Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)
  • ENTREVISTA

    Aguardem!Voltaremos... Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/rota-alternativa-2015-entrevista-com-a-desrroche/

  • OUÇA DEUS!

    Promover debates e entrevistas sempre com um convidado da cena de rock da Bahia. Uma mesa redonda democrática onde se pode falar dos rumos do rock baiano. Agora na Mutante radio aos domingos. Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/programa-rota-alternativa-22017-com-deus-du/

  • BUK PORÃO!

    Sob o comando de Marcio Punk a casa de shows recebe todas as semanas artistas do cenário local. Venha participar dessa festa.

  • 10 anos de Soterorock!

    Foram mais de 50 programas gravados e mais de 300 resenhas realizadas por nossa equipe. Hoje depois de muitos colaboradores que fizeram parte deste projeto, completamos dez anos nesta jornada Rocker. Léo Cima, Kall Moraes e Sérgio Moraes voltam com o programa Rota Alternativa em 2017 trazendo novidades.

  • VENHA PARA BARDOS BARDOS

    O Endereço: Tv. Basílio de Magalhães, 90 - Rio Vermelho, Salvador - BA

Reaja, porra! Por Leo Cima.


O nosso país vive um momento político notavelmente conturbado e escroto. Mais escroto do que conturbado, diga-se de passagem. E o pior, seguido por uma apatia de uma população que assiste praticamente zumbificada cada gesto de politicagem suspeito, ou escancaradamente malicioso. Uma inércia que chega a ser mais forte do que qualquer esquema de falcatrua televisionada nos noticiários e que é de cair o queixo.

É dentro desse cenário que a banda baiana Pastel de Miolos chega com o seu mais recente trabalho, o quinto de sua carreira, Reação! Para além deste lançamento, este é o primeiro registro da PDM como um duo, “apenas” com baixo e bateria, um formato de certa maneira inédito dentro do som proposto pelo grupo. Produzido pelo Irmão Carlos e contando com participações especiais e colaborações, o disco é um verdadeiro pé na porta ao longo das dezesseis faixas e vinte e oito minutos de som.

O cd abre com Punk Rock é Reação! E já se percebe o quanto o som está bem preenchido. Nela, o baixo faz a chamada para a pegada rápida e explosiva da faixa, com um texto, de parceria entre Bidido e Wilson PDM, que alerta para o fato de que se ficarmos somente nas redes sociais, nada será conquistado. Com uma pegada mais crossover, Convicção, Ideia ou Crença e Nada Desfaz imprimem mais velocidade a obra. Com letra do Sandro Ornellas, A Festa tem um punch mais forte e mais raivoso, com uma letra de crítica social sem firulas. Depois dela, Um Banho Gelado no Mar Egeu surge como uma das composições mais surpreendentes do disco. A sua introdução com os teclados de Durval Oliveira, um andamento mais pop e a letra inteligente do Lima Trindade, que faz referencia à questão da crise dos refugiados, geram uma boa surpresa nos ouvintes e não foge à coerência do som. Sedentário é um convite para as rodas de pogo e é uma boa crítica àqueles parasitas que fazem nada da vida e que vivem se fazendo de vítima de tudo. Em Estragados a PDM mete o dedo na ferida do ser humano que é mal caráter e em Not Dead a dupla desacelera com uma canção de refrão digno de se tornar um grito de guerra.

Com letra de Tony Lopes, Filhos da Puta retoma a alta velocidade sonora e faz uma chamada para irmos à luta contra a quem nos oprime. Sem Nada Mudar e Egoísmo chegam com vigor. Quarteto III é mais um ótimo momento de Reação!, traz consigo rapidez e raiva, com uma mensagem sincera sobre se manter bem e distante de quem ou o que nos causa mal. Vivendo na Culpa traz a questão da busca pelo bem estar através do consumismo que pode levar a um ciclo infinito de euforia instantânea seguida de um vazio e as consequências que isso pode trazer. Palavras é uma verdadeira porrada no pé do ouvido de vinte e três segundos, que versa sobre como as palavras têm poder, uma verdade universal com apoio dos backing vocais guturais do Fauro. A sequencia final, com Página 81 (letra também de Tony Lopes) e Reaja ou Vire Escravo, encerra muito bem o cd com energia de sobra e com mensagem direta e reta para que o indivíduo acorde, levante e faça algo. Reaja!


