Pular para o conteúdo principal

Série “Mais uma Cara do Rock Baiano”: André L. R. Mendes, vocalista e guitarrista da Maria Bacana.


A nossa série de entrevistas retorna finalmente neste ano de 2017, trazendo novamente o cantor e compositor André L. R. Mendes, desta vez como frontman da sua antiga banda, Maria Bacana, para falar sobre o retorno dela às atividades. O trio está completando vinte anos de lançamento do seu disco de estréia e aqui ele falou um pouco sobre o porque dessa volta, como tem sido a experiência do grupo estar junto novamente e sobre a campanha de financiamento coletivo para viabilizar o seu novo cd. Se ajeite e aproveite o papo!

SOTEROROCKPOLITANO - Gostaria de começar o nosso papo falando um pouco sobre o passado da banda. Como foi que a primeira demo da Maria Bacana chegou nas mãos do Dado Villa-Lobos e que, consequentemente, levou até a concretização do primeiro disco da MB? Como isso aconteceu?

ANDRE L. R. MENDES - Essa demo tinha 3 musicas: Primavera, Caroline e Luvas, as duas primeiras eram versões em português de musicas que tocávamos em inglês na Master Brain e que ganharam versão em português quando "viramos" Maria Bacana. Luvas era uma música nova que mostrava que a banda não se limitava ao formato power pop. Pra falar a verdade, todas as musicas da Maria Bacana surgem no violão... talvez esse seja nosso principal diferencial, a base de tudo é a canção. Gravamos e mandamos pra Deus e pro mundo! Dado Villa-Lobos ouviu e ligou no mesmo dia dizendo que queria gravar a gente, parecia um sonho, em uma semana já estávamos "contratados"! Lembrando que chegamos com letras bem diferentes da moda da época, isso chamou atenção dele e de todos que "morderam a nossa isca".

SRP - Esse ano de 2017 vocês comemoram vinte anos de lançamento do seu primeiro cd, além deste fato, houve alguma outra motivação para a reunião do grupo?

AM - Em 2015 fizemos um som no estúdio, sem compromisso algum a não ser nos reunirmos e nos divertimos, como nos velhos tempos, sem cobrança e sem expectativas, exatamente como tocávamos quando a gente tinha 16, 17 anos. Pois o som rolou massa e vimos que a nossa química estava intacta. Então, combinamos fazer um show pra comemorar o aniversário de 20 anos do nosso disco de 1997. Dessa idéia de show evoluímos pra gravar um disco de inéditas. Nesse momento já temos todas as musicas pro disco. Vamos ensaiar forte até a época da gravação pra, quando entrarmos no estúdio, o disco já esteja "pronto" com o estúdio funcionando como registro, exatamente como foi com o disco de 97.

SRP - Há a campanha criada por vocês no Catarse para viabilizar o financiamento coletivo do mais novo trabalho do trio que está prometido para este ano. Como vocês enxergam o uso desse recurso para tirar o projeto do papel?

AM - Vemos como a única opção pra uma banda que não é rica pra financiar um projeto caro que é lançar um disco. Tivemos a sorte grande de ter a parceria de Apu Tude e dos estúdios WR pra gravarmos o disco, só isso já é ouro pra esse projeto, mas um disco tem outros gastos... feitura do disco físico, site, projeto gráfico, uma assessoria de imprensa pro disco não passar batido. Tudo isso tem um custo muito alto pra nós... então a gente conta com os amigos e com a força das pessoas que gostam da nossa música pra ajudar a viabilizar o projeto completo. O site do financiamento coletivo é: www.catarse.me/mariabacana2017

SRP - Nos fale um pouco sobre as recompensas, vi que uma delas é poder presenciar um dia de gravação do disco no estúdio.

AM - Pois é! Tem de tudo, desde o download do álbum uma semana antes do lançamento até a possibilidade de empresas patrocinarem o disco, mas acho esse pacote de passar um dia no estúdio com a gente o melhor. Presenciar uma gravação é sempre uma experiência legal... a alegria, a tensão do estúdio, ver o quebra cabeça que é a construção de uma música no estúdio é massa! Acho que vai ser bem especial ter essas pessoas lá com a gente. Gente que gosta tanto da nossa música que querem presenciar a gravação... poxa, a gente tem muita estima por eles!

SRP - Sei que você é um artista que compõe constantemente e que tem uma carreira solo vasta formada ao longo desses últimos anos, mudou alguma coisa no processo de composição para as novas canções da Maria Bacana? Como tem sido esse processo para o novo trabalho de vocês?

AM - Compus as musicas novas da Maria Bacana pensando no "formato Maria Bacana": musicas que funcionem muito bem no formato power pop/power trio. Compor pra Maria Bacana quer dizer pensar em tons mais altos, mais "abertos"... mais grandioso. Minha carreira solo tem um clima mais "tocando minhas musicas na sala da minha casa... venha ouvir!". Já a Maria Bacana é amor e agressividade balanceados.

SRP - As letras da Maria Bacana têm uma forte presença do cotidiano nelas, podemos esperar mais desse tema paras as novas canções? Haverá espaço para outros temas no seu texto?

