje depois de muitos colaboradores que fizeram parte deste projeto, completamos dez anos nesta jornada Rocker. Léo Cima, Kall Moraes e Sérgio Moraes voltam com o programa Rota Alternativa em 2017 trazendo novidades.

  • VENHA PARA BARDOS BARDOS

    O Endereço: Tv. Basílio de Magalhães, 90 - Rio Vermelho, Salvador - BA

Engrenagens a todo vapor.


No último sábado do dia 25/03, aconteceu o encerramento da temporada de shows que comemorou os vinte anos de estrada da Modus Operandi. Foram quatro datas com a anfitriã convidando bandas interessantes, em noites de performances verdadeiramente intensas e com o público comparecendo de maneira significativa no Buk Porão. O Portal Soterorock foi até o Pelourinho mais uma vez conferir como foi a celebração do Modus Operandi Convida e presenciou o êxtase da explosão musical dos três conjuntos que se apresentaram.

O centro histórico estava bem movimentado. Passando pelo Santo Antônio, uma grande fila de carro se aglomerava próximo ao restaurante que ganhou um concurso televisivo naquele dia e a grande quantidade de gringos sentados pela escadaria da igreja do Carmo chamaram a atenção. Igualmente cheio estava o Buk Porão, amigos e muita cara nova, e interessada por conhecer novos sons, marcaram presença nesta noite que já vinha gerando uma expectativa grande pelo seu significado, e por juntar pela primeira vez as três bandas do lineup no mesmo palco. Enquanto canções de grupos locais saíam das caixas de som, muita conversa sobre música, astrofísica e histórias da cena rocker daqui iam sendo colocadas em dia, calibrando o ambiente para o que estava por vir.

Quem abriu as atividades foi a Game Over Riverside. Sem se apresentar há um pouco mais de três meses, o quinteto preparou um repertório um pouco mais longo do que o habitual para esta ocasião e a mistura desses dois fatos colaborou para o que foi, talvez, uma das melhores performances do grupo desde o retorno do seu hiato. O show começou com uma sequência mais atmosférica e arrastada, com a grungenesca Paper Planes encabeçando o repertório e gerando uma boa resposta do público. Ao passo em que o setlist avançava, o clima ficava mais visceral, com banda e audiência em uma troca empolgante de energia em Radio no Jinkan, com a primeira inquieta no palco e a segunda dançando como podia.

E foi assim até o final, com breves pausas para reverenciar o público significativamente presente e contar curtas histórias engraçadas da própria trajetória, servindo também para pegar um pouco mais de fôlego. Houve ainda a participação especial de Gil Dantas (ex-Mistery e ex-Hardons) dividindo os vocais com Sérgio Moraes na arrasadora I Can’t Hardly Wait e no pedido de bis, na veloz Little Marchioness. Com três guitarras dialogando bem e uma cozinha firme, este foi um aquecimento impactante para o que viria a seguir.

Depois deles, houve uma apresentação surpresa da Funcionaface, trabalho do André Borges, vocalista da Vende-$e. A intervenção artística de verdadeiras poesias diretas, como se fossem mantras, chamou a atenção de quem estava presente na casa e gerou diversas reações de quem o assistiu. Foi interessante ver a execução de O Sono Profundo do Caracol, com André envolto em um saco plástico gritando em plenos pulmões, com firmeza e em alto e bom som “a sua liberdade plastificada”, e ver Uma Teoria Duvidosa ganhando forma novamente. Bem provocativo em fazer pensar!

Sem perder tempo, a Declinium começou o seu show mantendo a mesma vibração das performances anteriores. Com um vasto repertório, no qual o quarteto sempre surpreende com a alternância de músicas entre uma apresentação e outra, há sempre de se esperar ter uma experiência ímpar com os camaçarienses. A sua qualidade sonora impecável e sinceridade artística nunca são deixadas de lado por eles quando estão no tablado. Boa parte do público acompanhava a banda dançando e cantando as letras, como em Marte, onde o coro foi belíssimo e em uníssono.

O grupo passeou por paisagens sonoras diferentes na psicodélica-garageira-sessentista, Dias Ácidos, e no rockão brit Sadness Happiness Confusion, além de ter a participação especial da Suzi Almeida (Invena) nos vocais de Fênix. O encerramento ficou por conta de Calor, que também foi entoada por quase todo mundo que estava presente. Tem algumas músicas da Declinium que emocionam como canções do Siamese Dream, do Smashing Pumpkins, e essa é uma delas. Foi mais uma apresentação memorável dos rapazes.

Encerrando a noite, a anfitriã Modus Operandi fez valer os seus vinte anos de história. O conjunto sempre traz apresentações impressionantes para os ouvidos e para os olhos de quem o assiste, e não foi diferente dessa vez. O bom e caótico turbilhão musical dos aniversariantes passou como um tornado pelo Buk Porão, com a M.O. executando a maioria das canções de todos os seus trabalhos lançados, mesclando músicas que raramente (ou nunca) foram tocadas antes, com outras que aparecem frequentemente em seus shows. Kahlil Gibran com sua levada dançante atiçou muita gente na casa, que se mexeu cada um a sua maneira, seja no lugar ou se espalhando pela pista.

Em vários momentos o baixista Henrique ia para o meio do povo com o seu instrumento para aproveitar a empolgação, enquanto as cascatas de faíscas originadas do atrito da furadeira com a chapa de ferro, da percussão de Marcos, amplificavam o seu impacto musical. Barbárie sempre forte com os sintetizadores e vocais diretos de David, e bateria segura de Deus Du, foi um ótimo momento da apresentação. A performance ainda contou com a participação especial do primeiro baterista do quarteto em uma das músicas e com a banda presenteando com cartas as pessoas que compareceram na festa. Com certeza eles se divertiram bastante e divertiram muita gente!


