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A cena vai bem, obrigado!*


            Nesta última sexta feira deste agitado mês de julho para a cena, fomos conferir no Taverna Music Bar o som das bandas Ádamas, Búfalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes e Tangente. Chegando com sossego no Rio Vermelho deu tempo para uma caminhada até o Largo da Dinha para conferir o movimento. A obra da prefeitura para revitalizar o local deixou o espaço mais apertado para os seus frequentadores e transeuntes e, obviamente, revirado (como que de cabeça para baixo).

            É muito provável que o local fique bem parecido com a Barra depois da sua reforma, ou seja, a cidade vai ficando aos poucos com cara de shopping center e perdendo as suas peculiaridades características que cada bairro tem dentro de si. Daqui a pouco estaremos em um não-lugar. Enfim! Depois das observações costumeiras o caminho era ir até onde as bandas estavam. O lugar estava com pouca gente, mas o som ja estava preparado para a execução dos grupos.

            Na noite, duas bandas iniciantes marcaram presença. A primeira na fila foi a Ádamas, que tocou um repertório de covers e de musicas autorais. Os jovens mostraram um som groovado, porém um tanto quanto verdes. Depois foi a vez da Bufalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes subir no palco. Com um repertório cada vez mais conhecido, mais bem entrosada e começando a formar um publico mais fiel em seus shows, eles engoliram a noite em uma apresentação bem acima da média e que ganhou novos admiradores da sua música.

            Alternando as canções do seu EP de estréia com algumas versões de pérolas obscuras de artistas do rock nacional, a performance da banda ganhou (sem que perdesse o peso) momentos de intensidade, groove e até mesmo de êxtase, com uma das espectadoras dançando e girando levemente ao som de uma das músicas. Ela girou tanto que até fiquei tonto de só ficar olhando! Ainda rolou biz no final! Atiradores de elite miram no lugar certo! Depois deles foi a vez da iniciante Tangente fazer o seu rock simples e direto, também alternando covers e sons próprios. As músicas próprias dos rapazes continham bons momentos de distorção interessantes, mas se notava uma certa necessidade de amadurecimento do som.

            Frequentemente falo por aqui que não me agrado muito com quantidades grandes de covers em repertórios. De novo: um conjunto toca o que quiser, mas é muito mais interessante, para mim, assistir a um trabalho autoral do que ver um setlist composto por músicas dos outros. Ou o grupo trabalha melhor o cover dentro do show, ou não o faz. A Tangente e a Ádamas são formadas por jovens que terão tempo para amadurecer o som e investir mais as suas energias em composições próprias. Ontem deixaram a desejar nesse aspecto!


            Mas isso também fortaleceu o fato da cena local viver um bom momento de bandas autorais. A BVOE mostrou que é possível fazer sua musica com identidade própria, apostando em sonoridade de qualidade e diálogo fácil com a audiência. Assim como várias bandas têm feito! Foi realmente mais uma prova do crescimento gradual do cenário.


*Matéria originalmente publicada em 18/06/2015

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