Na veia pop rock da Invena. Por Leo Cima.


Um momento de virada e transição para uma banda pode ocorrer durante muito tempo. Em alguns casos isso acontece rápido, porém, na maioria das vezes, é longo o caminho para que se passe esse período. É até necessário! Se adaptar e amadurecer novas ideias e som demandam uma certa atenção e dedicação, e toda e qualquer contribuição para tal pode agregar mais valor a esse esforço.

Assim aconteceu com a Invena, banda soteropolitana na ativa desde a primeira década dos anos 2000 e que caminhou pela trilha da adaptação para chegar até a sua sonoridade pop rock atual. A sua recente e mais drástica mudança foi a reposição de um vocal feminino no lugar de um vocal masculino à frente da banda, antes, o giro constante de integrantes que passaram pelo grupo também deixou a sua marca. Da formação original apenas o guitarrista, guru e mago das composições pegajosas do rock baiano, Pedro Jorge Oiticica, permanece no conjunto. Com ele, o baterista Adamis Ribeiro, o guitarrista Tom Souza, a vocalista Suzi Almeida e o baixista Cesar Lima formam o quinteto que faz em seu som um rock de alto potencial radiofônico e de diversas influências roqueiras.

Com composições que transitam entre o power pop bubble gun expressivo e o peso de guitarras de bandas independentes dos anos 1990, a Invena pode agradar os ouvidos daqueles que gostam de delicadeza e ataque. O hard rock também se faz presente em meio as suas referências musicais e bons solos de guitarra não ficam para trás. Para quem aprecia The Cardigans, The Cranberries, Mutantes, AC/DC, Nirvana e tudo o que segue esses nomes, a Invena pode chegar de maneira forte no gosto do ouvinte. Os shows demonstram bastante o caráter disciplinado dos componentes do conjunto quanto ao seu compromisso com a música, neles possuem um mistura de covers e sons autorais em seu repertório e cada vez mais essas últimas têm ganhado mais espaço no seu set list.

A banda se prepara para lançar o Dom Quixote Urbano na Contramão, seu novo disco, já no final desse mês de julho, no The Other Place, em Brotas, e conta com oito composições próprias. Duas delas são inéditas e as demais são releituras de faixas já investidas pela sua formação anterior. O disco levou um ano e meio entre o término de sua produção e o seu lançamento, mais um reflexo da transição vivida pelo grupo, e o resultado ficou acima da média. No início do ano, o conjunto disponibilizou na web a inédita A Lacuna, single cheio de punch, direto e reto, que aqueceu e anunciou a chegada desse seu mais recente trabalho.


Certamente, todo o esforço e energia voltados para lidar com mudanças se fazem bastante válidos e benéficos quando há uma intensão em comum em se divertir fazendo música. Pode não ser uma das coisas mais fáceis, mas vale a pena demais.
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