A aniversariante acertou bastante na escalação dos conjuntos para cada sábado, no cuidado da organização do evento e no zelo pelo equipamento de som oferecido para os shows. Quem saiu de casa para ver a quarta noite do Modus Operandi Convida, mais uma vez pôde ver ótimas apresentações de bandas que se entregaram completamente em cima do palco. Foi assim nesta ocasião e em todas as três datas anteriores, com grupos tocando com vontade e com um público numeroso, atento e receptivo. As engrenagens se movimentaram!

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SUNDAY ROCK - Alagoinhas, Bahia, Brasil. Por Artur W.*


"Sonho que se sonha junto é realidade"
(Raul Seixas)

Idealizado por Artur W (Organoclorados) e Daniel Barbosa (Universo Variante), o SUNDAY ROCK propõe a ocupação de um espaço-tempo alternativo para combater a monotonia das tardes de domingo. Ao reunir música, expressões artísticas diversas e atividades lúdicas, num ambiente de estímulo à criatividade, o evento também objetiva promover o encontro de amigos, artistas, agitadores culturais da cena alternativa e independente.

Sustentáculo do SUNDAY ROCK: não esperar, colaborar, buscar alternativas, agregar cabeças pensantes, planejar e fazer acontecer. Assim o evento nasceu em Alagoinhas, cidade a 120 km de Salvador, capital do estado da Bahia, Brasil.

Voltado para um público altamente diverso e de todas as idades, o SUNDAY ROCK figurou ainda como uma opção de lazer e cultura para as famílias, devido ao seu formato descontraído, preço acessível e horário vespertino.

A primeira edição do SUNDAY ROCK foi realizada em 26/03/2017, no Foyer do Centro de Cultura de Alagoinhas, das 15h às 21h. A produção do evento ficou a cargo da banda Organoclorados, com apoio do próprio Daniel Barbosa, e contou com cenário, estrutura de palco e som, cantina e bar, tudo montado e elaborado com recursos próprios (financeiros, materiais, logísticos, humanos, artísticos e intelectuais). Além do espaço em si, o Centro de Cultura disponibilizou equipe de apoio (portaria, vigilância, limpeza), estacionamento e iluminação de palco.

Foi um final de tarde muito especial, com famílias e crianças circulando e se divertindo à vontade pelo Centro de Cultura. O evento apresentou um varal de poesias, letras de música e pinturas expostas à visitação, num convite à reflexão e à contemplação. Para as crianças (e adultos também, por que não?), cama elástica na área externa. Destaque ainda para a cerveja artesanal produzida na cidade e que foi comercializada com grande sucesso na cantina.

Tudo isso interligado, conectado, pela transversalidade da música, materializada ao vivo pelos shows de alta qualidade e originalidade. As bandas Not Names, Organoclorados, Universo Variante e Eva Karize encantaram o público presente, desfilando suas composições autorais e algumas versões de artistas famosos nacionais e internacionais do Rock e do Reggae.

Segundo os organizadores, a energia positiva do público e o apoio dos amigos e companheiros da cena cultural independente de Alagoinhas e região foi fundamental para o sucesso desta primeira edição. O evento também pretende agregar artistas e público de toda a região circunvizinha, com possibilidade de ser realizado em outras cidades. Como disse Artur W durante a apresentação da Organoclorados, “os sonhadores precisam estar unidos se quiserem vencer as barreiras do convencional”.

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*Artur W é vocalista e guitarrista da Organoclorados, grupo com vinte e seis anos de estrada com um álbum, dois DVDs e um EP lançados. A banda prepara um novo trabalho, prometido ainda para este ano.
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Banda Modus Operandi celebra 20 anos de carreira com muito rock e convidados no Buk Porão. Por Duda Spínola.*


Este ano, o Portal Soterorock passa a ter colaborações de músicos e artistas da cena local para que eles tragam as suas impressões sobre o que acontece aqui no cenário. Testemunhos sobre shows sob a ótica de quem faz o rock acontecer na Bahia. Para começar, o cantor e compositor Duda Spínola nos conta como foi a segunda noite do Modus Operandi Convida.

Em mais uma edição de uma série de shows comemorativos pelos 20 anos de carreira, a banda Modus Operandi convidou, no último sábado (11/03), as bandas Pastel de Miolos e Os Jonsóns.

Primeira atração da noite, Os Jonsóns começaram cedo, por volta das 20:30 já estavam no palco mandando repertório autoral com influências que vão desde o rockabilly até o rock gaúcho. Com letras sarcásticas e irreverentes, Os Jonsóns botaram o público presente pra dançar.

Em seguida, vieram os veteraníssimos da Pastel de Miolos, agora um duo, com repertório autoral de punk rock e hardcore, os caras mandaram uma sequência arrasadora de músicas curtas e verdadeiras “porradas na moleira”. O entrosamento do duo e o desempenho de André PDM tocando baixo e cantando são impressionantes. O show teve direito até a roda de pogo.

Os anfitriões encerraram a noite com repertório que passeou por toda a obra da banda. De convencional a banda Modus Operandi não tem nada. Mandam um pós-punk e industrial com direito a muita faísca nos “equipamentos percussivos”, letras fortes e sonoridade bem sustentada na bateria e baixo.


É muito bom ver uma banda com 20 anos de estrada encontrar forças para celebrar com os amigos e manter a cena ativa. O rock vive!


*Duda Spínola é cantor, compositor e guitarrista, possui uma carreira solo ativa com agenda de shows frequentes, dois EPs lançados e participação em coletâneas.
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Mais vinte anos para a Modus Operandi.*


Vinte anos não são vinte dias! Essa afirmação bastante popular pode ser bem clichê, mas o fato é que ela é verdadeira, possuindo um grande peso e significado muito profundo. Ainda mais quando posta em um contexto no qual um grupo de rock comemora mais uma primavera de atividade na cena roqueira local. A banda Modus Operandi festeja a sua segunda década de existência com o evento Modus Operandi Convida, no qual o quarteto se apresenta com mais dois conjuntos locais, em cada sábado desse mês de março, no Buk Porão Bar e com a proposta de tocar um disco da sua discografia para cada data.

