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Retorno de peso.*


O metal é um dos gêneros musicais mais interessantes e diversificados que já existiu, tendo poder de alcançar a quem quiser e atingir multidões ao redor do mundo. Dentro dele há uma vertente interessante, o doom metal, mais arrastado e sombrio, características presentes desde bandas clássicas tradicionais até as mais recentes e, inclusive, mesmo nas mais modernas. Aqui na Bahia, a banda The Cross segue este caminho doom e ressurge depois de algum tempo com músicas novas.

Formado no início dos anos 1990 e há quase vinte anos sem lançar um trabalho com material novo, o grupo retoma as atividades com um EP intitulado Flames Through Priests contendo duas canções inéditas e mais três faixas bônus, estas últimas sendo as faixas da sua primeira demo tape, The Fall (1993). Mesmo com o longo período distante dos estúdios isso não pareceu fazer mal para a qualidade sonora da banda, que mostrou nesse momento prezar por uma sonoridade de alto nível e composições muito bem cuidadas, com temas longos que representam um verdadeiro prato cheio para seus velhos e novos admiradores.

Flames Through Priests começa sem dó nem piedade com Cursed Priest, faixa com um peso arrastado e o vocal rasgado do Eduardo Slayer, para depois cair na explosão de riffs de guitarra em ataque contínuo sem dar fôlego para o ouvinte, nem mesmo nos momentos mais arrastados e sombrios que conduzem a música pela maior parte do seu tempo. Ainda dentro dela, um trecho interessante com violão antecede o som de guitarras duplas e um pouco mais de peso arrastado com forte influência do Black Sabbath, até chegar em excelentes solos e na sua sequência final não menos soturna. Sweet Tragedy surge com as guitarras em mais evidência, mais densa e com uma melodia mais envolvente, sem perder o peso e com um trabalho vocal ainda bem cuidado.

Em determinado momento da faixa, o dedilhado de uma guitarra e o solo da outra, vocais com efeitos em reverso e bateria e baixo fazendo boas marcações, antecedem a sua passagem mais intensa com mais solos que a conduzem a um final ao mesmo tempo melancólico, brutal e épico. São duas ótimas faixas com quase vinte minutos de música que, se o grupo quisesse, poderia abrir mão de incluir a sua primeira demo remasterizada neste EP como bônus. Por outro lado, é bom que a tenha como extra, pois Flames of Deceit, The Fall e Scars of an Illusion já mostram uma banda com o seu som definido já há muito tempo atrás e não deixa de ser um bom registro para o seu antigo e novo público.

A boa sonoridade de Flames Through Priests é inquestionável, o conjunto soube utilizar bons arranjos e ótimas composições para realizar um trabalho de alta qualidade, com identidade própria mesmo tanto tempo depois do seu último e longínquo registro anterior a este. A diferença do som das três faixas mais antigas com as duas mais novas não chega a comprometer a obra em si, uma vez que os recursos utilizados em ambas, em suas respectivas épocas, são bem distintos e o seu valor musical histórico para banda tem uma grande relevância. Este é um bom EP, forte e intenso, bom para bater cabeça e até escutar sossegado (porque não?). É doom metal de primeira. Aproveite esse retorno da The Cross.

Conheça o som da The Cross: https://soundcloud.com/the-cross-doom-metal



*Matéria originalmente publicada em 27/01/2016.

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