Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)
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    Promover debates e entrevistas sempre com um convidado da cena de rock da Bahia. Uma mesa redonda democrática onde se pode falar dos rumos do rock baiano. Agora na Mutante radio aos domingos. Link: https://www.mixcloud.com/soterorockpolitano/programa-rota-alternativa-22017-com-deus-du/

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    Foram mais de 50 programas gravados e mais de 300 resenhas realizadas por nossa equipe. Hoje depois de muitos colaboradores que fizeram parte deste projeto, completamos dez anos nesta jornada Rocker. Léo Cima, Kall Moraes e Sérgio Moraes voltam com o programa Rota Alternativa em 2017 trazendo novidades.

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Soterorock Entrevista: Entre 4 Paredes.



Em mais uma ação relacionada à quarta edição do Soterorock Sessions, o Portal Soterorock reativou o seu espaço de entrevistas. Antes chamado Mais uma Cara do Rock Baiano, agora o Soterorock Entrevista traz uma conversa que tivemos com a Entre 4 Paredes, banda novata na cena, porém formada por músicos com longa experiência no cenário. Aqui, foi falado sobre a origem do sexteto, as suas expectativas, sua música e influências. Coloque a sua música predileta para escutar, acompanhe o nosso bate papo e não se esqueça: a quarta edição do Soterorock Sessions acontece neste sábado, dia 25/05, às 19:00 horas, no Buk Porão e com entrada a R$10,00.

Soterorockpolitano - Como foi o processo de formação da Entre 4 Paredes? A banda é formada por musicos experientes na cena, como foi juntar todos nessa nova empreitada?

Entre 4 Paredes - Não foi complicado!! Pois já éramos conhecidos, amigos e ex integrantes de bandas um pouco conhecidas no cenário, então pensamos nas pessoas certas para levar o trabalho da Entre 4 Paredes adiante. Nosso maior problema, no inicio da formação, foi encontrar um baterista. A banda foi formada em 2017 por Dark, primeiro baterista da Modus Operandi, e Bruno ex baixista da Almas Mortas. Agregam também Davi (Fantasma) Torres, ex Almas Mortas, e Aline, nos backing vocais, junto com o baterista Rafael, que logo em seguida foi substituído por Rogério. Inicialmente, a banda carregava o nome de Quarto do Medo, chegando a fazer um show de estreia no Buk Porão. Por motivos pessoais, o vocalista Dark optou por sair da banda na qual foram convidados a participar do grupo David Vertigo (tecladista) e Henrique Letárgico (vocal e guitarra base), ambos integrantes da Modus Operandi, e com afinidades similares para levar o trabalho adiante. A banda optou por mudar o nome para Entre 4 Paredes, pois, apesar de carregar muitas músicas do trabalho anterior, tínhamos a plena convicção que a sonoridade não seria a mesma. Atualmente a formação é: Bruno (baixo), Henrique Letárgico (vocais e guitarra base), Davi Fantasma (guitarra solo), Aline (backing vocal), David Vertigo (teclado) e Djerson (bateria).

SRP - Vendo a logo de vocês, dá a entender que o nome da banda se refere a questões psicológicas do ser humano. Estou certo, ou há mais significado além desse? Ou estou enganado?

E4P - O logo representa a inquietação do ser humano em seu estado mental, e onde guardamos todos os tipos de sentimentos e segredos, onde tudo acontece. Prisão pra alguns e casa para outros. Sobre o intimismo, a reflexão do eu, do espírito e mente, do bem e do mal que habitam dentro do ser humano.

SRP - Sobre o som do sexteto, percebi que vocês transitam pelo pos-punk, o gótico, o indie dos anos 1980/1990. Falem sobre as suas composições.

E4P - Nossas maiores influências são o pós punk, synthpop, gótico, e bandas nacionais anos 80 (com algumas pitadas dos anos 90). Nossas letras são em português, e os temas passeiam entre conflitos emocionais, frustrações, angustias, tristezas e amores.
O processo de criação é bem democrático: normalmente começa com arranjos de Davi e Bruno, que posteriormente são completados por David, Henrique e Dgerson, além da participação de Aline nos vocais.