Nesta investida inicial, a noite soteropolitana estava fria. Fria e aparentemente vazia. O caminho até chegar ao local deste primeiro sábado estava estranhamente calmo, considerando que foi um final de semana de pós-carnaval e no qual a cidade ainda costuma se mergulhar na ressaca (festiva!) da agitação de momo. Nem o Pelourinho estava muito além do que se poderia imaginar: muita gente, claro, mas nada fora do normal para o fluxo do centro histórico. E ventava muito também, diga-se de passagem. Mas essas condições atmosféricas e climáticas se findaram quando coloquei os pés dentro do lugar da festa.

O Buk Porão estava aquele bom e verdadeiro inferninho, com uma quantidade considerável de pessoas e um clima excelente para uma noite de rock instigante. Muita gente circulando e papeando sobre tudo o que se pode ser conversado, seja lá sobre bandas, cenário, biologia e religião, novas reflexões sobre a letra de Uma Teoria Duvidosa (Funcionaface) e, inclusive, sobre parentescos revelados. As interações estavam quentes, gelada mesmo só a cerveja que estava sendo vendida. O disco Goo (Sonic Youth) rodava de fundo enquanto várias coisas aconteciam, até a primeira banda tomar a sua formação no palco. A Vende-$e tocou com vontade o seu repertório que vem sendo executado há um bom tempo por aqui. É perceptível o quanto os rapazes tem mostrado mais entrosamento, pude vê-los antes em alguns momentos ao longo do ano passado e é nítido este fato. Mais explosivo e veloz, com o vocalista mais inquieto e letras com um conteúdo social forte, o quarteto fez o seu punk/hard core de maneira direta e objetiva, abrindo bem a noite. Que venha o seu primeiro trabalho!

Depois deles, a Carburados Rock Motor mostrou uma outra vertente do punk rock. Com uma pegada mais trash, bem mais crossover, o trio fez um som pesado, de riffs rápidos e cozinha volumosa. Em parte da apresentação, o vocalista/guitarrista cantou com uma balaclava, um item bem apropriado ao som e aos versos de protesto. Mesmo tocando um pouco mais de tempo do que a primeira banda e com um problema de corda partida no baixo, a performance empolgou, com o baterista fazendo viradas seguras no seu instrumento e o baixista segurando bem a base do som.

Fechando a noite, os anfitriões da Modus Operandi assumiram o espaço e levou quem estava por lá a uma viagem até o seu primeiro disco. O Radio Graphia (2000) foi tocado na íntegra, com músicas que estão com frequência em seus shows e algumas outras que não aparecem há muito tempo, além de ter espaço para um bis com canções do seu próximo lançamento. Com exames de raio-x espalhados pela parede do lugar, o desempenho da MO foi o turbilhão musical que ele costuma ser nas suas aparições: expressivo e caótico, uma música colada na outra, com texturas de teclado, faíscas e pulsação firme de baixo e bateria. Foi bem agitado e muita gente se balançou.


A Modus Operandi começou a sua comemoração muito bem, mostrando fidelidade a sua música em uma noite de bons shows de rock. O público prestigiou o evento e a cada grupo até o final de suas respectivas apresentações, o que foi algo bom de se ver. Ainda há mais três datas para acontecer o Modus Operandi Convida. Se você não foi neste, é só conferir o ótimo lineup no cartaz acima e escolher o seu melhor dia para comparecer. Ou escolher em ir a todos!


*Matéria originalmente publicada em 07/03/2017.
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Singles, uma pequena ótima dose.*


