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Aquecendo as turbinas.*


Na última sexta teve mais uma noite de rock autoral no The Other Place, lá em Brotas, e o Portal Soterorock foi conferir esse quase warm up do Festival Soterorock, que começa ainda em agosto e em todos os finais de semana de setembro com vinte e seis atrações. Foram três bandas nessa edição da Sextas From Hell, evento cada vez mais presente e consolidado na cena local, sendo que duas delas estão no line up da festa que está por vir.

É sempre bom ir em um som no Other Place. Bom clima, pessoas descontraídas, motos belíssimas e a presença sempre constante de velhos e novos conhecidos da cena, que é sempre ótimo trocar ideias e risos com eles. Mais uma vez a conversa fluiu antes dos shows de maneira espontânea entre as pessoas que estavam lá como em uma boa confraternização. No bar, a cerva artesanal e o hell burguer estavam sendo servidos de maneira atenciosa ao som de bandas diversas que saiam das caixas de som do lugar, mantendo o bom clima do local. Se você ainda não foi lá, vá!

Com pontualidade, o evento teve início com o cantor e compositor Duda Spínola, mais um que eu estava devendo uma presença em seu show e que finalmente pude conferir seu som de perto. Tendo lançado recentemente o seu cd, Direto ao Ponto, o repertório da apresentação foi todo em cima das músicas deste seu trabalho. Ao vivo as canções soaram mais pesadas que no estúdio, mais pegajosas inclusive, com um bom groove e uma boa pegada, tudo isso vindo de uma banda bem ensaiada e bastante entrosada. Duda, além de cantar muito bem, executou ótimos solos de guitarra e a cozinha manteve com segurança as canções, que estavam excelentes. Mostrou de fato que não é um menino certinho e esquentou bem o lugar com qualidade de primeira. Sozinho no Universo e Não me Diga Não foram bons momentos na sua performance.

A segunda a se apresentar foi a Game Over Riverside, que aproveitou o clima do show anterior para manter a casa quente. O conjunto se mostrou à vontade em sua apresentação e entregou bastante energia para a audiência. Mesmo optando por começar com canções de características mais psicodélicas, o punch delas se manteve forte nas passagens mais intensas. O quinteto aproveitou a ocasião para tocar uma música há muito tempo não presente no seu repertório, Paper Plane com sua veia grunge atraiu olhares curiosos e a sequência final com quatro músicas mais pesadas e velozes, encerrou a apresentação dos rapazes de maneira empolgante. Só não precisava tocar novamente a canção da passagem de som. Sadness Online e I Can’t Hardly Wait fez muita gente se balançar. Encerrando a noite, a Motherfucker levou o seu hard rock com pegada Motorhead para o palco. Havia muito tempo que não os via ao vivo e o quarteto mostrou algumas mudanças com relação a seu repertório e sua formação. Com um outro baixista e como seu setlist formado por músicas autorais a banda deu continuidade ao que as atrações anteriores vinham fazendo, mesmo tendo um não tão breve problema na bateria.


As horas avançavam e o que restava era voltar para casa em um longo caminho até a cidade baixa. Mais um pouco de papo sobre ficção científica e sobre coisas estranhas que acontecem renderam mais alguns panos para a manga. Com uma quantidade de gente relativamente boa, o que se viu foi bastante empolgação e vontade em cima do palco, um bom aquecimento mesmo para o iminente Festival Soterorock, uma vez que o Duda Spínola e a G.O.R. estão escalados para ele. Essa foi mais uma boa oportunidade de ver o quanto a cena tem bandas com qualidade e possuidoras de boas performances. Não perca a próxima!


*Matéria originalmente publicada em 10/08/2016.

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