SRP - Como vocês bem sabem, a cena local é um campo difícil e árduo de se empreender, muito por conta da estrutura oferecida por ela, como poucas casas que abrigam o gênero em suas pautas, para ficar em apenas um exemplo. Quais os desafios que o grupo, enquanto "novato" espera enfrentar no cenário?

E4P - Justamente encontrar uma boa estrutura para apresentarmos nossa sonoridade, seja com bons equipamentos, seja com respeito aos músicos. O que queremos é tocar, e muito! (rs).

SRP - De tempos em tempos, algum especialista musical sempre vem a público decretar a morte do rock, ou dizer o quanto ele está velho e ultrapassado e, ao mesmo tempo, anunciar a grande novidade semanal. O que vocês acham disso, o rock ainda tem fôlego para se segurar?

E4P - Nenhum estilo musical "morre"... o que acontece é que existem períodos cíclicos, altos e baixos. E mesmo assim temos sub estilos no rock que aparecem de formas diferentes: o metal sempre está em voga, mesmo o black metal, enquanto o punk rock ou o blues tiveram breves períodos de sucesso, mas voltaram ao underground. Iggy Pop, Rolling Stones, Ozzy Osbourne estão aí para provar que o rock é imortal!

SRP - Falando um pouco mais sobre a cena local, que se mantem efervescente mesmo em momentos de entresafra, me digam, o que de mais positivo e negativo vocês enxergam nela?

E4P - Negativo: poucos espaços com uma estrutura bacana, que permita ao músico e até mesmo ao público apreciar tudo de forma agradável, sem contar que o público hoje em dia e mais virtual que real (rs)! Positivo: bandas e estilos voltando com força total, com muita variedade para todos os gostos: do blues (Chocolate com  Blues) ao punk rock (Detrito Humano) e até o industrial (Célula Mekânika). Tem muita coisa boa rolando, basta sair da frente do celular/computador e curtir.

SRP - Para encerrar, eis mais um espaço para deixarem um recado direto para os nossos leitores. Fiquem a vontade!

E4P - Agradecemos ao espaço e à iniciativa deste evento e comunicamos que até o final do ano a Entre 4 Paredes vai lançar seu primeiro EP, fiquem ligados!

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Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Entre 4 Paredes

Foto: Fernando Lopes
Dando continuidade na nossa maratona especial da quarta edição do Soterorock Sessions, aqui vai mais uma postagem da série Discoteca Básica Soterorock Apresenta. Dessa vez, trazendo mais uma atração do nosso evento, a banda Entre 4 Paredes. Com diversas influências musicais, que vão do pop rock, até o post punk, passando pelo rock nacional e o gótico, o sexteto traz para essa matéria bons sons que merecem uma audição mais atenta e, junto a eles, as suas relações com cada um desses discos. Pegue carona nas dicas do grupo e deguste cada segundo musical dessa lista!

David Vertigo (tecladista)

Suicide - Suicide



O disco que inventou o cyberpunk antes dele existir. O trabalho de estreia homônino da dupla Suicide (Alan Vega nos vocais e Martin Rev no sintetizador) mostra da forma mais crua possível o que bandas de Industrial, EBM e afins só exibiriam décadas mais tarde:  niilismo, subversão, falta de esperança, ódio, inconformismo... Com timbres minimalistas, baterias repetitivas, vocais nonsense e letras ásperas, o Suicide se tornou uma lenda incompreendida e estranha (vide a letra de Frankie Teardrop, que narra entre gritos primais a estória de um desempregado que mata o filho e esposa e depois se suicida por falta de expctativas). Mais atual, impossível!


RPM - Rádio Pirata ao vivo


Na década de 80, toda casa brasileira que tinha um toca disco também possuia uma cópia de "Radio Pirata ao vivo" do grupo RPM. Gravado em 1986 após uma estreia bombastica, a banda mesclou faixas do seu primeiro disco com novidades ("Alvorada Voraz", que mostrava que a fonte das letras de protesto não havia secado, e "Naja", uma instrumental que exibia o talento de Luiz Schiavon) com versões inusitadas de "London London" (Caetano Veloso) e Flores Astrais (Secos & Molhados ex banda de Ney Matogrosso, que fez a direção artística deste show). Executando um híbrido de synthpop e rock nacional, o RPM se tornou o campeão de vendas de discos na época (hoje ocupa o 4º lugar com 3 milhões de cópias). MUITO bem gravado, como dizia o aviso na capa: mixado em sistema digital Mitsubihi OUÇA ALTO, estranhamente moderno e atemporal, esse disco que se tornou um clássico do rock nacional anos 80, acabou por despertar em mim a paixão por música eletrônica e Synthpop, anos depois. Nem o passar do tempo e as mudanças/brigas na formação da banda fizeram este trabalho perder a força.