Não, esse texto não é sobre a foto acima (mesmo sendo um filme altamente recomendável). O volume de produção das bandas e artistas baianas de rock é muito maior do que se pode imaginar. Bem maior! Além dos constantes, praticamente diários, shows do gênero na capital (principalmente) e no interior da Bahia, e dos lançamentos de EPs e CDs cheios, ambos com quantidade considerável de faixas, tem acontecido com frequência a disponibilidade de singles feitos pelos grupos locais. São investidas objetivas e interessantes, econômicas até, e que mostram um pouco da música de quem o lança.
Neste ano, até o momento em que escrevo esse texto, um número considerável desse recurso foi lançado por grupos do cenário daqui, mostrando a atividade que o estado vem tendo neste sentido. Os propósitos para a disponibilização dos mesmos são diversos. Seja uma prévia do que virá de um disco a ser lançado, para dar um gostinho aos seus seguidores (que já esperam por algo há algum tempo), para marcar um retorno às atividades ou dar início a sua carreira, ou para preencher o hiato entre um disco e outro, e deixando registrado em estúdio a sua boa fase de shows. Isso e um pouco mais. Dentro desse lado da cena, resolvi trazer para essa resenha alguns deles.
Na metade desse ano a banda Free?Gobar lançou o seu trabalho de estreia com a canção Manipuladores, uma verdadeira porrada influenciada por bandas da década de 1990 que pode fazer muita gente pular ou fazer rodas de pogo, ou as duas coisas ao mesmo tempo sem problema algum. Um bom punch de guitarra e cozinha certeira para os momentos de whiplash. Retornando aos palcos depois de um ano de hiato, a Tentrio lançou há um pouco mais de uma semana a música Antílope. Com nova formação, o trio instrumental manteve os bons riffs de sempre e as surpresas sonoras características do grupo, dando vazão para que cada instrumento aparecesse bem. Texturas fantasmagóricas durante o seu desenvolvimento dão um ar misterioso ao single. Prestes a lançar disco novo, a Bilic disponibilizou dois singles inéditos, um deles foi Bike, que já mostra uma banda diferente em termos de direcionamento musical.
Um pouco mais psicodélica, mas sem se desprender do seu passado, o que é bom e instiga a curiosidade pelo seu próximo lançamento. Esse amadurecimento musical dos rapazes fica mais claro em Pessoa Estranha, mais outra faixa que eles disponibilizaram antes do seu próximo disco, dentro da coletânea NHL Music #2. Esta mostra mais personalidade e mais psicodelismo com bons solos de guitarra. Mais um que vem dando boas prévias do seu próximo trabalho é o Irmão Carlos, nesta semana ele lançou a lyric vídeo de Seu Lugar, faixa com muito groove, balanço e todos os elementos que o compositor consegue conectar. Do rock até a black music, passando pela música popular brasileira, o Irmão Carlos compôs uma verdadeira pedrada com ótimos arranjos e com letra inteligente que te faz dançar e refletir ao mesmo tempo, assim como foi com Engrenagem da Ilusão, lançada um pouco antes, dentro da coletânea produzida pelo próprio. Essas sinalizam coisas boas pela frente.
Considerado uma das grandes apostas do cenário musical baiano, o Giovani Cidreira lançou há poucos meses Vai Chover, composição feita por ele e pelo Paulo Diniz (ex-Weise). O ex-vocalista da Velotroz surge com essa canção singela e bem requintada em termos de sonoridade (mesmo com um toque low-fi), com guitarras desconcertantes e clima atmosférico. Em relação ao ano de 2015, a Cartel Strip Club andou um pouco distante dos palcos ultimamente, porém a banda andou bem ocupada com seus trabalhos dentro do estúdio e lançou Queen of Hearts, boa música de ótimos vocais e pegada indie dos anos 2000 e dos longínquos 1990 e cheia de energia. Mesmo tendo a sua formação reduzida de sete para, oficialmente, três integrantes, pouco foi mudado na qualidade do grupo.
Ainda lançaram a instrumental e um pouco mais psicodélica Autum, também na coletânea NHL Music #2. Como uma das figuras mais importantes do cenário local e tendo influenciado uma boa parte dos artistas em atividade o cantor e compositor Messias (brincando de deus) lançou em agosto Inner Silence (louder than ever version), single com uma bela parede de guitarras, programação e teclado. Ela soa como uma música de transe e consegue levar o ouvinte a lugares diferentes. Boa investida para o seu disco solo que sairá em breve. Ela ainda ganhou uma interessante versão remix, se tornando um pouco mais agitada que a original.
Depois do disco Plongée (2015), a cantora e compositora Nalini Vasconcelos retornou ao estúdio para gravar Falling in Love. Diferente do seu trabalho anterior, que foi mais fincado no folk, ela traz aqui uma composição com mais guitarra, texturas atmosféricas e uma bateria bastante presente, letra com voz doce e sussurrada em inglês e um clima britpop intenso que gruda bem no ouvido. Depois de dois anos do seu disco de estreia, a Van der Vous volta em uma gravação junto ao seu psicodelismo com um single de característica mais low-fi, mas sem perder a sua essência. Poesia Lunática traz uma sensação flutuante, bons efeitos de guitarra e interessante linha de baixo. O volume baixo do vocal não compromete o desempenho da canção, que sacia a vontade de seus seguidores por um novo registro.
Também sem lançar um disco cheio desde 2011 e vindo de um single de 2013, a alagoinhense Universo Variante trouxe Fio de Teseu, composição que mescla um pouco de samba, psicodelismo e rock, tudo isso sem ser datado, com algumas boas estranhices em seus arranjos e texto interessante. É divertida, pode te levantar o astral e a explosão final do ótimo solo de guitarra, mais a guitarra base e o baixo e a bateria firmes convidam o ouvinte a uma nova audição. De Camaçari, a Rivermann deixou registrado neste ano a canção Ninguém é Tão Doce, onde mostra muito bem o amadurecimento da banda ao longo dos anos com uma ótima melodia e letra, isso sem se desprender das boas influências nas guitarras sonicyouthanas dentro do momento noise que a faixa pede. Os feirenses da 32 Dentes também estrearam no cenário este ano com o lançamento de um EP com três faixas. Peleja tem bastante energia e é repleto de riffs que transitam entre o stoner e um pé no hard rock em suas composições (Nada Além do Orgulho e Dolores) e uma balada no final (Xôxa).
Estes foram alguns singles lançados neste ano de 2016 em suas mais diferentes circunstâncias e propósitos. Mas o mais interessante é a importância da movimentação desses artistas solo e grupos dentro do cenário no que se refere o registro dos seus trabalhos e ao bom nível feito de execução nestes exemplos. É também uma maneira eficaz de fomentar a cena local e manter o público interessado neste tipo de música atualizado e familiarizado com o que está acontecendo. Investidas pontuais que acabam por fazer uma grande diferença para o cenário como um todo. E faz mesmo!

Escute os singles clicando aqui:
Irmão Carlos – Seu Lugar: https://www.youtube.com/watch?v=ugu884WJg64
Giovani Cidreira – Vai Chover: https://www.youtube.com/watch?v=one2yqqsv2s
Cartel Strip Club – Queen of Hearts: https://www.youtube.com/watch?v=5AItJsEiHEA
Cartel Strip Club – Autum: https://nhlmsc.bandcamp.com/track/autumn
Messias – Inner Silence (dusseldorf mix): https://messias.bandcamp.com/track/inner-silence-d-sseldorf-mix
Nalini Vasconcelos – Falling in Love: http://www.nalini.com.br/music
Van der Vous – Poesia Lunática: https://www.youtube.com/watch?v=PSMrwyXIBo8
Universo Variante – Fio de Teseu: https://www.youtube.com/watch?v=crw5zxlxq94


*Matéria originalmente publicada em 22/11/2016.
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Ao ponto e adiante.*


Um trabalho como este, lançado neste ano de 2016, não poderia passar despercebido aqui no Portal Soterorock. O disco em questão traz à tona, mais uma vez, o trabalho musical de um artista bastante atuante e presente na cena baiana (seja no palco, ou fora dele), e evidencia a sua qualidade quanto compositor, letrista e músico de primeira linha. Em seu segundo EP, Direto ao Ponto, Duda Spínola traz consigo uma boa quantidade da sua ótima percepção musical e acerta em seu resultado final.

