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O ronco é de algum som, só não é o do sono.*


Fuzz, fuzz, fuzz e mais fuzz. Um sonho de fuzz, talvez até uma terra cheia desse efeito que cai tão bem nos ouvidos de quem escuta um bom rock’n roll com a mão avassaladora do stoner. Melhor ainda quando se tem isso na medida certa, na dose que se deve utilizar dentro das timbragens da guitarra e do quanto um riff vai pedir. É por esse caminho que a banda baiana Ronco faz a sua estreia em o seu EP homônimo.

Banda relativamente nova na cena, a Ronco fez a sua primeira aparição no Vandex TV, web programa que apresenta sempre um grupo do estado com performances ao vivo e com entrevistas entre uma música e outra. A partir dali o conjunto passou a se apresentar com uma boa regularidade, tanto na capital quanto no interior, e tem obtido um bom retorno em seus shows. Esse seu primeiro trabalho traz cinco faixas dentro da vertente stoner, com algumas boas nuances do estilo, porém, não tão somente preso a esse gênero, deixando espaço em sua música para arranjos mais setentistas.

Com quase vinte minutos de som, o debut do trio formado por Thiago Guimarães (vocal/guitarra), Turan Dias (baixo/vocais) e Bispo Filho (bateria/vocais) começa com Cidade dos Sonhos, canção introduzida por uma distorção fuzz em fade in de boas-vindas para depois entrar com um peso arrastado e uma letra que fala de uma certa cidade dos sonhos, onde o personagem da história é guiado pelas curvas de uma mulher irresistível e de aroma sedutor, onde a diversão não tem pressa de passar. O baixo grave e o bumbo de pedal duplo, ambos lembrando em alguns momentos algo do Them Croocked Vultures, fazem também uma boa base no bom solo de guitarra no final da faixa. Fêmea Fatal surge um pouco mais alegre, com riffs que lembram o QOTSA na fase Lullabies to Paralyse e com o trecho do solo se destacando dentro dela.

A terceira música se inicia com uma marcha surreal e uma passagem de guitarra dedilhada ao fundo que amarra bem esse surrealismo, Prozac traz uns sussurros e notas alongadas de guitarra que aparecem de surpresa deixando o clima mais viajante. A Suicida tem boas linhas de baixo, um meio de canção com texturas psicodélicas que acabam caindo para uma inesperada levada dançante, bem distinta do restante do disco. Pra Voar encerra o EP com uma faixa de roupagem acústica, sendo essa uma das mais interessantes da obra, muito pelo fato de se propor ser diferente dentro do tipo de som que rolou antes de chegar nela. Violão, slide guitar e bandolim levantam bem o voo neste último momento do compacto.

A Ronco fez uma boa estreia e mostra que é mais uma interessante banda de stoner rock aqui da Bahia, um gênero muito popular aqui por essas terras e que ainda não tem tantos adeptos o executando, isso em relação ao número dos seus admiradores. O disco em si foi bem gravado, com o grave bem presente nos instrumentos e com uma voz diferente, sem soar parecida com algo que já seja conhecido por aí. Isso é um aspecto bom e interessante, pois nada melhor do que dar uma identidade própria dentro de um estilo conhecido como esse. Há também os aspectos setentistas do grupo, onde se pode perceber um pouco de The Clash e de Led Zeppelin em certas passagens, e um pouco mais das bandas que citei logo mais acima no texto durante todo o EP. Um barulho bom (com bastante fuzz) é sempre bem recebido e, neste caso, um barulho que não vem do sono.

Links:

Conheça o som da Ronco aqui: https://soundcloud.com/roncorock



*Matéria originalmente publicada em 26/01/2016.

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