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Sons que Ecoam: Boogarins (GO).*


Das novas bandas do cenário independente brasileiro a Boogarins talvez seja uma das mais bem-sucedidas delas. Oriunda do estado de Goiás, ela faz parte da vertente do rock nacional que mais cresce nos últimos anos, o rock psicodélico. Considerados um dos maiores expoentes da neo psicodelia brasileira, os goianos lançaram o seu primeiro disco intitulado As Plantas que Curam em 2013.

Com um som inteligente, cru e com bastante textura, antenado na sua época e no passado sessentista lisérgico e com boa influência de artistas como Tame Impala - até arrisco em dizer que eles superam os australianos em alguns momentos (Lucifernadis, Erre, Doce e Paul são bons exemplos dentro do cd) - eles têm propagado a sua música pelo território nacional e global, lançando o seu debut por selo de fora do país e gerando grande impacto positivo nos entusiastas do estilo, naqueles que gostam de boa música e nos estrangeiros antenados no que acontece no mundo da música.

Toda essa repercussão gerada somente com um disco lançado criou uma expectativa muito grande pelo seu segundo álbum. Lançado no ano passado, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos foi bem recebido por público e crítica de forma intensa. Como reflexo do seu trabalho ao longo do período de atividades entre a sua estreia até chegar ao seu mais recente cd, de cara o quarteto fez a sua divulgação inicial com uma turnê pelos E.U.A. e pela Europa dias após ao seu lançamento oficial. Um passo adiante no seu som foi dado nessa ocasião e algo se fortaleceu em sua sonoridade. Mais calejada e com mais personalidade nesse momento, a Boogarins continua com uma relação mais profunda com o psicodelismo e se desprende mais das referências musicais encontradas no seu disco de estreia.

Esse novo trabalho é mais requintado e começa com Truques, uma pequena instrumental que faz boa liga com Avalanche, faixa de boas guitarras e que beira o limite entre a tranquilidade e a euforia. Tempo surge calma, silenciosa e explosiva, uma mistura difícil de fazer, porém viciante. 6000 Dias (ou mantra dos 20 anos) foi uma das escolhidas para iniciar a divulgação do novo trabalho e leva o ouvinte a uma viagem boa, adicionando a ela uma pegada pop, ótimos solos de guitarra e um fade out que traz uma sensação de infinito. Mario de Andrade/Selvagem dá uma ideia de ter nela duas músicas em uma, começando mais alegre e do seu meio para o final ela insere o ouvinte em decolagem até planar em velocidade por entre as nuvens.

Falsa Folha de Rosto é uma das mais psicodélicas do disco, com mais texturas de guitarra, possuindo boa linha de baixo e ecos na voz. Benzin (composta em parceria com os conterrâneos da Carne Doce) pinta mais cores de verão no disco com sua levada mais contente, mas não deixa de fora as surpresas que o quarteto sempre traz nas canções. San Lorenzo é o tema instrumental da obra e tem uma estranheza pegajosa boa de se ouvir, como se anunciasse o final da tarde chegando. Cuerdo, Sei Lá e Auchma formam uma ótima sequência final o cd. A primeira, cantada pelo baixista, é mais atmosférica e envolvente, a segunda tem uma pegada mais “para frente”, mais sessentista e com ótimas vocalizações, e a última encerra o álbum de maneira mais intimista e não menos universal, com a característica voz suave e ótima letra.

Manual é um viciante ótimo disco, que parece que foi feito para ser escutado do final da tarde até o anoitecer, mas claro, é música para qualquer hora. É muito bom escutar um cd desses feito por músicos brasileiros, com personalidade, sonoridade de qualidade e maturidade musical. Não chega a ser uma surpresa encontrarmos um grupo tão bom quanto o Boogarins tendo a sua origem o Brasil. Goiás sempre foi um berço de ótimas bandas de rock, dos mais variados estilos e não surpreende mesmo o fato do conjunto ter vindo de lá. Para quem gosta de psicodelia com assinatura brasileira é uma ótima banda para se ouvir.

Link para o site do Boogarins: http://www.boogarins.com/



*Matéria originalmente publicada em 29/01/2016.

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