Ao longo das nove faixas do cd, o cantor e compositor diversifica sem atirar para qualquer lado em suas canções, mirando justamente no que vê e, assim, criando uma unidade sólida e consistente dentro do seu universo. Composto por cinco canções inéditas, mais três do seu primeiro trabalho e mais uma lançada recentemente na coletânea Outro Jeito – Da Bahia Para o Mundo, Duda mostra também o quanto é competente dentro do estúdio, uma vez que ao vivo o seu desempenho chama a atenção pela sua técnica apurada junto a sua banda.

O disco abre com Quem é Você, faixa que segue um hard rock suave com refrão grudento e bom solo de guitarra, um aquecimento adequado para Sozinho no Universo, que surge mais vigorosa com guitarra de presença e cozinha idem. Com uma letra um tanto quanto existencial, ou que apenas mostra os dilemas da vida de um indivíduo que pode ser eu ou você, ela é frenética da maneira dela e passa uma certa urgência em seu conjunto. A terceira canção é o blues rock Ele e Ela. Muito bem equilibrada entre estes dois gêneros, ela conta a história de dois amantes que aparentemente não iriam se dar bem, mas que as boas surpresas da vida também acabam conspirando para as pessoas. O seu groove marca bem essa saga. Em Não me Diga Não, um teclado marca uma presença forte na trilha e a conduz a um refrão forte e certeiro. O solo de guitarra nela é poderosíssimo! Palavra é uma balada de mão cheia, com letra inspirada e melodia digna dos bons arranjos que possui. A guitarra com um efeito tremolo na medida certa, riffs apropriados, baixo e bateria com sonoridades que casam perfeitamente com a melodia dão um clima de anoitecer e reflexão ao lado da sua letra. É uma verdadeira pérola!

Espelho, música inclusa na coletânea já citada por aqui e primeira extra do Direto ao Ponto, se adéqua bem ao contexto da obra, muito pelo fato dela ser contemporânea às cinco anteriores. Um pouco mais pesada, ela não foge da sonoridade das que vieram antes dela e mantem a boa sequência das composições. O caminho para o final do disco é feito com mais três faixas bônus, todas extraídas do seu debut e são elas: Ponto Final, A Vida me Chama Lá Fora e A Vida Disse Não. Utilizar canções de discos anteriores em um novo trabalho é um risco que muito artista corre quando o faz. É 50/50 de dar certo ou errado, mas aqui, neste caso, deu muito certo e não comprometeu o desempenho do EP. Spínola soube escolher muito bem as canções bônus que entraram no cd. Mesmo com uma sonoridade um pouco diferente, ambas possuem qualidade e se aproximam muito das canções compostas exclusivamente para este disco.


Direto ao Ponto mostra com muita nitidez o caminho escolhido pelo compositor para seguir em sua carreira. Registro muito bem feito de um artista competente e carismático. Retorno a dizer que no disco e ao vivo ele mostra a sua competência como compositor, cantor e guitarrista, elementos raros de se encontrar em uma pessoa só. A forte influência de BRock em sua música, assim como o southern hard rock e seus companheiros de banda (claro), ajudam ele a moldar a sua identidade musical com muita personalidade. Há um bom caminho a ser trilhado pelo Duda Spínola e esse é um dos pontos significativos da sua trajetória. 


*Matéria originalmente publicada em 19/11/2016.
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Bons rocks, sem maníaco da seringa ou palhaços psicóticos.*


Nas últimas semanas em Salvador, como se não bastasse um maníaco da seringa, a cidade vem tendo que aturar também palhaços psicopatas atacando as pessoas no meio da rua. São palhaços com porretes, facão, facas, alguns só querendo assustar, outros para conseguir seguidores no seu canal do youtube e aqueles só querendo chamar a atenção. De certa forma isso implica no receio das pessoas saírem de suas casas para fazer qualquer coisa, afinal de contas, cada um preza pela sua integridade física, mas sempre tem aqueles que preferem seguir com o seu cotidiano, com seus trabalhos e, inclusive, divertimentos.

Foram nessas condições que aconteceu, na última quinta feira, a terceira edição do Soterorock Sessions, evento periódico do site que leva ao palco três bandas autorais daqui, sempre visando contribuir com a alta frequência de shows na cidade. Muita gente compareceu ao Taverna Music Bar, deixando a casa um verdadeiro inferninho no melhor sentido da palavra dentro do dicionário roqueiro. Papos e risos altos de satisfação em poder estar fazendo aquilo ali ao lado de amigos, da mesma maneira em rever e conhecer pessoas que não se veem há muito tempo, a não ser virtualmente. Alguns dançando ao som de RATM antes das atividades se iniciarem, outros bebendo uma boa cerveja gelada, outros mais enchendo o lugar a medida em que os minutos passavam, em um fluxo frenético pelo corredor do bar, se espalhando pelas mesas e a área do som. Deixando a noite bem quente.

