Pular para o conteúdo principal

O rock na Bahia é uma labuta pesada!*


Recentemente, a banda Jardim do Silencio lançou na web o seu mais novo EP com três músicas, Carmim. Este compacto é uma amostra do seu próximo disco cheio, Aurora/Depassé, que tem o seu lançamento previsto para o final deste ano. A ideia de lançar um "arauto musical" é interessante, ainda mais que houve uma produção competente e de alta qualidade sobre a obra e sua divulgação.

As imagens da belíssima capa e contra capa foram tiradas no abandonado Cine Teatro Jandaia, assim como a gravação do vídeo clipe de uma das canções. Aliás, o disco todo é dedicado a este lugar que é até mesmo difícil de acreditar que já existiu (existe!) aqui na capital baiana e que o qual a banda aderiu ao movimento Salve o Cine Jandaia, movimento esse que visa tombar e revitalizar o espaço. O grupo ainda sugeriu para aqueles que fossem baixar as músicas, uma forma diferente de remuneração pelo single: você daria uma contribuição voluntária, pagaria o quanto quisesse no download (entre nada e R$20,00), ajudaria a financiar os custos do próximo cd e teria direito a um desconto proporcional no disco que chegará ao fim de 2015.

Mas, mesmo abraçando uma causa nobre em prol da nossa cultura e estimulando uma forma diferente e interessante de fazer alguem investir em seu trabalho, o rock não deixou de ser uma labuta pesada para o conjunto aqui em terras baianas. Eles obtiveram uma resposta quase nula sobre as contribuições, o que comprometeu o andamento das sessões do Aurora/Depassé. Ao mesmo tempo isso não desestimulou o trio que já concluiu as suas gravações junto ao músico/produtor Andre Araujo.

Também contando com o produtor, Carmim traz uma sonoridade acima da média e remete ao som de bandas como Sister of Mercy, Bauhaus, The Cure e Depeche Mode em seus primeiros trabalhos. A faixa título abre bem o disco transmitindo um clima soturno de sombras, com o teclado e sintetizador sobresaindo bastante. Foi justamente essa a escolhida para ganhar o video clipe no Cine Teatro Jandaia. A atmosfera criada na canção casa muito bem com as imagens captadas no lugar, fazendo a imaginação ir longe. "Aurora" é uma bela canção, com guitarra e violão dialogando bem e mantendo a estética sonora do trabalho. O cd encerra com "O Sétimo Dia" que é um pouco mais agitada que as demais, porém mais carregada na temática do EP onde se pode escutar nas letras versos como "imerso na noite fria/passo minhas horas sem sono/cercado em companhia/das sombras de um outono eterno".

Carmim não é um EP ensolarado e nem de longe se dispõe a isso. A noite, as sombras e a melancolia permeiam os onze minutos da obra e, provavelmente, esse aspecto se estenda no próximo álbum cheio. Para quem gosta desta linha de som é um bom aperitivo do que virá. Para quem ainda não conhece é uma boa oportunidade para apreciar essa vertente do cenário rocker baiano, que trabalha bastante e se mantém forte a cada passo.

Conheça o som da Jardim do Silêncio

Vídeo da musica Carmim


*Matéria originalmente publicada em 13/06/2015

Popular Posts

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…

Todo dia é dia de rock. Por Leo Cima.

Aconteceu, no final de semana em que se celebrou o dia mundial do rock, o festival Rock Concha 2019. Evento que, neste ano, comemorou trinta anos da sua primeira edição. Houve um hiato de um pouco mais de vinte anos nas suas atividades, porém, há quase uma década, a festa vem acontecendo de maneira assídua a cada ano e já pode ser considerada como certa no calendário cultural da cidade.
Para esta ocasião, a produção do evento apostou em um lineup que propôs fugir de repetir nomes escalados nos anos anteriores, se mantendo atrativo neste sentido e oferecendo ao seu público bandas relevantes na cena nacional e local, com algumas delas há bastante tempo sem vir à Salvador, outras lançando trabalho novo, ou comemorando décadas de estrada. A falta de roadies durante algumas apresentações foi percebida em dois momentos, nos shows da Drearylands e da Alquímea, mas nada que comprometesse o desempenho de ambas no palco!
No sábado, quem abriu o evento foi a Drearylands. Comemorando vinte anos …

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 
SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado?  Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...