Davi Torres (guitarrista solo)


The Cult - Love


Uma ponte entre o indie e o mainstream, uma mistura inteligível entre a psicodelia dos anos 60, o ambiente etéreo dos anos 70 e as guitarras dos anos 80, um tremendo clássico. Se a discografia do The Cult rendeu safras tão prolíficas a partir de 1984, grande parte da “culpa” está em seu segundo registro: "Love" prepararia o terreno para os futuros blockbusters 'Electric" (1987) e “Sonic Temple” (1989). Ainda transitando entre o pós-punk, o gótico e o hard da época, a banda conseguiu sintetizar a fúria do Doors, a obscuridade do Sisters of Mercy e a eletricidade do Led Zeppelin e criar uma obra singular nos indecisos anos 80. Ainda que eternamente reconhecido pelos três singles em destaque, "Love" mostra-se um disco experimental, mas não hesitante, quando se lança em busca do enquadramento perfeito: a sincronia entre as lacunas propositais da guitarra de Billy Duffy e a cozinha formam um platô correto para realçar o brilho dos vocais: “Hollow Man” é adornada por violões esporádicos acompanhada de riffs minimalistas e precisos criando a ambiência necessária à teatralidade de Atsbury; o mesmo pode-se dizer da “U2niana” , “Big Neon Glitter” guiada por um delay ministrado com cuidado cirúrgico.

Em um respeito ao “profano de suas raízes góticas a excelente ” "Brother Wolf; Sister Moon" faz a alegria (ou, nesse caso, a depressão) dos fãs do gênero com sua condução lenta regada à um solo de poucas notas e um tremendo conteúdo. Alguém falou em David Gilmour? – então escute e se surpreenda. “Nirvana”, faixa de abertura, antecipa a pegada vindoura de coisas como "Fire Woman"; no entanto aqui cabe um alerta: as guitarras rasgadas e “na cara” da banda ainda não são perceptíveis nesse registro- exceção cabível à pesadona e hendrixiana “The Phoenix”. Faixas como as clássicas "Revolution" e "Rain" quando comparadas a fúria de suas execuções nos sets ao vivo, soam menos grandiosas – pelo menos no que se refere a volume; por outro lado, essa audição mais intimista, torna mais notável a beleza das composições. Por último, mas não menos importante é conferir o destaque devido a faixa que alçou o Cult ao grande público: "She Sells Sanctuary" praticamente definiu o formato das canções da banda nos últimos 28 anos, uma equalização saudável entre uma aorta pop, lirismo e grandeza melódica ímpar. O maior crítico musical de todos os tempos, o saudoso Lester Bangs, dizia que o crítico deve ser implacável; por isso nunca me considerei um, e escrevo apenas sobre o que gosto. Assim, com todo respeito Lester: discaço com D maiúsculo!!


Television - Marquee Moon


CBGB'S, Cavern Club, Whisky A Go Go – a mera menção de nomes como esses já fazem o aficcionado do rock n'roll viajar ao que eu chamo de “nostalgia não vivida”- quem nunca se pegou fantasiando estar em show dos ainda iniciantes Beatles, Ramones ou os Doors atuando como meras bandas de boteco? Longe da imagem glamorosa, esses ambientes já foram descritos como sendo - à época - botecos cheirando a urina, quentes e desconfortáveis; entretanto, em nosso imaginário são templos de respeito, que oportunizaram ao mundo um folclore farto e impagável. Aos fãs de punk e pós punk, o primeiro clube mencionado é dado como o verdadeiro berço do gênero; antes dos ingleses surrupiarem as idéias musicais de Patti Smith e Dead Boys, o porão localizado na Beecker Street em Nova York, cujas atividades foram encerradas em 2006, comprou a ideia de três acordes toscos que emergiam das ruas e, além dos já citados, deu vida ao Television, Cramps, The Fleshtones e mais uma pancada de nomes de fodões do gênero.