A primeira banda a abrir as atividades foi a Madame Rivera. O quinteto soteropolitano fez um som bem interessante, bem melhor do que a boa demo que ele possui em suas redes sociais. Já havia um bom tempo que intencionava ver a banda ao vivo e essa foi uma boa oportunidade de verificar o seu som. De perto, a sua presença de palco é interessante. Sem precisar de muito espaço, o volume musical que a banda alcançou naquela noite serviu para mexer com muitos que estavam por lá, tanto pelas composições quanto pelas interpretações das mesmas. As guitarras ficaram mais pesadas, os vocais da frontwoman mais expressivos e a cozinha bem entrosada foram fatores que chamaram a atenção e se ampliaram pelo lugar. 24 horas e Invertido foram bons momentos. Ótima e marcante apresentação de abertura. Depois, foi a vez da Game Over Riverside subir ao palco com o seu indie-punk-psicodélico. Há quase dois meses sem se apresentar, os rapazes começaram empolgados com uma sequência de músicas mais rápidas e velozes do seu EP de estreia, sem perder o fôlego e com energia de sobra na dose certa para manter o lugar quente.

Os quatro instrumentos de corda estavam dialogando bem até a metade da apresentação, mas alguns contratempos referentes a equalização do som do palco fizeram com que o grupo abrisse mão da sua terceira guitarra na sequência final da sua performance, mas nada que tirasse a verve dos velhos garotos da cidade baixa naquele momento. Assim como Radio No Jinkan no bloco inicial do repertório, I Can’t Hardly Wait encerrou de maneira explosiva a atuação dos cinco. Encerrando a noite, a Ronco levou o seu blues-stoner-rock para a audiência presente e não deixou as pessoas paradas. Nesta mesma noite, o trio comemorava exatamente um ano de lançamento do seu primeiro EP e trazia consigo um bom entrosamento, que há muito tempo vem sendo notado por quem frequenta a cena local. Ainda havia gente presente para prestigiar o grupo e a sonoridade dos três tomou conta do lugar de maneira volumosa. Teve gente que balançou a cabeça e o pé, e que pensou também. Havia uma boa ligação entre banda e público fazendo com que o seu vocalista/guitarrista fosse tocar algumas vezes em meio a quem se animava com as músicas. A Suicida foi um bom exemplo disso e A Melhor fechou a sua apresentação e o evento mantendo a mesma energia do começo.


Com certeza foi uma noite de rock na capital baiana que valeu a pena ter presenciado. Nela, houve despedida, comemoração, gente comparecendo e até mesmo cura de enxaqueca. É o rock mais uma vez salvando a noite e lavando a alma de muita gente. Só não teve maníaco da seringa e nem palhaço inconveniente, isso não teve mesmo. Ter a oportunidade de compartilhar bons momentos, com boas pessoas tendo o rock como atmosfera é algo que deve ser sempre lembrado e frisado. Não é com regras ou receitas de bolo que isso acontece, não foi diferente dessa vez.


*Matéria originalmente publicada em 01/11/2016.
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Noite quente e reinvenção pertinente.*


Na última terça feira teve mais um jogo da seleção brasileira de futebol pelas eliminatórias da Copa do Mundo e, mais uma vez, teve uma noite quente de rock na capital baiana. É claro que, sem pensar duas vezes, não iria ficar em casa para ver o Brasil contra a Venezuela. Nem se fosse contra uma seleção menos freguesa optaria por assistir o time nacional nesta véspera do feriado no lugar das três bandas daquela noite. Ainda mais com uma oportunidade mais do que interessante de se presenciar dentro da cena local, como foi no evento Quanto Vale o Show? do dia 11/10/16.

A chegada foi no início da noite, bem a tempo de pegar um Rio Vermelho ainda vazio para ver o povo se encontrando aos poucos. E foi bem assim, a presença e comunhão de novos e velhos amigos dessa jornada roqueira baiana foi acontecendo de vez em vez, com cada um somando ideias ao papo em seus ganchos finais a medida em que chegavam, até tudo se transformar em uma grande via de conversas boas e intermináveis, com fluências e risadas. Coisa cada vez mais rara para os dias de hoje, de aplicativos e redes sociais. Com isso o tempo passou rápido e foi chegado o momento de conferir Pastel de Miolos, 32 Dentes a Aborígenes, bandas da região metropolitana (Lauro de Freitas) e interior (Feira de Santana e Alagoinhas) dando as caras mais uma vez em Salvador.

Quem abriu as atividades foi a veterana Pastel de Miolos, que gerava uma expectativa muito grande para este momento por conta da estreia da sua nova formação, como um duo. Na verdade, seria uma reestruturação, perto até de uma reinvenção da dinâmica do seu som em cima do palco. Eu, particularmente, estava muito curioso em saber como a música da banda havia ficado. Lidar com a saída de um integrante importante e de um elemento importante (a guitarra) dentro de uma banda de punk rock com muitos anos de estrada não é uma tarefa das mais fáceis. Deixei de lado todas as referências de grupos que conheço neste formato para vê-los e procurei aproveitar o máximo do momento. E o som deles mudou sem ter mudado. Pode parecer algo complicado, ou sem sentido, para ser interpretado aqui nesse texto. Mas o fato é que o punk rock como antigamente estava lá para muita gente que os segue, ao mesmo tempo em que o baixo e os recursos utilizados nele supriam as necessidades que a falta de um instrumento poderia fazer para a dupla.

A velocidade característica da banda não foi deixada de lado, o André Felipe segurou muito bem os vocais e soube utilizar muito bem o sistema de pedais que usou, provavelmente um bom fruto da sua escola dentro do metal. Como bons exemplos em seu repertório, Ruas e Desobediência Civil se destacaram tendo a mesma energia de outrora e com a nova roupagem que ganhou, não perdeu a agressividade em seus arranjos e ainda botou muita gente para abrir uma roda de pogo. A apresentação foi relativamente rápida, porém muito satisfatória para público e dupla (que falou só o necessário entre as canções), com todos se divertindo e aliviando as tensões. O novo formato da PDM funcionou bem, é claro que uma ou outra coisa ainda será ajustada no decorrer da jornada dessa sua mais nova fase. A experiência de uma apresentação ao vivo e toda a adrenalina envolvida que ela traz, provavelmente, vai deixar esse novo som da Pastel de Miolos ainda mais redondo do que pareceu ser. É uma questão de tempo para potencializar isso.