AM - Tô muito feliz com o que escrevi pra esse disco da Maria Bacana. Tá moderno, tá atual. Definitivamente vai ser um disco de uma banda de rock no Brasil na segunda década do século XXI, com tudo que isso quer dizer, pro bem e pro mal. Tem letras super pessoais, mas tem crônicas da nossa vida em sociedade também... não vou falar muito pra não estragar a surpresa!

SRP - As novas influências musicais têm incidido de que maneira na banda?

AM - Você, enquanto artista, é o que você ouve, né? Com certeza não ouço as mesmas coisas que ouvia quando estava compondo o disco da Maria Bacana de 1997. Nos últimos anos tenho ouvido mais musica brasileira e seus grandes nomes, Gonzagão, Chico Buarque, Vinicius de Moraes, que rock. Isso definitivamente influencia o que componho, mas de forma alguma pensei em "desviar" a composição que fiz pra Maria Bacana. Conheço muito bem o formato de canção que encaixa com a vibe da banda, mas as minhas novas influências estão lá na composição, de formas não tão óbvias, mas presentes!

SRP - O tempo que vocês levaram distantes do cenário é um fator muito pesado e dificultoso para a Maria Bacana em termos de ritmo e de presença na cena local? Há a pretensão de voltar a fazer mais shows?

AM - Não temos pretensão de voltarmos a fazer um show por semana como fazíamos, quando fazíamos parte daquela cena dos anos 90 de Salvador. Pra falar a verdade, nosso foco agora é nosso disco. O que virá dele, shows, por exemplo, vamos descobrir depois do lançamento.

SRP - André, nas entrevistas sempre deixamos um espaço para o entrevistado mandar um livre recado para os leitores do site. Fique a vontade para deixar o seu!

AM - Primeiro queria te agradecer muito, Leo, pelo espaço e atenção de sempre! Você é sempre super atencioso e respeitoso comigo e com todo mudo que faz música alternativa. Queria deixar a idéia que nós, a Maria Bacana, precisamos MUITO da ajuda dos amigos e das pessoas que gostam da nossa música pra ajudar a concretizar nosso disco novo. Estamos muito animados com as musicas novas e temos uma meta: "tem que ser melhor que o disco de 1997!", e vai ser! E precisamos de vocês, amigos! Acessem o www.catarse.me/mariabacana2017 e participem! Obrigado!

SRP - Para finalizar, uma curiosidade extra minha, por onde anda a garota da capa do primeiro disco? Ela retorna para a capa do segundo?

AM - Cara! Incrível, sua bola de cristal tá forte! Procuramos essa menina, que a essa altura é uma mulher, pra fazer a capa do disco novo! Mas não conseguimos encontrá-la. Então partimos pra outra opção, mais pessoal, pra capa. Mas não vou contar mais do que isso pra não estragar a surpresa!



Popular Posts

O melhor do que eu não escrevi no Portal Soterorock em 2018. Por Leo Cima.

Neste ano de 2018 o Portal Soterorock resolveu tirar alguns dias de folga. Algo próximo a trezentos e sessenta e cinco dias, quase um ano, é verdade. Porém, é fato que, depois de dez anos cobrindo a cena roqueira local, com textos ou podcasts, sem incentivo financeiro algum, o site decidiu que seria o momento certo para dar um tempinho nas atividades daqui, para priorizar e atender a outras demandas não menos importantes. Mas, mesmo distante das publicações, nos mantivemos atentos ao movimento do cenário, observando quem se manteve atuante, seja em estúdio, ou nos palcos.
Muita coisa aconteceu este ano na cena rocker da Bahia, desde discos lançados até uma boa frequência regular de shows na capital baiana, mesmo com um número cada vez menor de casas que recebe o gênero por aqui. E é esse segundo item que ganhará destaque aqui nesta matéria, em uma outra oportunidade falarei sobres os lançamentos baianos de 2018, vamos com calma. O fato é que, fazendo visitas a eventos, seja como um pag…

“As Dez Caras do Rock Baiano” com Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute)

Chegando ao final da sua primeira fase, a série “As Dez Caras do Rock Baiano” traz em sua quinta entrevista uma das grandes personalidades já presente na cena local há muitos anos: o vocalista da The Honkers, Rodrigo Chagas (Sputter ou Bubute, como preferir). Nessa conversa, que foi uma das mais longas e intrigantes dessa série e realizada na época da volta da banda aos palcos soteropolitanos, Rodrigo falou sobre o que chama a sua atenção no cenário, o cuidado que um artista têm que tomar com a sua própria arte, como a quantidade de informação influencia no jeito raso de ser do novo roqueiro e sobre as intenções para o futuro da The Honkers, além de se mostrar como um autor de livros de auto ajuda em potencial. Você já sabe, se ajeite com firmeza na cadeira e embarque nessa entrevista dessa grande figura do rock da Bahia. 
SRP - Como foi ficar um ano longe da The Honkers? 

Rodrigo Chagas - Zorra... Normal, hehe. Cansei na sétima música. 

SRP – O que achou do retorno da The Honkers aos pa…

Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!
David Vertigo (tecladista)
Suicide - Suicide


O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonse…