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Paul esteve entre nós. Por Leo Cima.


FINALMENTE PAUL MCCARTNEY TOCOU EM SALVADOR! Finalmente! Você pode entender as letras garrafais da frase inicial desse texto como um desabafo, porque é, de verdade, um desabafo. Nada mais natural vindo de uma pessoa que teve que esperar sentada por muito tempo para ver um show desse beatle.  Desde 2010 Paul incluiu o Brasil na agenda das suas turnês de maneira efetiva e até a confirmação da sua passagem por aqui, cada anuncio de um novo giro dele por terras brasileiras era uma mistura de expectativa e frustração e isso ficou mais forte depois que a Fonte Nova foi reinaugurada. Era sempre um “será que agora vem?” seguido de um “porra, de novo não!”.

Mas dessa vez aconteceu! Virou história! E o melhor, sem o hype que envolveu as vindas dele em boa parte dos anos anteriores, o que demonstrou a inquestionável força que ele tem como artista. Tão histórico, que ele teve influencia direta no bom desempenho hoteleiro local, quando se registrou 90% de ocupação nesse setor durante o período que envolveu a apresentação do inglês aqui na capital baiana. Tratei de tomar como tarefa não buscar vídeos de seus shows dessa turnê no youtube, para justamente não tomar spoiler algum e ter uma experiência mais pura do espetáculo. Me disciplinei até a véspera do dia 20/10 e constatei o óbvio: ainda que seja um mesmo show, uma coisa é assisti-lo em uma tela e outra é estar in loco vendo a tudo acontecer.

Paul pode tocar esse mesmo repertório umas trezentas vezes ao redor do planeta, pode repetir qualquer gesto diante da plateia, seja quando entra no palco ou em cima do piano depois de uma canção, pode seguir a direção artística que for (deal with it!), mas tudo vai soar verdadeiro. Verdadeiro e divertido! Da plateia dava para perceber claramente que ele estava fazendo, provavelmente, a melhor coisa do mundo e nós nos beneficiávamos dessa sua entrega no palco.

Com um pequeno atraso de quinze minutos, Macca abriu o show com A Hard Day’s Night e seu “acorde mágico” (desvendado ano passado pelo produtor Giles Martin e pelo músico Randy Bachman). Nessa hora todos estavam com os ânimos em alta, tão certo assim que ele tirou o seu paletó azul logo depois dela! Extremamente simpático, falou logo com o público as suas primeiras frases em português com as características baianas. Nem preciso dizer que a essa altura ele já tinha tomado o estádio inteiro para si. As canções do The Wings tiveram destaque em seus momentos, trazendo uma atmosfera setentista ao lugar, com a audiência cantando junto os refrãos de Let me Roll It e Band on the Run, e entrando em catarse com a pirotecnia da desde sempre empolgante Live and Let Die, esse um dos melhores pontos da noite. As músicas do seu álbum mais recente, New, deu ao show um perfil mais de banda, uma vez que ele foi gravado pelos mesmos músicos que os acompanha nas tours. As passagens mais introspectivas, com o Paul sozinho ao violão tocando em um palco elevado, chamaram a atenção pela beleza de Blackbird e Here Today, assim como em Eleanor Rigby e Yesterday mais adiante. As faixas do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band soaram muito bem ao vivo e muito forte visualmente, com Being for Benefit of Mr. Kite! quase levando as pessoas em uma viagem para outro lugar. Helter Skelter, Back in the U.S.R.R. e Birthday deixaram a Fonte Nova mais quente, com a última tendo a participação da fã Yasmin dançando ao lado do cantor, depois de ter seu pedido para isto ser atendido (ok, ok, talvez apareça no dvd dessa turnê). O final não poderia ter uma sequência melhor com ele tocando a mesma do lado b do Abbey Road! Golden Slumbers = Sensações à flor da pele!

É claro que teve muito mais do que isso. Faltou música? Talvez! Ele tocou tudo o que se poderia esperar? SIM! Os clássicos dos Beatles e de sua carreira fora do quarteto estavam todos presentes, com a plateia acompanhando junto, seja cantando, chorando ou vibrando e respondendo a cada frase em português que ele falava. Só faltou ele mandar um “Bora Bahia Minha Porra” e um “Pega Leão”. Nem de longe foi uma apresentação de um artista que é cover de si mesmo, porque, simplesmente, ele não é cover de si próprio. Paul McCartney poderia estar desfrutando de sua fortuna em uma ilha distante, ou em Itacaré, mas prefere continuar gravando discos, participando de outros projetos musicais e estar na estrada fazendo turnês. Pura atividade e criatividade!

Foi uma apresentação linda, perfeita, com as coisas em seu devido lugar e que evocou emoções das mais diversas nas pessoas que estavam no estádio e, principalmente, que mexeu com lembranças de cada um. Lembranças de todos os tipos, lembranças boas e aquelas que você não queria acessar, mas que vieram até você. Não teve como fugir disso diante de um dos responsáveis pela trilha sonora de vários momentos de sua vida. Arrisco em dizer que se você não gostou da apresentação, foi porque provavelmente você não estava assistindo a ela. E se não achou legal o evento não ter dado sold out, eu não sei o que 53 mil expectadores significam para você!


Quando tudo terminou, dava para perceber o quanto a maratona de quase três horas de música cansou sem que se percebesse esse fato, mas se tivesse mais uma hora de show ainda havia mais gás para isso. Êxtase definia as pessoas pós apresentação. Subindo a ladeira da fonte todos tinham o Paul como assunto em suas conversas e o ambulante que tocava U2 em sua guia de venda me fez pensar quando teremos algo assim novamente por aqui. Mesmo recebendo artistas de outros países, Salvador não é inclusa na rota de eventos desse porte e de um músico dessa magnitude. E pelo histórico de acontecimentos como este por aqui, vai demorar a acontecer outro. Espero estar errado! Li que há uma negociação para trazer o Roger Waters, mas enquanto não confirmarem a sua venda de ingressos, tudo é especulação. O que importa mesmo é que Paul esteve entre nós, em uma noite histórica e memorável, difícil de tirar da cabeça.

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