A casa estava muito cheia quando a banda terminou a sua apresentação. Television era a trilha sonora do ambiente e, caminhado para fora do lugar, já dava para perceber que o Rio Vermelho em si estava muito movimentado, com muito mais gente do que no início da noite. Não demorou muito e a feirense 32 Dentes subiu ao palco para fazer a sua apresentação no evento. Depois de quase se perder na chegada a Salvador, o trio estava empolgado em sua performance, executando bem as suas trilhas mesmo com alguns imprevistos no palco, que foram logo solucionados (o martelo do pedal do bumbo se saltou na primeira música). Problema sanado, o grave do bumbo deu mais impulsão às canções e foi empolgando gradualmente os músicos e a plateia, em alto e bom som, com as texturas de guitarra se encorpado aos espaços do Irish Pub juntamente com bons solos e cozinha entrosada. Em alguns momentos o instrumental se avolumava um pouco mais que o vocal, o forçando a cantar um pouco mais alto, mas isso não foi um problema visto a noite inspirada dos rapazes.

Depois deles, a Aborígenes, da cidade de Alagoinhas, foi até o tablado para fazer seu power-hard-punk-rock veloz para encerrar a noite. Canções do seu novo disco foram executadas naquela noite e, assim como os grupos anteriores, empolgou a si próprio e a quem estava os assistindo. Eles tocaram tudo o que poderiam tocar do seu repertório, sons antigos e novos foram mostrados e muita gente se divertiu ao som dos três. Aliás, diga-se de passagem, não há quem se divirta com os shows de bandas locais e de fora como o pessoal da Modus Operandi. Você pode se divertir melhor ou pior do que eles, mas como eles, não tem igual. Completando a performance, a Aborígenes tocou alguns covers a pedidos de quem os assistia, tendo em Bodies (Sex Pistols) a mais festejada. Tranquilidade e segurança são marcas registradas da música dos três de Alagoinhas e fecharam muito bem uma noite de bom rock.


Na volta para casa, ainda no bairro, percebia-se um movimento quase que agoniante de gente, de muita gente, talvez um número maior que o normal pelas ruas. Pessoas com um olho no celular e outro no interlocutor. Se isso é bom, ou ruim, sinceramente, eu não sei dizer. Houve uma época em que isso não queria dizer muita coisa e de certa forma continua não sendo parâmetro para algo, multidão e nada não mandam mensagem alguma para alguém. Mas o que importa é que a noite com as bandas foi bem acima da média, com veteranos se reinventando, mas mantendo a sua essência e atuantes do cenário do estado se saindo muito bem mais uma vez aqui na capital. Essa foi a verdadeira mensagem.


*Matéria originalmente publicada em 18/10/2016.
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O violão, a lua e o bom cheiro do café.*


Havia muito tempo que não assistia a um show do André L. R. Mendes, muito tempo mesmo. Da minha memória, o último que me recordo de ter visto foi uma apresentação que ele fez ao lado dos seus companheiros de Maria Bacana quando a banda abriu o show Veneno Vivo, da Cássia Eller, na Concha Acústica do TCA no já longínquo ano de 1996. Bem próximo de lá, no Hauss Kafee, vinte anos depois, o compositor fez o show de estreia do seu disco, Todas As Cores, e confesso logo de cara o quanto foi bom ver o músico novamente em cima do palco, empunhando o seu instrumento.

O local escolhido para o lançamento do seu mais recente trabalho foi bem adequado para a proposta do seu som. Um ambiente acolhedor, ao ar livre, diferente dos locais onde acontecem shows de rock por aqui, um café com paredes com um amarelo ouro predominando pelo ambiente, deixando o artista e o público tranquilos. O cheiro do café espalhado pelo lugar tornou árdua a resistência em degustar um cappuccino e um expresso, que foi logo pedido por mim enquanto bons papos iam acontecendo, com mais pessoas chegando e com o clima da cidade ajudando nessa hora (não havia uma nuvem de chuva no céu como na noite anterior). Fez lua!

Às 20:00 horas em ponto, o cantor e compositor André L. R. Mendes subiu ao palco da casa e deu início a algo esperado por muita gente presente por lá. Com o filme Boyhood sendo projetado ao fundo do começo ao fim da sua apresentação, ele começou a sua performance com Naturalmente, uma das canções do disco que lançara naquela noite. De certa maneira surpreendente, a segunda música escolhida foi uma da sua antiga banda, Maria Bacana. Luvas ganhou um belo arranjo no violão, tendo uma introdução veloz, para enfim chegar no seu andamento original desse clássico da cena local. No seu primeiro contato com a audiência de cima do tablado, afirmou que o palco é sua casa, mas que estava longe dela por um tempo e aproveitou a deixa para introduzir a faixa Casas, do seu penúltimo trabalho, Arquipélago. Depois, executou Cine Perfeição, Não Chora, Menina e Naufrágios, sendo fiel a sequência exata delas que se encontra no Todas As Cores e então partiu para As Velhas Ondas, faixa que abre o seu interessante disco Amor Atlântico.

Após este ponto do show, foi chamado ao palco o baterista Thiago Jende (Búfalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes) para fazer uma participação espacial em uma sequência mais veloz do seu repertório e que contou com mais duas músicas do MB, Olhos e Primavera, além de Amsterdã (que versa sobre como o ser humano nunca está plenamente satisfeito com as coisas) e de uma faixa da sua primeira investida solo (Bem-Vindo à Navegação), Pelo Mundo com Você. Já com uma distorção suave presente em seu violão, retomou a sequência com Intimidade e Vida, ambas do seu mais recente trabalho, as ligando com Em Paz do seu debut, que viria a ser a última música da noite, mas que contou com Marcelo Medeiros (baterista da MB) na percussão.

