Pular para o conteúdo principal

Para começar a semana no pique.*


            Até quase um ano atrás não era comum ter shows de rock aqui na cidade no início da semana. Não era! Organizado pelo Rogerio Bigbross, de agosto passado para cá, acontece todas as terças no Dubliners Irish Pub o evento gratuito Quanto Vale o Show?, onde duas bandas se apresentam para um público que decide o quanto deve pagar pelas apresentações que assistiram.

            Nesta última terça feira houve mais uma edição e fomos conferir as bandas Tentrio e Subaquático. As ruas estavam no seu ritmo normal de um começo de semana, sem aquela sensação fervilhante que costuma envolver a cidade quando vai chegando cada vez mais próximo da sexta. Obras atrapalhando o transito, pessoas saindo do trabalho para tentar chegar em suas casas e para tentar chegar a tempo de ver os shows do início.

            Chegando no lugar a Subaquatico ja havia começado a tocar a sua primeira música e, pela metade da canção que consegui presenciar, ja dava para sentir o que a noite proporcionaria. Formada por integrantes com passagens em bandas como a que acompanhou o espetácuo Ovo, do Cirque du Solei (sim, aquele circo canadense famoso), Catapulta e Sangria, e com o repertório quase todo instrumental, o grupo tocou um setlist sincopado e preciso, com um virtuosismo de encher os olhos de quem se dispôs a sair de casa naquela noite. O som do palco estava bom, o que ajudou mais ainda na performance que contou só com duas ou três canções cantadas, como "Capas de Celular" e uma versão de "Prioridades", do BNegão. Esse foi um dos shows de um retorno discreto do grupo à cena da cidade e o público gostou, pediu bis e ganhou.

            Depois foi a vez da Tentrio subir ao palco e tocar seu repertório instrumental encorpado. Retornando ao cenário depois de um ano parado, com os seus integrantes tocando projetos musicais paralelos, o conjunto também fez um excelente show com um setlist ja conhecido por aqueles que os acompanham. O tempo sem se apresentar não enferrujou a banda, que realizou bons momentos como em "Duna" e como na inspirada sequencia final com "Cachalote" e "Bureau". O som do palco se manteve bom na apresentação do trio, principalmente o da bateria, que estava com uma ótima sonoridade. Um dos bons aspectos de assitir uma banda como a Tentrio é que os seus trabalhos paralelos não se misturam ao som da banda de forma exagerada. Você pode notar o estilo de cada instrumentista, porém cada um deles executa seu instrumento de a cordo com o que a proposta do seu som pede.


            Com a sensação de que as apresentações foram curtas, a noite foi terminando rapidamente mesmo com o público se mantendo no local para papear e beber um pouco mais. O número de pessoas que compareceram foi bom, não lotou a casa, mas pôde ter deixado inveja em qualquer sexta feira ou sábado que ja pude presenciar por esses rocks noites a fora. Foi um agitado e diferente começo de semana!


*Matéria originalmente publicada em 29/07/2015.

Popular Posts

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…

Todo dia é dia de rock. Por Leo Cima.

Aconteceu, no final de semana em que se celebrou o dia mundial do rock, o festival Rock Concha 2019. Evento que, neste ano, comemorou trinta anos da sua primeira edição. Houve um hiato de um pouco mais de vinte anos nas suas atividades, porém, há quase uma década, a festa vem acontecendo de maneira assídua a cada ano e já pode ser considerada como certa no calendário cultural da cidade.
Para esta ocasião, a produção do evento apostou em um lineup que propôs fugir de repetir nomes escalados nos anos anteriores, se mantendo atrativo neste sentido e oferecendo ao seu público bandas relevantes na cena nacional e local, com algumas delas há bastante tempo sem vir à Salvador, outras lançando trabalho novo, ou comemorando décadas de estrada. A falta de roadies durante algumas apresentações foi percebida em dois momentos, nos shows da Drearylands e da Alquímea, mas nada que comprometesse o desempenho de ambas no palco!
No sábado, quem abriu o evento foi a Drearylands. Comemorando vinte anos …

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 
SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado?  Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...