Dentre os felizardos, estava uma banda que, até certo ponto, considerada "nerd" para os padrões do início do punk: o Television era, por assim dizer, uma banda com o pé tanto na pancada quanto no refinamento primitivo de seus contemporâneos do Wire. Formado pelo genial letrista Tom Verlaine (vocal , guitarra e teclado), Richard Lloyd (guitarra e vocais), Fred Smith (baixo) e Billy Ficca (bateria) a banda lançou, em 1977, aquele que é considerado um dos melhores registros do gênero, "Marquee Moon". Produzido por Andy Johns, o disco pode ser considerado como o marco zero do pós-punk, ao menos no que se refere a presença de elementos significativos para o estilo na década seguinte.

Idolatrado por gente como R.E.M. e Gang Of Four, "Marquee" rasga a cartilha do curto e grosso e põe na mesa elementos de proto punk – a exemplo da influência de New York Dolls em "See No Evil"- contando, inclusive, com um “sacrílego” solo de guitarra. Quer mais? Que tal uma faixa, em um disco punk, de quase onze minutos (a própria faixa título) onde fica nítido a influência de art rock, cheia de mudanças rítmicas e outras “frescuras” para os padrões da época? Já ouviu comparando os Strokes a essa banda? Pois acredite – do timbre vocal ao entrecruzamento de guitarras - tudo aqui remete à Casablancas e companhia – "Venus" "Friction" que o digam. Entretanto, como a natureza é cíclica, as influências de David Bowie ("Guiding Light") e Lou Reed ("Torn Curtain") também não deixam por menos - e mostravam que a banda buscava mais do que o “mais do mesmo”. Ouça e reouça.


Aline Santana (backing vocalista)


Sisters of Mercy - First, Last e Always e The Cure - Pornography





First Last and Always e Pornography são álbuns que junto com outros me mostraram um mundo fascinante, do gótico, pós  punk, new romantic, anos 80,  meu universo de garota até os dias de hoje. Das letras, musica, ao visual são bandas/albuns que me influenciaram! “First and last and always” (1985), do Sisters of mercy, as dez faixas do álbum, o ambiente sombrio criado pelas camadas de teclados e guitarras fazem o fundo para a voz cavernosa de Eldritch. A própria bateria eletrônica, que poderia tornar o som menos orgânico, acabou ajudando a criar um som etéreo e atmosférico, perfeito para os devaneios do vocalista. Ali estão clássicos do mundo gótico como “Black Planet”, “Walk Away” e “Marian”, onde Andrew Eldritch desfila todo seu “romantismo”. "Pornography" (1982), do The Cure, onde os climas são de desolação, paranoia e solidão. As letras, ácidas e agressivas, versando principalmente pelos temas citados e a hipocrisia moral da sociedade são cantadas de forma quase indiferente. Trilhas sonoras de um pesadelo crescente comandadas por linhas de baixo tortuosas de Simon Gallup e baterias tribais. Todas as faixas seguem linearmente completando uma a outra. Um disco clássico!!!


Henrique Letárgico (vocalista e guitarrista base)
Nick Cave and the Bad Seeds - The Boatman's Calls


Disco perfeito! Quando ouvi a primeira vez, pensei: Que é isso? Esse disco transborda sentimento. Mudou o modo como eu "via" a música. Cada palavra, cada nota milimetricamente calculadas na medida certa. Sempre serei influenciado por esse disco e toda a obra de Nick Cave, o mestre.

Uns e Outros - ...e Outros


Segundo disco! Esse comprei na época do lançamento, tenho o vinil até hoje. Cara, esse marcou a minha adolescência e me influenciou até os ossos. Letras e arranjos excelentes, e a voz de Marcelo dando o tom suave e cortante ao mesmo tempo. Músicas como Cartas aos Missionários, Dias Vermelhos, O Aborto, são hinos para mim.


