Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)
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    Foram mais de 50 programas gravados e mais de 300 resenhas realizadas por nossa equipe. Hoje depois de muitos colaboradores que fizeram parte deste projeto, completamos dez anos nesta jornada Rocker. Léo Cima, Kall Moraes e Sérgio Moraes voltam com o programa Rota Alternativa em 2017 trazendo novidades.

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    O Endereço: Tv. Basílio de Magalhães, 90 - Rio Vermelho, Salvador - BA

Entrevista com Irmão Carlos e Wado. Por Leandro Pessoa.*


No próximo sábado, 29, os cantores e compositores Wado e Irmão Carlos se apresentam juntos em Salvador, no Irish Pub, pelo projeto NHL Apresenta. Este encontro musical, em sua terceira ocorrência, consolida a parceria entre dois artistas que guardam identificações e admirações mútuas. Celebrando 16 anos de carreira, o alagoano Wado apresenta pela primeira vez na cidade o show do disco Ivete – indicado como melhor álbum de 2016 pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Já o baiano Irmão Carlos pisa firme no salão com o show do seu primeiro trabalho solo que vem movimentando a cena musical da capital baiana através do projeto Incubadora Sonora. Um pouco mais sobre o que eles prepararam para esta noite você confere no papo que tiveram com o Leandro Pessoa, em entrevista originalmente publicada no site Som do Som:

Leandro Pessoa - Wado e Irmão Carlos juntos pela terceira vez em Salvador. Como foi que surgiu essa parceria?

Irmão Carlos - Acompanho o trabalho de Wado há tempos. Acho sensacional a forma como ele compõe. Nosso primeiro show juntos foi nesse mesmo Pub. Daí no ano passado convidei ele pra Salvador pra dividir o palco comigo no projeto “Lá em Dona Neza” - ele topou e celebramos. A banda de apoio dele nesse dia foi a minha própria banda que tirou o repertório e tudo aconteceu. Foi uma noite massa, até cantamos juntos “Têta”.

Wado - O Carlos me deu essa oportunidade de tocar lá no Dona Neuza. Foi uma experiência linda ver a cidade a partir da comunidade. Carlos é velho parceiro, guerreiro de muito talento e carisma - temos uma admiração mútua. Sábado vamos celebrar essa amizade e vou levar meu disco novo, Ivete, a Salvador. Esse disco é uma declaração de amor a música da Bahia. Vamos fazer um show bem sacudido.

LP - Wado, qual a primeira recordação que tu tem da sua relação com a música baiana? Como que é pra você compor dentro dessa linguagem?

W - Eu ouvia muita música baiana, pois tocava direto no rádio aqui em Maceió. Curti muito os axés dos primórdios, os de oitenta que eram políticos, de afirmação negra, de celebração e também de denúncia. Meu primeiro sarro com uma mulher foi dançando Axé. Tenho uma memória afetiva grande com ele. Aprecio as temáticas do nordeste da África, do Egito e cercanias. Essa memória passei a expressar nas canções, começou lá no Atlântico Negro e cristalizou agora com o Ivete. Não tinha como não levar esse show pra Salvador.

LP - E tu Irmão? Tu viveu esse período de formação da indústria musical baiana. Onde que você estava?

IC - Lembro que quando era pivete eu e minha turma fazíamos batuque no fundo do buzu. Assim eram as crianças da periferia nessa época: cantávamos Muzenza, Olodum, Edson Gomes, Gerônimo, Lazzo e, no meu caso, já misturava com umas dos Titãs, Cólera e Garotos Podres na batida do samba reggae (risos). As letras tinham cunho histórico/político e muitas falavam de revolta e revolução. A identidade negra era muito bem afirmada nas canções. Paralelo a essa turma, a coisa ia aos poucos ficando mais pop, mas ainda sim, genuinamente baiana. As letras já não eram tão políticas, mas representavam a Bahia. Com a chegada das gravadoras gringas no Brasil, a coisa se fechou e foi ficando cada vez mais plastificada e descartável. Um jornalista, um tal de Hagamenom Brito, usou o termo Axé music, em tom de ironia, e pegou igual a apelido. Tem gente que diz que isso tem 30 anos. Eu digo que tem 25. Os 5 primeiros ainda eram genuínos e tinham essência.

LP - Irmão, em seu primeiro disco solo me chama atenção a presença de canções que tratam de questões pessoais. No palco você se vê nu, assim como na capa?

IC - Expor minha própria vivência foi o modo que encontrei para resolver meus problemas comigo mermo, ainda que de forma irônica. A música acaba funcionando como terapia também. Quando solto pro mundo minhas inquietações, me sinto mais tranquilo.  Na real acho que isso acontece em todo o disco. “Engrenagem da Ilusão” é uma que não falo diretamente de mim, embora use o “Eu”, mas no fim é uma visão geral, na qual eu também faço parte.No palco a sensação é sempre de desabafo.  É como a fé! Removendo a montanha que a gente carrega.


