Pular para o conteúdo principal

Em ondas calmas.*


            Mais uma primavera chegou para o André L. R. Mendes e com ela mais um disco para contabilizar na sua inspirada carreira solo. Arquipélago é o quinto cd que o ex-integrante do Maria Bacana acaba de lançar e está preenchido por nove canções com as ja conhecidas leveza e sutileza há muito presentes nas composições do cantor.

            De sua geração, André é um dos artistas mais produtivos na cena tendo lançando um disco a cada ano já há meia década, e que faz do seu trabalho algo significativo e cheio de sentido, e não um passatempo introspectivo. Acredito que a sua música também seja um bom passatempo para ele enquanto o mesmo a faz, mas não é algo que ele guarde sob sete chaves, ou que se sabote com ela.

            Novamente produzido por ele mesmo e utilizando os mesmos recursos que o disco anterior (instrumentos orgânicos, programação de bateria e um iPad), Arquipélago consegue se diferenciar do seu antecessor por dar mais destaque para os instrumentos de corda. Em "Leveza", a primeira a ser disponibilizada na web, a similaridade com Surfbudismo (2014) ainda é bem forte, já em "Casa" o novo trabalho começa a se diferenciar já com a inclusão de um ukelele e com uma ótima letra de boas vindas. Em "As Palaveras Andantes" os sintetizadores e as programações voltam de forma discreta, mas as cordas se mantêm no primeiro plano.

            "Passarinho" tem uma bela melodia bem influenciada por composições beatle e "O Martelo do Tempo" guarda algo hispanico nas suas entrelinhas e um solo de guitarra suave que é bom de escutar mais de uma vez. Em "A Hora de Nascer o Amor" e "O Amor Não se Perde" o cd tem a sua passagem mais romantica, sendo a primeira um pouco mais intimista e a segunda possuindo uma boa base de baixo e bateria, e que vai ganhando um climax maior até o seu final, sendo assim um bom potencial radiofonico. O disco se encerra com "Coração Bater", música assobiável que lembra uma canção de ninar e que possui um ótimo e inspirado solo de violão.

            Arquipélago pode agradar aquele que é grego ou que é troiano, que é de direita ou de esquerda, e mostra uma evolução natural nas composições do André L. R. Mendes. A temátia do amor é algo recorrente em seus discos e cai muito bem nos ouvidos das pessoas em tempos de extremismos. Outra caracteristica que não foi deixada de lado aqui é a atmosfera calma das músicas que está presente o tempo todo. É uma boa trilha para um final de tarde ou dias de chuva fina. Para quem procura muita agitação este não é o caminho a ser seguido, mas se preferir seguir pode gostar do que vai ouvir.

Conheça a música de Andre L. R. Mendes: http://www.andremendesmusica.com.br/


*Matéria originalmente publicada em 23/07/2015

Popular Posts

"Carnaval, carnaval, carnaval / Fico tão triste quando chega o carnaval" Por Sérgio Moraes

Com uma sonoridade ímpar desde os idos de 1985, a Banda Organoclorados (Alagoinhas-Bahia), Lançou seu mais recente vídeo “No Carnaval a Gente Esquece”. Você pode ouvir nas plataformas de vídeo espalhadas pela web ou aqui!  O vídeo faz um paralelo visual da vida cotidiana, euforia e desespero se misturando na obscuridade dos dias turbulentos que vivemos. Misturando imagens de alegria (num simples passeio pela calçadão das ruas com a banda) e desilusões diárias (Coquetel Molotov e afins). A sonoridade blues-Rock da canção é bem vinda, pois, a participação especial de Lucas Costa na gaita harmônica abrilhanta ainda mais as imagens e a sonoridade de “No Carnaval a Gente Esquece”. Veja e tire suas próprias conclusões deste belo vídeo, letra e composição dos cinco caras!   Organoclorados é: Alan Gustavo - guitarra; André G - baixo; Artur W - guitarra e voz; Joir Rocha - bateria; Roger Silva - teclados. Título: Trecho da letra de Luiz Melodia “Quando o Carnaval Cheg

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Resenha: Revista Ozadia, número zero.

Sou um apreciador recente de quadrinhos, e já há algum tempo venho acompanhando o que vem sendo feito de bom neste ramo e fico salivando por novidades dos meus autores preferidos. Ao mesmo tempo que, assim como no rock, é muito bom saber que há uma movimentação local na produção de HQ’s e que essas produções saem de mãos talentosas e possuidoras de uma liberdade criativa que se iguala à música que aprecio. A mais recente novidade é a edição de número zero da revista Ozadia, que é uma compilação de cinco histórias eróticas escritas pelas mãos de sete quadrinistas e roteiristas daqui da Bahia. Lançada com o apoio do selo Quadro a Quadro e ganhando popularidade a cada dia que passa, a revista tem dois aspectos importantes para ser lida mais de uma vez: uma ótima fluência no seu texto e traços inspiradíssimos de seus desenhos. De Ricardo Cidade e Alex Lins, “Especimen” abre a Ozadia com uma ótima ficção cientifica pornográfica, onde a heroína sai em busca de coleta de amostras de um