Dgerson Souza (baterista)

Dire Staits - Dire Straits


Um clássico do rock inglês, esse foi o disco que me fez atentar para a cozinha de uma banda com detalhes. Ou seja, bateria e baixo. Tocado por Pick Withers e John Isleyo. O som que conquistou bateria grave e seca e baixo aveludado. Depois de ouvir esse disco várias vezes, decidi que tinha que tocar esses dois instrumentos da minha vida.

Paralamas do Sucesso - Arquivo


Esse disco, apesar de ser uma coletânea, me fez entender, definitivamente, que entre bateria e baixo eu deveria seguir a trajetória das baquetas mais rápidas da América Latina. Assim era considerado nos anos 1980 o João Barone, que empunhava e a segurava com maestria, com a pegada rock e a criatividade de musico brasileiro que ele é. Barone é, para mim, o número um na bateria, minha maior influencia e inspiração na bateria do rock.


Bruno Silva (baixista)

U2 - Boy


Para mim, uma obra prima do rock. Bons riffs de guitarra e lindas linhas de baixo. O que chama a atenção nesse disco de estreia do grupo é exatamente a criatividade dos instrumentistas. The Edge dá show com os demais, além do toque soturno que existe no álbum. Considero um clássico do post punk.

Joy Division - Closer

Esse disco é muito especial para mim. Apesar de não o escutar há bastante tempo, foi o álbum que me incentivou a tocar contra baixo, pode-se dizer que eu aprendi a tocar baixo com esse álbum!!! Fiquei maravilhado com a forma de Peter Hook tocar, sem falar dos vocais de Ian. Lembro que muitas vezes tinha medo de ouvir esse disco, uma mistura de sentimento ao qual não conhecia, pois tudo era novo para mim, esse álbum abriu muitas portas, foi onde viajei para o mundo do post punk e nunca mais voltei. Mas até hoje eu evito escutar.
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Discoteca Básica Soterorock Apresenta: Game Over Riverside.


O Soterorock Sessions se aproxima e chegamos, então, a mais uma postagem da nossa série "Discoteca Básica Soterorock Apresenta" destacando mais uma banda participante do nosso evento. Dessa vez, com a Game Over Riverside trazendo alguns dos seus discos preferidos, aqueles que mais influenciaram cada um dos seus integrantes, ou até mesmo com os títulos que os rapazes consideram referenciais na história do rock'n roll. Esta é mais uma viagem ao universo de uma banda, na qual você pode tentar desvendar os seus caminhos sonoros. Escolha um bom som para rolar no seu player, experimente as doses sugeridas a seguir e boa leitura.

Sergio Moraes (guitarrista/vocalista)

Os três discos que fundamentam a G.O.R. como banda. Tráz para mim um sentimento de pacto entre música e amizade. Explosão de sentimentos raivosos, melancólicos, protesto, tristeza, alegria e festas. O pacote completo de uma geração correndo atrás dos seus objetivos em paralelo o ROCK e esses discos salvando cada noite e cada frustração nesse ciclo maravilhoso chamado vida. Existem muitos outros discos, mas esses três ai define esse grupo.

At the Drive-in - Relationship of Command


Este penúltimo disco dos texanos chegou como uma grande explosão nos meus ouvidos. Toda a energia que pode existir no rock, em letra e som, e que parecia estar sumindo no final do século passado veio a tona nessa joia rara que é esse cd. Aquela ameaça que o rock'n roll oferece em cima do palco, a selvageria incontrolável, a sensação interminável de liberdade se encontram inteiramente aqui. Faça uma simples busca no You Tube digitando One Armed Scissor, que você terá uma noção melhor do que quero dizer. É o ponto máximo da banda e me recordo na época do seu lançamento, em que ela estava sendo considerada pela crítica como o "novo Nirvana". Infelizmente, o grupo não segurou a onda da rotina de shows e da convivência na estrada, e terminaram antes desse álbum chegar no ápice que demonstrava que iria alcançar. Desse final, deram origem ao Mars Volta e ao Sparta, duas bandas fodas, além de uma reunião mais de dez anos depois. Mas aí já é outra história.

