Pular para o conteúdo principal

Velhos e novos bons tempos.*


A semana começou com rock na capital baiana. Toda terça acontece o “Quanto Vale o Show?”, evento produzido pelo Rogério Big Bross que abre espaço para bandas em sua maioria iniciantes e para as bandas que estão em maior atividade na cena. A entrada é sempre gratuita, mas a audiência decide o quanto deve pagar pelos shows da noite. Nesta ocasião, duas bandas que estão retornando à cena deram as caras no palco do Irish Pub: a Game Over Riverside e Os Canalhas.

A G.O.R. retornando definitivamente do seu hiato, fazendo mais uma apresentação da turnê que eles apelidaram de “The Grunge Days are Gone Tour” e Os Canalhas, banda da década de noventa voltando também ao cenário depois de longos anos sem se apresentar, realizando a sua reunião nesta ocasião. A noite estava tranquila, as pessoas foram chegando aos poucos, algumas conversando, jogando sinuca e bebendo algo enquanto as apresentações não começavam. O Irish Pub não encheu, mas quem esteve presente foi contemplado com duas apresentações quentes.

Quem abriu a noite foi a Game Over Riverside. O quinteto está promovendo o seu debut EP que será lançado no próximo mês e que já tem dois singles lançados na web. A apresentação começou com uma canção que não estará no trabalho de estreia dos rapazes, God in a Talk Show, mas que serviu para premeditar o gás que o repertório iria proporcionar para quem estava ali. Todas as canções do disco que está para sair foram tocadas com energia, vontade e entrega, com o grupo aproveitando bem o ótimo aparato técnico do palco.

Em um momento ou outro uma das guitarras ficava um pouco mais alta, mas nada que comprometesse o desempenho dos rapazes. Deep Waters foi um bom momento da apresentação, assim como a sua sequência final onde Sadness Online e I Can’t Hardly Wait (que também não estará no EP e que foi dedicada a uma antiga fã) elevaram a empolgação de integrantes e público, com direito ao baixista dando canja no vocal, a duelo de dança entre o vocalista e o guitarrista, com esse último indo castigar com seu instrumento os pratos da bateria. Foi divertido!

Encerrando os trabalhos, Os Canalhas trouxeram bastante rock indie, punk e som inglês noventista para a festa. O trio vem de um histórico interessante do seu passado: foi uma banda muito ativa na década de noventa, que teve disco gravado na Suíça e que passou um bom tempo sem tocar com essa formação. Seus integrantes vêm atuando na cena com outros projetos ao longo dos anos e decidiram retomar as atividades juntos nessa edição do “QVoS?”.

Foi uma apresentação também empolgante, com os três se divertindo em cima do palco tocando bastante som autoral, mesclando faixas de seus dois cds lançados, e tocando alguns covers, sendo um deles Blitzkrieg Bop, do Ramones. Entre duas das canções foi citada brevemente pelo vocalista a história da banda, que caminhou para uma continuidade de sua apresentação com entrosamento e agradando muita gente que ainda estava no Irish Pub conferindo o som deles. A volta d’Os Canalhas ao cenário foi no mínimo muito interessante.


Terminado o som, era hora de trocar um pouco mais de ideia sobre a noite, com bons novos e velhos amigos, sobre o balanço da noite, confraternizando com os envolvidos no evento e com quem foi pura e simplesmente prestigiar as bandas. Histórias sobre discos, filmes e um momento piadista clássico nas ruas deram o tom na volta para casa. O tempo pode passar, mas tem coisa que não muda nunca e isso também é bom.


*Matéria originalmente publicada em 22/04/2016.

Popular Posts

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…

Todo dia é dia de rock. Por Leo Cima.

Aconteceu, no final de semana em que se celebrou o dia mundial do rock, o festival Rock Concha 2019. Evento que, neste ano, comemorou trinta anos da sua primeira edição. Houve um hiato de um pouco mais de vinte anos nas suas atividades, porém, há quase uma década, a festa vem acontecendo de maneira assídua a cada ano e já pode ser considerada como certa no calendário cultural da cidade.
Para esta ocasião, a produção do evento apostou em um lineup que propôs fugir de repetir nomes escalados nos anos anteriores, se mantendo atrativo neste sentido e oferecendo ao seu público bandas relevantes na cena nacional e local, com algumas delas há bastante tempo sem vir à Salvador, outras lançando trabalho novo, ou comemorando décadas de estrada. A falta de roadies durante algumas apresentações foi percebida em dois momentos, nos shows da Drearylands e da Alquímea, mas nada que comprometesse o desempenho de ambas no palco!
No sábado, quem abriu o evento foi a Drearylands. Comemorando vinte anos …

As 10 Caras do Rock Baiano” com Paulo Diniz (Banda Weise)

A penúltima entrevista da série “As 10 Caras do Rock Baiano” traz Paulo Diniz, vocalista e guitarrista da banda Weise. O grupo está lançando o seu mais novo trabalho, o cd intitulado “Aquele Que Superou o Fim dos Tempos”, e neste papo o entrevistado falou sobre o seu processo de gravação, sobre seus shows e as dinâmicas dos seus instrumentos no palco e também sobre as suas impressões da cena baiana de rock. Para não perder o costume, ajeite-se na cadeira e aproveite o papo com o rapaz. 
SoteroRockPolitano - É o segundo disco de vocês, certo? O que mudou no som da Weise desde o seu primeiro disco até esse último que está sendo lançado?  Paulo Diniz - Na verdade nós lançamos até agora somente EPs, que foi o "Fora do Céu", depois um outro que não tinha nome, e o terceiro que era uma previa de duas músicas do álbum que vamos lançar agora...