Pular para o conteúdo principal

Uma noite de fuzz, riffs e peso.*


Mais uma vez e depois de muito tempo, diga-se de passagem, fui para a noite rocker da capital baiana para conferir um bom som. Foi uma noite movimentada em Salvador, com quatro eventos roqueiros acontecendo ao mesmo tempo e em vários pontos diferentes da cidade e esse em questão foi o Clube do Taverna 2, que contou com as bandas Ronco e Búfalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes.

Com as obras do Rio Vermelho finalmente encerradas deu para ver que o lugar ficou realmente bonito, mas não tanto quanto ele era antes desse fato! A chegada no lugar foi um pouco estranha, teve sol o dia inteiro até aquele momento. Foi chegar no bairro e caiu um aguaceiro daqueles que surge pesado e que parece que não irá cessar tão cedo. Mas o tempo desse pensamento foi tão demorado quanto o período da chuva e quando me encontrava dentro do recinto (também recém reformado), estava totalmente seco. Lá dentro tinha uma boa quantidade de pessoas, muita boa gente das bandas locais e bons papos rolando antes do início do evento.

A primeira a tocar foi uma que já estava em débito há muito tempo para vê-los ao vivo, a Ronco. Com disco lançado há alguns meses e em atividade constante na cena, os rapazes se saíram muito bem com seu stoner rock cheio de fuzz e base da cozinha pesada. O repertório foi todo em cima da sua primeira obra e um pouco mais, e o trio soou melhor ao vivo, mostrando entrosamento e ganhando mais peso. Cidade dos Sonhos foi um bom momento do seu repertório que foi bem fiel as versões do EP. A Suicida pôde proporcionar ao grupo um momento de experimentalismo, quando o vocalista e guitarrista Thiago Guimarães pôde tirar sons interessantes dos seus pedais realizando momentos espaciais e psicodélicos em looping, para depois voltar no momento certo da canção. Ao fim, ainda rolou um bis a pedidos do público, que já era maior e mais caloroso naquele momento. Com certeza não havia ninguém dormindo por lá. Foi um ótimo primeiro contato com o conjunto ao vivo!

Como segunda e última banda do evento, a Búfalos Vermelhos e a Orquestra de Elefantes subiu ao palco para fazer o seu já conhecido som pela cena. Como a casa passou por uma ampliação, o som do duo se expandiu mais ainda com os riffs marcantes e viradas de bateria poderosas dos irmãos Jende. Mesmo depois de tê-los visto em várias ocasiões, a dupla ainda surpreende com as suas canções avolumadas, com o seu compromisso de ter qualidade sonora e com a disciplina presente há muito tempo na vida musical dos dois. A versão de Dos Margaritas está cada vez mais redonda a cada vez que ela é apresentada, agora sempre com Meu Refrigerador Não Funciona, d’Os Mutantes, na sua cola. Psicologia de Sofá foi mais uma no repertório que mostrou poder, assim como Mulher Kriptonita.

Ambas muito bem tocadas com a segurança que a BVEAODE possui musicalmente e que tiveram o reconhecimento do público que estava presente. Foi mais uma ótima performance dos atiradores de elite da cidade baixa que teve um final inusitado. Na última música alguém pediu o microfone para avisar para quem tivesse carro estacionado no passeio em frente ao Taverna, que os retirasse, pois poderia receber uma multa. Foi nessa que audiência e banda não perderam tempo e saíram do local para não deixar que a multa do cabeça preta os pegassem.


Uns conseguiram, outros não, mas o fato é que isto foi bem inesperado. Foi um final de noite agitado e que não tirou o brilho das apresentações dos grupos. Conversas sobre trabalho, livros, coca-cola, água mineral ou cerveja, mudanças de nome de banda, troca de informações sobre outros lugares da cidade onde acontecem apresentações de música rock e até mesmo o esquecimento de uma guitarra deram o tom da noite entre as pessoas que estavam por lá. O retorno às apreciações de bandas ao vivo foi bom. E o No Code é um dos melhores discos do Pearl Jam!


*Matéria originalmente publicada em 29/02/2016.

Popular Posts

O melhor do que eu não escrevi no Portal Soterorock em 2018. Por Leo Cima.

Neste ano de 2018 o Portal Soterorock resolveu tirar alguns dias de folga. Algo próximo a trezentos e sessenta e cinco dias, quase um ano, é verdade. Porém, é fato que, depois de dez anos cobrindo a cena roqueira local, com textos ou podcasts, sem incentivo financeiro algum, o site decidiu que seria o momento certo para dar um tempinho nas atividades daqui, para priorizar e atender a outras demandas não menos importantes. Mas, mesmo distante das publicações, nos mantivemos atentos ao movimento do cenário, observando quem se manteve atuante, seja em estúdio, ou nos palcos.
Muita coisa aconteceu este ano na cena rocker da Bahia, desde discos lançados até uma boa frequência regular de shows na capital baiana, mesmo com um número cada vez menor de casas que recebe o gênero por aqui. E é esse segundo item que ganhará destaque aqui nesta matéria, em uma outra oportunidade falarei sobres os lançamentos baianos de 2018, vamos com calma. O fato é que, fazendo visitas a eventos, seja como um pag…

“As Dez Caras do Rock Baiano” com Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute)

Chegando ao final da sua primeira fase, a série “As Dez Caras do Rock Baiano” traz em sua quinta entrevista uma das grandes personalidades já presente na cena local há muitos anos: o vocalista da The Honkers, Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute, como preferir). Nessa conversa, que foi uma das mais longas e intrigantes dessa série e realizada na época da volta da banda aos palcos soteropolitanos, Rodrigo falou sobre o que chama a sua atenção no cenário, o cuidado que um artista têm que tomar com a sua própria arte, como a quantidade de informação influencia no jeito raso de ser do novo roqueiro e sobre as intenções para o futuro da The Honkers, além de se mostrar como um autor de livros de auto ajuda em potencial. Você já sabe, se ajeite com firmeza na cadeira e embarque nessa entrevista dessa grande figura do rock da Bahia. 
SRP - Como foi ficar um ano longe da The Honkers? 

Rodrigo Chagas - Zorra... Normal, hehe. Cansei na sétima música. 

SRP – O que achou do retorno da The Honkers aos pa…

Série “As DEZ Caras do Rock Baiano” - Com Caroline Lima, (Voz na Chá de Pensamentos), apresentando "Kansu" o seu mais novo projeto!

A série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz desta vez Caroline Lima, integrante do projeto experimental de música e arte Kansu Project , duo que conta também com Sérgio da Mata dividindo as composições. Na última quinta feira (28/03/2013), ás 22:30, foi lançado na página da Kansu Project no facebook o remix de “A Little Bit of Me”, seu primeiro single e, nesse ótimo papo descontraído e espontâneo, Caroline nos falou sobre o interessante processo de produção e gravação das músicas da dupla, suas influências e suas impressões sobre a cena local. Então se ajeite em sua cadeira, aproveite a entrevista, dê um curtir na página do grupo e “FEEL FREE”. 
SRP – O que é a Kansu Project, é um duo? E o que sgnifica? 
Caroline Lima - É um duo sim. Sou eu e Sergio da Mata, meu amigo de adolescência. Sobre o significado... foi a junção dos nomes de personagens de livros que escrevemos em 2002, também é o nome de uma província da China e o nome deriva desse idioma...alguns traduzem como "orquídea&quo…