Pular para o conteúdo principal

O Rancho de la Luna é aqui.*


            Existe um "Rancho de la Luna" aqui na Bahia e ele fica em Feira de Santana ou em seus arredores. Para quem não sabe, o Rancho de la Luna é um estúdio (e um rancho, inclusive) que fica em um deserto dentro de uma cidade próxima a Los Angeles, Joshua Tree. Grupos stoners como Kyuss e Queens of the Stone Age passaram por lá e gravaram discos que influenciaram bandas no mundo inteiro. Inclusive por aqui!

            Essa resenha não trata sobre um estúdio e sim sobre o trabalho de um conjunto que parece respirar e assimilar bem a atmosfera dos discos que foram gravados por lá. A banda é a Novelta, e o trabalho é o seu EP de estréia, Quintais Abertos. Antes de ser lançado no primeiro semestre desse ano, os feirenses foram disponibilizando aos poucos na web parte da obra, juntando ao fim seis canções do mais bom stoner rock.

             A referência é explicita e bem processada, sem deixar de lado as influências regionais. O cd começa pisando fundo no pedal do acelerador com Santa Poeira, um stoner de raiz levantando a poeira do caminho e dando o sinal para o ouvinte do que ele terá como experiencia dalí para frente. Santos Populares segue segurando a vibração da sua antecessora com uma boa linha de baixo e com uma pegada mais dançante. Depois aparece Ancorado, um dos melhores momentos do disco. Um épico de seis minutos e doze segundos onde a Novelta traz boa letra, backing vocals pegajosos e um ótimo solo de guitarra no fim, soando como algo bom saído da Desert Sessions. Na sequência, Êxodo traz consigo um pouco de melancolia e retoma a velocidade inicial e segue sem perder seu fôlego até atingir Beira de São Francisco, música de riffs grudentos e texto sobre um cotidiano duro. O EP encerra muito bem com Um Espelho. Trilha forte no disco assim como nos shows da banda, a derradeira faixa começa intensa e encontra seu ápice no bom refrão, e as claphands se ajeitaram bem durante o solo "hommeniano".

            A Novelta e o seu Quintais Abertos não formam um som genérico do stoner rock, eles não utilizam referências vagas de um estilo roqueiro consagrado e firme na cena musical mundial. A sonoridade da gravação e os seus arranjos atestam isso. Há muito mais do que as bandas citadas no inicio desse texto no som dos rapazes. Se você gosta de uma musica de beira de estrada, ou de cair na estrada, essa é uma boa pedida para os ouvidos. Feira de Santana e interior mais uma vez mostrando que tem muito rock de verdade.

Acesse o site da banda:

Vídeo da música Êxodo:



*Matéria originalmente publicada em 02/09/2015.

Popular Posts

O melhor do que eu não escrevi no Portal Soterorock em 2018. Por Leo Cima.

Neste ano de 2018 o Portal Soterorock resolveu tirar alguns dias de folga. Algo próximo a trezentos e sessenta e cinco dias, quase um ano, é verdade. Porém, é fato que, depois de dez anos cobrindo a cena roqueira local, com textos ou podcasts, sem incentivo financeiro algum, o site decidiu que seria o momento certo para dar um tempinho nas atividades daqui, para priorizar e atender a outras demandas não menos importantes. Mas, mesmo distante das publicações, nos mantivemos atentos ao movimento do cenário, observando quem se manteve atuante, seja em estúdio, ou nos palcos.
Muita coisa aconteceu este ano na cena rocker da Bahia, desde discos lançados até uma boa frequência regular de shows na capital baiana, mesmo com um número cada vez menor de casas que recebe o gênero por aqui. E é esse segundo item que ganhará destaque aqui nesta matéria, em uma outra oportunidade falarei sobres os lançamentos baianos de 2018, vamos com calma. O fato é que, fazendo visitas a eventos, seja como um pag…

“As Dez Caras do Rock Baiano” com Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute)

Chegando ao final da sua primeira fase, a série “As Dez Caras do Rock Baiano” traz em sua quinta entrevista uma das grandes personalidades já presente na cena local há muitos anos: o vocalista da The Honkers, Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute, como preferir). Nessa conversa, que foi uma das mais longas e intrigantes dessa série e realizada na época da volta da banda aos palcos soteropolitanos, Rodrigo falou sobre o que chama a sua atenção no cenário, o cuidado que um artista têm que tomar com a sua própria arte, como a quantidade de informação influencia no jeito raso de ser do novo roqueiro e sobre as intenções para o futuro da The Honkers, além de se mostrar como um autor de livros de auto ajuda em potencial. Você já sabe, se ajeite com firmeza na cadeira e embarque nessa entrevista dessa grande figura do rock da Bahia. 
SRP - Como foi ficar um ano longe da The Honkers? 

Rodrigo Chagas - Zorra... Normal, hehe. Cansei na sétima música. 

SRP – O que achou do retorno da The Honkers aos pa…

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…