Radiohead - Ok Computer





A grande obra prima dos ingleses. Me sinto sortudo por ter conhecido a banda em todos os seus estágios. Desde a primeira vez que eu ouvi Creep no rádio, até o seu mais recente álbum. Até chegar nele, a cada disco, o grupo veio em uma gradual elevação de requinte sonoro e impressionou pela sua sonoridade arrojada, de guitarras incríveis, um texto inteligente e harmonias vocais de tirar o fôlego. Ele vem envelhecendo muito bem, na época em que saiu, eu e a G.O.R., pudemos compartilhar de várias audições dele regadas a vinho e boas risadas. Nessas ocasiões tinha sempre um violão por perto e com ele rolavam sempre uns insights bons para experimentar nos ensaios seguintes. Ele sempre foi uma grande inspiração. Você pode até dizer que o Kid A é a melhor investida do Radiohead, você pode estar certo. Mas a verdade é que o Ok Computer é tão único, que não cabe comparação com nada com que eles fizeram, antes ou depois dele.

Trail of Dead - Madonna


Definitivamente, tem alguma coisa diferente na água do Texas. Tenho certeza disso. Assim como o At the Drive-in, o Trail of Dead tem toda aquela essência que o rock possui desde os seus primórdios, a objetividade e ousadia, em meio a um perigo sonoro que não se consegue definir em palavras. No caso desse quarteto, a raiva e a angústia transparecem em uma obra repleta de noise rock, psicodelismo, punk rock e experimentalisto, onde os integrantes se reversam em seus instrumentos como em um carrossel caleidoscópico em chamas. Ao vivo, eles quebram tudo, literalmente, como se esse gesto completasse de alguma maneira as canções do disco. Antes de qualquer gig da gente, essas performances eram sempre observadas por nós. Assombro e contemplação também inspiram! Madonna é um verdadeiro teste do segundo disco bem sucedido. Vale a dica da faixa A Perfect Teenhood, tente se segurar ouvindo ela.

Andre Gamalho (baixista)

Ramones - Ramones (1976)


Aqui, o Ramones chuta bundas, sem sombra de dúvidas. Os caras chegaram com o pé na porta, quebrando regras de estética musical estabelecidas na época em que eles surgiram, como era com a disco music e o rock progressivo, por exemplo, ambos muito em evidência naquele tempo. Como assim para ser musica boa tem que ser dançante, ou ter mais de quinze minutos de duração? Tudo bem que isso tenha o seu valor, mas apenas três acordes podem dizer muito mais, podem causar um impacto bem maior. Então você junta uma musica simples, veloz, suja e cheia de atitude, escuta com seus amigos desajustados e pensa: "eu também posso fazer isso!". E pronto, monta uma banda de rock com eles.

Smashing Pumpkins - Siamese Dream


Esse, talvez, seja o disco mais importante do Smashing Pumpkins. Sem ele, provavelmente, o clássico Mellon Collie and the Infinite Sadness jamais existiria como o conhecemos. Nesse trabalho, o grupo deu um passo à frente em sua sonoridade, com musicas muito bem elaboradas, pesadas, melancólicas e, de certa maneira, introspectivas. Billy Corgan é um gênio, talvez um dos maiores de sua geração e a sua cabeça atormentada deu frutos a verdadeiras pérolas, como é o caso das faixas Today e Soma, dois bons exemplos de calmaria e explosão em um só raciocínio musical. É um disco que não cansa!

Leko Miranda (guitarrista)

Black Sabbath  - Paranoid


Riffs pesados porém melódicos marcando uma mudança na história do metal, e até mesmo o hardcore e o grunge, também inspirando muitas bandas da década de 1970 para cá, com vocal mórbido e melódico. O Sabbath sempre foi uma banda que trouxe essas caractarísticas de maneira forte em seus discos, se superando a cada lançamento, ou mantendo o nível de suas composições. Mas esse específicamente, me abriu a cabeça para novas possibilidades, trazendo também o blues para uma atmosfera mais roqueira e mais próxima do som que gosto de ouvir. O Paranoid é um dos grandes pilares do rock e do metal, um álbum sem erros, perfeito!