Em Reação!, a Pastel de Miolos atesta a ótima banda que é e porque figura dentre as melhores do país quando o assunto e punk rock. Creio que tenha sido um desafio grande para a dupla gravar este disco, considerando a mudança na sua formação e a decisão de seguir como se encontra hoje. O ótimo texto da dupla, as influências do metal e os efeitos no baixo extraídos de pedais, vindas do André, e o punk, trazidas pela grande bagagem do Wilson, moldaram bem a musica dessa fase da PDM, criando uma identidade musical de mais personalidade sem perder o perfil punk. É claro que existem outras tantas bandas que se apresentam no esquema baixo/bateria/vocal, em outros gêneros musicais, mas nesse caso há de se atentar para essa condição de se reinventar e não deixar para trás o seu passado importante. Talvez a Pastel de Miolos tenha aberto uma nova porta para o punk rock!
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“Eu não sei fazer musica, mas eu faço”. Por Leo Cima.


Escrever sobre a sua própria banda é uma tarefa difícil. É algo complicado, de fato. Em situações como essa, o musico que escreve tem que manter sempre o cuidado para não pesar a mão sobre determinados aspectos, se vai ser positivamente tendencioso em certos pontos e até mesmo estar atento para não cair na armadilha de querer ser tão imparcial com a sua própria musica e acabar enxergando mais defeito do que realmente existe. Encontrar um equilíbrio dentro dessas questões é a verdadeira tarefa de um texto como esse que vem a seguir. Esse esforço é maior quando se escreve sobre um show. Tocar e, ao mesmo tempo, ver o que acontece no lugar até que funciona, mas muita coisa se perde durante o processo. Já disco é um pouco diferente, a concentração é, obviamente, maior e estar atento e respeitoso com o som alheio são os principais elementos para transcrever a obra de um grupo. Foi assim que decidi fazer quando escrevi o release de Empty, o mais recente EP da G.O.R., que você está prestes a ler e que inicialmente não era para estar aqui, mas por um acaso está! E porque não, né? Nele, tentei escrever como se estivesse o fazendo para o site, como executo normalmente pelas “internets”. Acabei mexendo em um trecho aqui e ali, para não ser uma cópia descarada de mim mesmo, mas no geral é o texto original. De qualquer maneira não foi fácil, mas foi feito!

Eu não sei escrever os textos que faço, mas eu escrevo.

O final do último mês de 2016 se aproximava e a Game Over Riverside tinha um objetivo definido: lançar o seu segundo EP em meados do ano seguinte! Ainda havia canções para a banda gravar em um novo trabalho e o desejo de materializa-las norteou o caminho que o quinteto fez para chegar até esse exato momento, no qual você está escutando, ou está prestes a escutar o Empty.

Novamente, seis músicas foram escolhidas para compor o disco, a outra metade do repertório da G.O.R., e uma constatação saltou aos olhos dos cinco rapazes da cidade baixa! Todas elas mais pesadas em relação às suas irmãs encontradas no seu debut. Dessa vez, o indie deu mais espaço para o noise grungenesco de tons mais sombrios com influências de Ramones, David Bowie, Manic Street Preachers e Black Sabbath, o que fez com que a banda dedicasse mais tempo e atenção às sessões de gravação. A caminhada foi longa, porém prazerosa! Foram oito meses de um processo que contou novamente com o trabalho cuidadoso e primoroso do produtor André Araújo, responsável por entender as composições, a atemporalidade de ambas as faixas e dar a elas um som pomposo, diante dos novos arranjos que a maioria ganhou em meio ao desenvolvimento criativo, amarrando os dois trabalhos como se eles formassem uma dualogia. Mesmo que se apresentem diferentes um do outro!