*Leandro Pessoa é compositor, cantor e jornalista. Além de ser o frontman da banda Callangazzo, também colabora para o Som do Som e escreve para o seu próprio site, o Single do Dia. Esta matéria foi originalmente publicada no site Som do Som.
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Lançamento duplo e um calcanhar dolorido. Por Leo Cima.


Como já é sabido de muita gente, a atividade do rock aqui na Bahia começa no início da semana, logo na terça feira, com o evento “Quanto Vale o Show?”. Se você gosta de rock e não sabia desse fato, provavelmente há algo de estranho em ti, ou precisa estar mais atento(a) a agenda local. Há quase três anos, o som periódico tem sido a morada de apresentações de artistas novos e veteranos, e também de ocasiões especiais, como a que aconteceu no último dia 18/07/2017. A Surrmenage e a Jato Invisível, duas das mais interessantíssimas bandas locais, lançaram seus novos trabalhos na praça.

O início da noite carregava o tempo irregular de Salvador por esses dias, com uma chuva que resolve cair do nada e que atrasa o lado de quem está para sair. Além disso, o meu calcanhar esquerdo machucado atrapalhava a caminhada apressada da minha casa até o ponto de ônibus, o aplicativo indicava que a condução estava a cinco minutos dali e o esforço extra fez aumentar a dor. Cheguei a pensar que era a idade pesando, não pelo incomodo, mas por não me lembrar de exatamente como me machuquei.

Enfim, sair e chegar até o local era preciso para ver os amigos, bater um bom papo e ver ótimas apresentações de rock. A tranquilidade do inicio de semana no Rio Vermelho é de um contraste imenso em relação ao seu final de semana, porém, a cada vez que ia chegando mais gente para prestigiar o som daquela noite, mais movimentada ficava a casa da festa. Deu um número bom de pessoas e uma verdadeira confraternização aconteceu antes e entre as performances dos grupos. Sempre há espaço para bons papos sobre livros, shows, ótimas lojas de discos que existiram e resistem, e de como o valor desse item tem estado caro demais em tempos de crise.

Antes das nove horas da noite, a primeira a se apresentar foi a Surrmenage lançando o seu disco, Headphoning Life. Mesmo com uma história no cenário e retornando depois de um hiato, ainda não tinha visto ao vivo o trio antes. Eles fizeram valer esse retorno, com composições de influência setentista e noventista, as mostrando de maneira segura e entrosada. O bom humor do vocalista Arthur Caria foi uma presença extra que marcou muito bem o desenvolvimento do repertório da banda, que possui a maioria de suas letras cantadas em inglês (o que, para mim, é bem interessante) e uma execução que a credenciaria facilmente a condição de rock de arena. Com um som bem preenchido, as bases impressionantes de baixo abraçaram bem as ótimas viradas de bateria e os marcantes riffs de guitarra, onde o destaque foi a canção Someday. Foi um lançamento de cd bastante marcante e de boa receptividade da audiência!

Depois, a Jato Invisível subiu ao palco para fechar a noite e lançar o seu mais novo EP, Veiculando Neuroses. Este disco é há muito tempo esperado pelos admiradores da banda, que cultivou uma expectativa grande pela sua chegada desde que a sua produção foi anunciada. Os próprios integrantes esperaram bastante por esse dia e isso trouxe uma excelente e diferenciada atmosfera para essa apresentação, que também foi marcada por participações especiais. A JI já vinha tocando este seu novo repertório em seus shows e isso amadureceu, e muito, as suas antigas e novas composições, que chegaram até aqui bem fixada na cabeça de que os acompanha. Já nas três primeiras canções do seu setlist o filho da Silvana Costa (vocal) e do Alex Costa (baixo), Mateus Costa, acompanhou o grupo na guitarra base, desempenhando muito bem a função e me levando a crer que o conjunto pode gerar novas possibilidades musicais com mais um integrante. O poeta Sandro Ornellas se juntou à banda para realizar ao vivo a sua contribuição na música Esperar Sentado (alguma coisa) e o cantor e compositor Álison Lima subiu ao tablado para dividir os vocais no cover de Me Perco Nesse Tempo, das Mercenárias. Remédio, como sempre, empolgou bastante. Foi uma apresentação de boas energias e daquela boa sensação (que vai ficar por um bom tempo na memória) de enfim ter lançado mais um trabalho.

No final de tudo, o meu calcanhar não estava mais tão dolorido, a chuva tinha voltado com mais força e o rapaz do UBER resolveu se perder no Rio Vermelho (acredite!), levando quase dez minutos para chegar. Mas quando a música alimenta os ânimos fica difícil algo se estragar!
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