Pular para o conteúdo principal

Festa, suor, cerveja e celebração.*


            A última sexta tambem foi dia de rock e novamente o Portal Soterorock saiu de onde estava para conferir o que estava acontecendo na cidade. A noite era de festa, pois seria o lançamento oficial do disco de estréia dos soteropolitanos da Teenage Buzz. O lugar desta vez foi o Pelourinho e mais três grupos formavam o lineup do evento. De fato tinha muita banda prometida para quem queria escutar bons sons.

            A chegada no Pelô foi ainda com o dia claro. Muita gente circulando saindo dos seus trabalhos e outras se dirigindo para o centro histórico para aliviar as tensões. Gosto de ir para eventos lá, mas é evidente que não se tem feito muita coisa para cuidar dele. O movimento era grande e o policiamento estava presente, porém é notável o descuido com lugar que, além de tudo, é pouco aproveitado culturalmente. Tem cultura lá? Tem, e muita. Mas poderia ter muito mais.

            Depois de mais uma vez ter sido confundido com um gringo e de uma rodada de um apimentado abará era hora de ir para o Largo Tereza Batista conferir as apresentações dos conjuntos. Quem abriu as atividades foi a Bilic Roll, uma das duas bandas do evento que ainda não tínhamos visto ao vivo. Mesmo com seu rock básico e direto e com bons solos de guitarra o trio mostrou uma necessidade de um entrosamento maior. Talvez eles não tenham percebido, mas pouco se entendia o que o seu vocalista cantava por conta do som da sua voz sair embolada nos PA's. Piorou um pouco mais quando ele pediu para aumentar o reverb e quando dava gritos. Fora isso foi divertido. Depois foi a vez da Cartel Strip Club subir ao palco e se sair muito bem. Pouco eu sabia sobre eles (e ela), inclusive sobre o fato de ser um septeto! Boas composições e inglês, energia de sobra e referências de bandas noventistas e da primeira década deste século chamaram a atenção de quem estava lá. Tinha um bom tempo que não percebia essas referências musicais em uma banda mais jovem e eles processaram bem as informações.

            Seguindo a sequência, foi a vez dos donos da festa apresentarem o seu britpop com dendê e finalmente pude ver uma performance da Teenage Buzz sem que eles tivessem algum tipo de problema no palco. O lançamento do recentíssimo Generation Dreams ocorreu com um som melhor no momento do show deles e as músicas estão mais redondas e seguras. Tudo correu bem e a resposta de quem assistia foi positiva. O setlist empolgante nem precisava dos covers do Supergrass e do Blur que a banda incluiu, mas isso também foi bom. Foi uma ótima celebração. Encerrando a noite Os Jonsóns se apresentaram com a animação já conhecida em seus shows. Nessa semana eles tiveram parte dos instrumentos roubados, mas nem isso tirou o gás dos rapazes em cima do palco. Também havia uma expectativa sobre a apresentação por conta disso, mas eles não deixaram barato e a performance foi ganhando força a cada música. Deu tempo de tocar velhas e novas canções e botar um monte de gente para dançar.

            Digo "deu tempo" porque em Bang Bang Urbano, ao chamar o vocalista da Bilic Roll para fazer uma participação especial na música, quase todos os integrantes das bandas anteriores resolveram subir no palco também. No momento que isso aconteceu já dava para perceber que alguma coisa poderia dar errado lá em cima. E deu! Tinha gente cantando o refrão na hora onde não era para cantar e alguém se esbarrou no set do baixista fazendo o baixo parar de funcionar por um bom tempo. Com aquela agitação, o técnico de som pensou que fosse o final da apresentação e cortou o som do palco no final da música, terminando o show antes da hora. Fim!

            Então, aqui vai uma dica importante: só suba no palco durante a apresentação de uma banda se você for chamado! Caso contrário, não faça isso, não se meta, pois você pode estragar o show de alguém. Ainda mais sendo um show muito bom como este que estava sendo o d'Os Jonsóns. Acredito que para a banda deve ter sido um grande balde de água fria, frustra bastante terminar um show assim. Eu entendo que é muito bom festejar e celebrar com as bandas amigas momentos como esse de festa, mas isso também tem limite.


            Terminadas as apresentações tínhamos que seguir. Para onde ir? Casa? Rio Vermelho? Continuar no Pelourinho? Sim, continuar no nosso Pelô, onde ainda deu tempo para circular, sentar em uma mesa e botar os vários papos em dia. Não é sempre que se consegue reunir boa parte dos amigos para ouvir boa música e prosear. Lá ainda é bom para se fazer isso.


*Matéria originalmente publicada em 25/08/2015.

Popular Posts

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Como na profundidade do cosmo. Por Leonardo cima.

Bem no começo desse ano, em janeiro, antes de toda essa agonia que nos encontramos, de pandemia e quarentena, a banda soteropolitana Vernal lançou o seu mais recente trabalho, Epicteto. Essa ressalva inicial do período desse lançamento se faz presente pelo fato de trazer uma recordação recente, de se botar na praça algo novo e poder circular livremente por aí pelas gigs e se esbarrar com os seus autores em um palco tocando as suas canções. Digo isso de maneira geral, até. As produções da cena continuaram e continuam em meio a quarentena, mas esse sabor de presenciar as coisas de perto já começa a pesar, de certa maneira, e visitar esse disco da Vernal também é visitar esse período de cerca de dois meses e meio, ou três (quase!), de liberdade sem restrições que ainda gozávamos. Olhando mais para dentro desse momento, o trio estava vivendo uma boa projeção na cena, com boa frequência de shows e aparição em canais de comunicação alternativa, alguns deles em seus passos iniciai

Sexto guia de singles de bandas baianas. Por Leonardo Cima.

Mais uma vez o Portal SoteroRock traz a sua lista de singles de bandas e artistas baianos, lançados ao longo desse período pandêmico no qual nos encontramos neste 2020. Para essa ocasião, a diversidade ainda marca uma forte presença nessa seleta. Rock, pop, metal, eletrônico, folk e o grande leque que se abre a partir desses gêneros vão aparecer para você aqui enquanto faz a sua leitura. Então, abra a sua mente, saiba um pouco sobre cada um dos trabalhos citados aqui, siga cada um nas redes sociais (se possível, é claro!) e, óbvio, escute as canções!! Se você acha que faltou algum artista/banda aqui nessa matéria, mande uma mensagem inbox pelo nosso perfil do Instagram, que iremos escutar! Midorii Kido - Sou o que Sou Para quem acha que o rock já se esgotou em termos de abraçar minorias e até mesmo acredita que é conservador, este primeiro single da drag queen Midorii Kido é um tapa na face daqueles que professam dessa maneira contra o gênero. Sou o que Sou é um rock forte,