O texto proposto pelo grupo, nessa ocasião, também não fica para trás da sua sonoridade, trazendo críticas e observações mais ácidas a sociedade e a seus comportamentos, porém não abandonando a ironia e o sarcasmo característicos da banda. Na faixa título, que abre o trabalho, o impacto do seu peso serve de trilha para a letra que aborda o vazio dos sentimentos e das futilidades consumidas pelas pessoas em seu dia a dia, em um mundo cheio de bebês nascidos preparados para morrer. Em Me and my Band, com um shoegazer-punk radiofônico de refrão explosivo, a Game Over Riverside conta a história de um latino americano possuidor de uma banda de rock dentro de uma cidade litorânea ensolarada, que ninguém quer dar a mínima atenção e que, ainda assim, ele a mantém apesar dos contratempos da sua labuta musical. Assim como na abertura, o quinteto usa apenas duas guitarras na música God in a Talk Show, um stoner-punk nervoso e direto, onde se questiona sobre a fé cega que move pessoas intolerantes.

Paper Planes surge como uma composição genuinamente grunge com passagens psicodélicas, explorando bem as possibilidades das suas três guitarras, trazendo nuances inteligentes em trechos que destacam as personalidades de cada um dos seus guitarristas, seja nos solos, na base, nos riffs e no experimentalismo, dando campo a versos que tratam sobre a descrença na humanidade. A penúltima canção, Roswell, foi resgatada do arquivo do grupo e inclusa no último momento no disco. Ela foi repaginada, se tornando possuidora de um punch que não perde o fôlego, ainda com riffs grudentos e uma discreta, porém presente, textura criada no estúdio, incluída para contribuir na atmosfera da música. Como o título sugere, ela traz a teoria da conspiração para a roda, tema de profundo interesse dos integrantes (ao menos quatro, dos cinco, já avistaram um OVNI), o tratando de maneira instigante na faixa. Fechando o EP (assim como nos shows), I Can’t Hardly Wait atesta o peso investido nas músicas desse trabalho, falando sobre o ódio e a raiva em tempos de polarização de opiniões. Isso tudo ainda é amarrado pelo forte projeto gráfico da capa e do encarte criado pelo vocalista/guitarrista, Sérgio Mores, que levou ao conceito visual de Empty animais robustos e ferozes, e divindades cósmicas lovecraftianas para ilustrar as canções e a unidade da obra.

Neste trabalho, a Game Over Riverside consegue não se repetir! Mantêm as suas letras em inglês, trazem composições bem estruturadas, solos objetivos, refrãos grudentos (de pegada pop, sim, é possível!) e contam com a participação especial de Suzi Almeida, vocalista da Invena, fazendo backing vocais em quatro canções (faixas 1, 2, 4 e 5). A G.O.R. imprime a sua visão do mundo com uma trilha sonora volumosa para ela e continua a sua busca pelos cultivadores de histórias infantis!


                                                    Para Stephen King
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Para ouvir várias vezes. Por Leo Cima.


A Jato Invisível é detentora de um dos discos mais aguardados deste ano de 2017. O Veiculando Neuroses levou bastante tempo para ser lançado, não só pelo fato de ter se passado um ano do final da sua gravação até o dia do seu lançamento, mas também pelo período no qual o grupo esteve fazendo shows com uma boa frequência antes de entrar no estúdio para executar mais essa empreitada. E isso fez bem para a banda, que amadureceu de forma significativa as músicas que estão nessa obra.

Produzido pelo Irmão Carlos, este novo EP da JI possui cinco faixas fortes, em letra e musica, com um texto bastante pessoal e punchs sonoros bem pegajosos, respectivamente. Fato que é também visualmente muito bem expressado na capa do disco feita por Sérgio Moraes. Tudo isso faz com que o ouvinte crie uma identificação interessante com o que se escuta. No decorrer do disco há participações especiais interessantes, como a do escritor Sandro Ornellas em uma das faixas e a do Irmão Carlos tocando teclado na primeira e quarta faixas.

O disco abre com O Que Eu Espero Pra Mim, com instrumentos intensos já nos seus primeiros segundos, com riff pesado, cozinha redonda e encorpada, teclado de sonoridade soul setentista do Irmão Carlos, solo de guitarra muito bem encaixado em seu trecho e uma letra de perfil genuinamente rock’n roll de primeira: “Ao duvidarem de mim eu consegui seguir, quando alguém me diz que não vai dar certo/Eu vou em frente e agradeço os seus conselhos, mas a cara é minha/Eu vou em frente, eu quebro se eu quiser”. O Rock agradece! Esperar Sentado (alguma coisa) é uma das primeiras composições do conjunto, de uma época antes mesmo a do seu primeiro trabalho, e que surge aqui com uma sonoridade mais atual. É nela que o Sandro Ornellas recita o seu poema e onde a linha de baixo ganha destaque especial. Se Vira é uma das faixas mais empolgantes do EP, com refrão pegajoso e mais riffs de guitarra que marcam bem a base da composição, como um bom punk rock radiofônico da virada dos 1970 para os 1980.

