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Cidade baixa em peso e em peso.*


            Mais uma vez o Portal Soterorock foi conferir o que estava acontecendo na cena rocker da capital baiana e rumou para o Rio Vermelho para conferir duas grandes apresentações de bandas da cidade baixa. Em meio aos entulhos da reforma do famoso bairro boêmio, a Game Over Riverside e a Búfalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes não deram trégua alguma aos ouvidos de quem estava na festa.

            O lugar não estava cheio, a obra da prefeitura finalmente chegou do lado oposto da pista e isso de certa forma acabou afastando os frequentadores da casa. A organização do evento e os grupos esperavam  um pouco mais de pessoas por lá, mas mesmo assim, isso não foi um fator desanimador. Na noite, duas bandas em momentos diferentes e especiais em suas respectivas carreiras. A G.O.R.  voltando a dar os seus primeiros passos no cenário rocker local e a BVEAODE se firmando cada vez mais na cena como uma das melhores e mais atuantes bandas daqui.

            Depois do DJ Rodrigo Sputter entreter os presentes com suas pérolas musicais, a Game Over Riverside subiu no palco para a primeira performance da noite. O quinteto fez um show mais descontraído que o anterior, sem a carga tensa que o momento de retorno às atividades levou  ao emocional que cada um deles segurou. O som também estava melhor, fazendo fluir as canções dentro de um repertório ligeiramente mais reduzido. O vocalista se comunicou bem quando pôde com a audiência, puxando sempre em seguida um pouco das curiosas historias das musicas antes de toca-as. O som explosivo de Deep Waters, o punch certeiro e hit atemporal de Little Marchioness e os momentos psicodélicos de Why We Don't Kill Our Pets foram boas passagens ao longo de meia hora de apresentação, que arrancaram reações positivas de quem assistia a performance. I Can't Hardly Wait, deu um final com um pouco de suspense, mais explosão, peso e raiva musical ao show, deixando um gosto de quero mais e preparando o terreno para a próxima banda. Foi uma apresentação interessante, que também contou com o humor estranho e refinado das ruas da cidade baixa, que é característico do conjunto. Foi uma boa junção das duas coisas que funcionou bem.

            Na sequência e encerrando a noite, a BVEAODE fez o seu já conhecido som dentro da casa. Já perdi a conta de quantas vezes falei aqui sobre a dupla, mas sempre há algo novo, um elemento surpresa trazido pelos rapazes em seus shows. A sonoridade pomposa teve um impacto maior naquela noite, era um estrondo sonoro a cada riff de guitarra e a cada virada da bateria. Ouvir o duo bem de perto dos PA's tem seus benefícios, até porque a qualidade dos rapazes no tablado não machuca os ouvidos, foi como se ouvisse um estrondo vindo do céu em um dia de tempestade com trovões. Mulher Kriptonita teve uma apreciação diferenciada por estar na minha cabeça desde de manhã cedo, a versão de Dos Margaritas, do Paralamas do Sucesso, sempre pegando ouvidos mais atentos de surpresa e Chão Pisado e Olhos Virados mais pesadas e encorpadas como nunca, com a segunda ganhando mais profundidade na letra. A empolgação e o peso foram tão intensos que a caixa da bateria furou no meio da apresentação, mas nada comprometedor, muito pelo contrário, assim as coisas no rock também são muito boas. No final, volto a afirmar aqui o que já fiz em outras resenhas: os rapazes conseguiram mais adeptos para o seu crescente exército "búfalos".


            Terminada a noite e com a diversão sendo posta em dia pelos grupos, só restava voltar para casa e recarregar as baterias. O caminho de volta foi tranquilo, mas com espaço para assuntos que foram de BAVI a Esfera de Dyson. Especulação cósmica e gargalhadas também combinam uma com a outra.


*Matéria originalmente publicada em 19/10/2015.

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