Pink Floyd - The Wall



Uma obra prima, do Pink Floyd, misturando ópera e rock com melodias pesadas e suaves, ao mesmo tempo marcando uma evolução do rock progressivo. Tudo bem que a banda estava desestruturada nesse disco e que o caldo desandou no decorrer da sua turnê, mas o fato é que tudo aqui é belo, sutil e tenso. David Gilmour se encontrava inspiradíssimo em seus solos e frases, e o Roger Waters acertou a mão mais uma vez nas suas melodias e letras. Foi um êxtase poder ver o Waters de perto tocando algumas musicas do The Wall e outras não menos incríveis do Pink Floyd quando passou com seu show aqui em Salvador. Ali, tive a confirmação de que tudo o que o Floyd gravou, fez todo sentido para mim.

Leonardo Cima (baterista)

Nirvana - In Utero


É claro que o Nevermind é celebrado como a grande referência do Nirvana, mas o In Utero é a prova do quanto o Kurt Cobain presava pela sinceridade da sua arte e que colocava isso acima de qualquer esquema da indústria fonográfica. Esse disco é um feito, o trio praticamente ignorou toda a pressão do mercado para lançar um "Nevermind 2", usou músicas que compuseram, em sua maioria, na estrada, convidaram um produtor do circuito underground da cena rocker norte-americana para capitanear as gravações e levaram apenas duas semanas para finalizar tudo. Ou seja, caminharam na contra mão do que uma banda mainstream teria feito na época. Ouvir ele pela primeira vez foi um verdadeiro baque. Que sonoridade! O disco deixa claro que é pesado já na sua primeira faixa e se mantém dessa maneira até o seu desfecho. Microfonias de guitarra, acordes pegajosos e cheios de punch (sim, os caras não deixaram de lado a sua veia pop), baixo grandioso e uma bateria pesada, com som de tambores quase primais, parecendo que foram extraídos diretamente de uma caverna. O som que o Dave Grohl tirou nesse álbum é um absurdo, me fez querer ser um baterista no mesmo instante em que eu o escutei aqui.

Soundgarden - Down on the Upside


Esse é o disco que mostra o Soundgarden como uma banda que, realmente, não necessitava estar relacionada a um movimento ou cena musical específica para ter sido bem sucedida como de fato foi. Os caras vinham em franca evolução musical ao longo de sua discografia e chegaram aqui em total domínio das suas competências como músicos, gravaram uma obra com canções pesadas e não abriram mão de experimentar. Usaram instrumentos inusitados em algumas faixas e apontaram conscientemente para várias vertentes do rock para além do grunge e acertaram em cheio no punk e no metal clássico da década de 1970. Todos os quatro integrantes se saem muito bem em suas funções e destacar um só momento daqui é uma tarefa difícil. Sempre ouço esse disco e ele me surpreende em cada audição que faço dele, seja com uma nova perspactiva sobre a obra, ou com algum detalhe que passou despercebido antes por mim. Ele é longo, tem mais de uma hora de duração, porém o tempo passa rápido com a riqueza sonora que proporciona aos ouvidos.

Jeff Buckley - Grace



Eis um dos grandes discos do rock mundial. Mesmo ainda pouco falado como deveria, Grace causa um estardalhaço em quem se dispõe a escuta-lo. Uma verdadeira obra-prima feita pelo cantor e compositor norte-americano, que investiu todo o seu talento nessa sua estréia, se entregando, completamente, de corpo e alma na sua musica e na paixão em interpretá-la. As composições são bem elaboradas, transitam entre o rock noventista e o jazz, com ambos envoltos em uma atmosfera sonora misteriosa, instigante, sombria e nublada, porém, sem perder o brilho e a beleza que também as formam. A guitarra tocada pelo Jeff Buckley chama a atenção por dosar na medida certa dedilhados marcantes e acordes fortes, explodindo na hora certa e com a sua banda o seguindo com muita competência. Banda essa que também o acompanhou na turnê desse álbum. A sua performance vocal se destaca muito e deixa a sua interpretação ainda mais rica, algo que ele conseguiu realizar tanto na gravação, quanto no palco. Um disco bem explorado em suas possibilidades, que abriu caminhos sonoros para tantos outros músicos e bandas, mesmo sendo o único lançado pelo seu autor! Sensacional.
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