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Noite quente, bandas inspiradas e a diversidade do rock na Bahia.*


A última sexta feira, dia dezenove de agosto, teve um gosto diferente e muito especial para o Portal Soterorock. Nesta data, em parceria com nada mais e nada menos do que vinte e seis bandas, foi finalmente dado um passo adiante há muito tempo desejado por este site, que é o empenho de dar um suporte a cena autoral roqueira do estado além das postagens feitas por aqui. Já havíamos feito ações menores nesse sentido com as edições do Soterorock Sessions, mas agora, com o apoio desses vinte e seis grupos que se mobilizaram para fazer a coisa acontecer, o Festival Soterorock surge para proporcionar às bandas iniciantes e veteranas sempre uma nova oportunidade de mostrarem os seus trabalhos de maneira mais abrangente e que contribua para a frequência de shows desse gênero por aqui. Com essa data, serão sete dias de festa, que passarão por três casas (Taverna Music Bar, The Other Place e Buk Porão), ao longo do mês de setembro.

O público também ganha muito com isso, pois este é um verdadeiro prato cheio para quem quer ouvir um som novo, ou prestigiar aquela banda que gosta ou até acabar com aquele débito de que está devendo uma presença em uma apresentação de um grupo, que por um motivo ou por outro não pôde comparecer em algum momento. Essa é a hora! Uma grande hora! E logo no primeiro dia de festival foi mostrada muito bem uma característica forte do evento e da cena em si: a sua diversidade dentro das vertentes do rock e o misto de bandas novas e mais velhas em comunhão. De todos os conjuntos participantes, nenhum deles consegue ser igual ao outro, mesmo se quisessem, demonstrando a riqueza criativa do rock na Bahia e de como isso pode ajudar a deixar a atmosfera do evento mais disposta ao entrosamento entre os artistas e plateia.

Pude chegar ao local antes dele ser aberto, vi cada pessoa que encheu o Taverna Music Bar aparecer por lá aos poucos e começar a interagir um com o outro, como se estivessem contentes em uma celebração. Mas era uma celebração de fato! Ver os amigos, dar risada, trocar ideias, bater algumas fotos para registrar bons momentos, bebericar uma boa cerveja gelada, mais risadas, megafone para anunciar as atrações e a tensão boa que se tem quando se espera que o som comece logo a sair dos PAs moldaram a atmosfera do lugar até que a casa ficou significativamente cheia para presenciar o lineup que estava por vir. O público compareceu e testemunhou apresentações, no mínimo empolgantes.

Quem abriu a festa foi Os Jonsóns (por coincidência ela fez parte da primeira resenha de shows aqui do site, há três anos atrás). Acredito que não haveria banda melhor para iniciar a noite. Não a via desde o final do ano passado e o grupo ainda manda muito bem em cima do palco, mais calejada e com uma formação mudada para essa apresentação. O seu som dançante levou muita gente a se mexer e esquentou a casa para o que estava por vir pela frente. A presença de Ariel Ricci (Bilic) no trompete foi muito boa, mostrando uma face musical que ainda não conhecia nele. Cafeína, Dia Triste e a sempre presente Lugar do Caralho (Júpiter Maçã) foram passagens interessantes na apresentação, que também foi suada e calorenta. Só foi um pouco mais rápida que o normal. Depois dos rapazes, foi a vez da Jato Invisível que veio direto de Lauro de Freitas para fazer o seu punk rock cheio de personalidade. Na performance, a banda tocou músicas do seu primeiro trabalho e canções que estão por vir em breve em seu novo disco prometido ainda para esse ano.

O quarteto está cada vez mais coeso, tirando um som firme, chamando a atenção, inclusive, nas versões de outras bandas, como foi no caso de Estilhaços (Rivermann), que ficou bem interessante. Remédio foi outro bom momento quando Shinna Voxzelicks (Pancreas) e Anderson L. (Os Tios) foram convidados para dividir os vocais nela. A Jato Invisível manteve o lugar quente, não tenha dúvida. Depois, foi a vez da Invena se apresentar. Havia muito tempo desde que a banda fez o seu último show e isso criou uma certa expectativa para esse momento, uma expectativa dentro e fora da banda.O grupo passou por reformulações significativas em sua formação e o resultado agradou muito a quem assistiu a sua performance.

Com um som mais fincado no pop rock, o quinteto tocou um repertório composto em sua maioria por músicas próprias (bem diferente de outrora) que estarão no seu próximo trabalho, soube usar versões a favor da sua proposta musical e indicou um caminho com mais personalidade em seu som. É para frente que se anda e é assim que se empolga todo mundo. Encerrando a noite a Game Over Riverside vez uma apresentação à altura dos grupos anteriores, foi no mínimo uma apresentação visceral, talvez até animalesca. Mais uma vez as três guitarras entraram em cena e se encaixaram muito bem na performance, que foi tomando proporções ensandecidas até o seu ápice final com a dobradinha Little Marchioness e I Can’t Hardly Wat, mas antes passando por God in a Talk Show. Mais canções que estarão no próximo disco ganharam um pouco mais de espaço dessa vez e é um aperitivo do que estar por vir. Foi um fechamento no nível de uma noite que não poderia deixar de acontecer da maneira que foi: inspirada e inspiradora para as próximas datas do festival.


Foi realmente diferente e especial, shows que lavaram a alma de muita gente que estava por lá, acontecendo da melhor maneira possível e proporcionando bons momentos para quem fez parte dessa data inicial do Festival Soterorock. Público se divertiu, bandas se divertiram e venderam os seus produtos e todos já estão na espera pela próxima data do evento que acontecerá no dia 02/09 no The Other Place, lá em Brotas. Esse foi só o início, o start foi dado e agora é continuar aproveitando o que as bandas e o festival tem a oferecer. Não deixe de fazer parte disso.


*Matéria originalmente publicada em 26/08/2016.

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