O improviso atestou a química entre os dois e acabou se esticando para mais uma música da Maria Bacana, Por Aí, agora também com o Lelê (baixista) na divisão dos vocais. Tem coisas que o tempo não consegue apagar! Ainda teve bis com Tchau Jornal, música que critica o uso mau tendencioso dos grandes meios de comunicação por aqui, composta em 2011 e ainda muito atual, O Martelo do Tempo, mais uma do seu penúltimo disco (e uma das mais aguardadas) e alguns covers, que serviram para mostrar um pouco das suas influências (teve de Caetano Veloso a Nirvana), com um bom destaque para O Mundo Anda Tão Complicado (Legião Urbana) e um desfecho definitivo com Caroline, do Maria Bacana.


Foi uma apresentação bem interessante do André L. R. Mendes, com um setlist bem montado e organizado de maneira que ele pôde visitar bem a sua já longa carreira solo, sem deixar de contemplar o seu passado musical e suas influências, em um formato acústico ainda pouco explorado por artistas daqui. Acredito que ele deveria fazer mais apresentações. Dava para perceber a intimidade dele com seu instrumento e a maneira como ficou à vontade se apresentando, usando os recursos que escolheu para fazer a sua música e obtendo uma resposta positiva do público a muita canção executada naquela noite. Além do fato das suas composições soarem muito bem de perto! A vontade boa de tocar ao vivo chegou a tirar um pouco do seu sangue, mas nada que o fizesse mal. Muito pelo contrário. Fez bem e marcou uma ótima e diferente noite de rock.


*Matéria originalmente publicada em 14/10/2016.
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Como uma força da natureza.*


Salvador, meio de semana. Uma quinta feira com cara de quase final de semana, um início de noite levemente chuvosa na capital baiana e jogo da seleção brasileira contra a seleção da Bolívia pelas eliminatórias. Então o negócio era ficar em casa, certo? Negativo! A resposta é um não bem redondo, pois na cidade estava por acontecer o evento Noites de Radioca, no qual a aguardada grade da segunda edição do Festival Radioca, que acontece em dezembro, seria anunciada e, que traria como atração musical os sergipanos do The Baggios para esta ocasião. E se engana aquele que pensa que o nome da dupla tem relação com copa do mundo.

Na chegada no Portela Café dava para ver que o lugar estava cheio e fervilhando por uma boa noite de rock. Muita gente curiosa para saber das atrações do evento e arrisco em dizer que a mesma quantidade de pessoas ansiosas para ver a banda de perto novamente por aqui. Na casa, o dj El Cabong mandava temas da nova MPB e do rock baiano e nacional, enquanto algumas pessoas dançavam, bebericavam e conversavam sobre bateria. O papo é bom quando se juntam despretensiosamente quatro a cinco bateristas de uma vez só e eles conversam sobre o melhor instrumento do mundo (os outros também são ótimos, mas nesse momento não tenho como dizer o contrário, ok?!)

Anunciadas as atrações do festival com um vídeo bem criativo, que foram Josyara (BA), Retrofoguetes (BA), Jards Macalé (RJ), Karina Buhr (PE), Giovani Cidreira (BA), Carne Doce (GO), Aláfia (SP) e Dona Onete (PA), a The Baggios subiu ao palco para fazer o show de estreia da turnê do seu excelente e novíssimo álbum, Brutown. Na estrada há bastante tempo e bem calejada de apresentações, o duo sergipano, formado por Júlio Andrade e Gabriel Perninha, começou a sua apresentação acompanhado do tecladista Rafael Ramo com três canções conhecidas do bom público presente (uma delas foi O Azar Me Consome) arrebatando mentes de quem colava próximo ao tablado para vê-los. De cara foi mostrado que os rapazes estavam com vontade de fazer rock, bem à vontade na casa e isso foi percebido por uma audiência atenta e receptiva, que assistiu muito empolgada a sua performance do início ao fim.

Não demorou muito e eles começaram a mostrar as suas novas canções e como elas funcionam ao vivo. Brutown foi uma das primeiras a ser apresentada, assim como Medo, que teve direito a um bom duelo entre a guitarra e o teclado nela. Sangue e Lama com sua letra relacionada as tragédias ocorridas no distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana (MG), e na boate Bataclan (Paris) ganhou uma ótima roupagem ao vivo, com timbre de guitarra bastante fiel ao disco, assim como o som volumoso da bateria. Sem Condição empolgou e Esturra Leão empolgou mais ainda, ganhando uma versão mais esticada com a ajuda da plateia.

O final ficou por conta da versão deles para uma música do Alceu Valença, Vou Danado Pra Catende, com um clima mais psicodélico, porém ainda com energia e mais fôlego. Sendo essa a minha primeira jornada de perto com a banda, foi bom escutar um som encorpado e pesado ganhando mais volume na sua execução, com boa sonoridade e entrosamento. Uma música extremamente bem tocada, empolgante e visceral, tendo no desempenho do grupo alguns momentos de bom diálogo musical improvisado e de um certo mistério quando o chapéu do seu frontman caia sobre os seus olhos. Foi como uma força da natureza!

Terminado o show, o evento retomou o som que saía das pick-ups como acontecia no início da festa. Muita gente foi conferir os rapazes e muita gente continuou na casa para aproveitar como podia o resto da noite, bebendo um pouco mais e conversando um pouco mais, ainda na vibração do momento. Voltei para casa torcendo para que a seleção tivesse perdido o jogo, seria melhor. Mas não, ganhou de goleada. De madrugada teve até relâmpago e trovoada, mas nada mais sonoro do que a The Baggios.


*Matéria originalmente publicada em 09/10/2016.
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