Em Se Faz Bem a banda tira um pouco o pé do acelerador com uma faixa mais sombria, uma balada que beira um caminho mais atmosférico e que segue para um refrão explosivamente denso, onde o teclado do Irmão Carlos retorna para dar mais textura a esse clima. A sequencia de canções se encerra com a faixa título. Veiculando Neuroses é, em minha opinião, o ponto alto da obra, sendo possuidora de arranjos empolgantes, melodia certeira, quebra de andamento no meio da composição, com a guitarra em evidencia sem tomar o lugar dos demais instrumentos, uma crescente instrumental que prepara o campo para o solo e a voz duplicada da Sioux Costa criando um afeito quase que robótico no seu vocal, tudo isso em um pouco mais de dois minutos. É certo um repeat nela e no disco todo!


Para além de um dos discos mais esperados, Veiculando Neuroses é um dos melhores lançamentos deste ano. Nesse momento, a Jato Invisível trouxe bem as suas referencias para esse registro, juntamente com o bom entrosamento que os seus integrantes desenvolveram com esta sua formação. Com influencias de punk, pos-punk, BRock e indie, e com um bom texto encontrado nas composições, a JI dá um passo adiante no seu som, juntando esses elementos à sua criatividade e levando esse disco para suas apresentações com bastante fidelidade sonora.
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Lançamento do primeiro cd da Vovó do Mangue. Por Wilson Santana.


Sábado, dia  18/11/2017, fui a convite da Produção da banda Vovó do Mangue para ver a festa/show de lançamento do primeiro disco da banda e também pra levar a banquinha com produtos oficiais da bandas lançadas pela TRINCA DE SELOS #aquitemrockbaiano, o evento foi realizado em sua cidade natal, Maragojipe, cidade com histórico cultural forte, localizada no Recôncavo Baiano.

Sempre que vou em eventos no interior, fico impressionado com o interesse das pessoas e pelo público eclético, gente que curte musica alternativa, curiosos ou mesmo aqueles que vão por conta da carência de eventos, e não foi diferente, o show foi realizado na Sede da Fundação Cultural Vovó do Mangue, fundação essa que desenvolve trabalhos sociais e ambientais junto a população Maragojipense.

Show marcado para as 21h e antes disso já tinha um público considerável, para que a primeira banda desse inicio a festa. Pablues - pra quem não sabe, Pablues é vocalista do Clube de Patifes - seu projeto solo (CASA PRONTA) onde ele apresenta o show bem com base no folk rock e pincelando algumas músicas do Clube de Patifes, show bem dinâmico, banda afiada, e galera curtindo o show e mesmo não conhecendo esse novo trabalho, percebi aquele interesse pelo trabalho da Casa Pronta.

Na sequência os donos da festa: Vovó do Mangue, e logo na primeira música já dava pra perceber que seria um show onde a galera cantaria as música o tempo inteiro, pessoal dançando, agitando, pedindo músicas, apesar de ser o primeiro disco, a banda existe desde meados da década de 1990, e o disco é justamente uma pincelada de músicas da história inteira da banda. Mais de 1 hora de show e o público querendo mais e a banda dando mais.

No final da apresentação a banda convidou músicos de um dos vários terreiros de candomblé que existe na região e o vocalista falou da importância do respeito que deve existir, independente da crença, muito louvável a atitude, mas afinal, uma banda de rock existe pra isso, pra quebrar paradigmas e fazer a galera agitar. Já era quase 2 horas da madrugada, quando a VDM deixou o palco e a galera toda pronta  para a banda de Reggae Mont Zaion fechar com chave de ouro a belissima noite.

Mais informações sobre a Fundação e banda Vovó do Mangue, basta acessar as páginas:



Ouça o disco:












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