Podcast com Deus Du, Baterista da banda Modus Operandi.(Gravado em 2017)

Rock em fim de tarde de um domingo ensolarado. Por Leo Cima.



No último dia quatorze de abril aconteceram  várias coisas, tantas que a agenda quase não deu conta para conferir tudo. Teve o primeiro jogo da final do baianão, o retorno de Game of Thrones em sua última temporada e, não menos importante, o show de lançamento do disco de estreia da Dom Sá, que contou com a abertura da banda Invena! Fiquei dividido, mas a musica mais uma vez falou mais alto e priorizei o encontro com ela naquela tarde ensolarada de domingo.

A gig foi no 30 Segundos, ótima casa que se encontra no Rio Vermelho e que periodicamente abre suas portas para o rock autoral da Bahia. As bandas em questão são bem próximas em suas propostas sonoras e a expectativa era de haver uma sinergia de sons que viria a agradar a quem estivesse presente no evento. Quando cheguei no local ele ainda se encontrava vazio, o público foi chegando de maneira tímida, mas ao longo do período foi se fazendo em mais volume. A ansiedade em tocar era visível nos músicos dos dois conjuntos e isso teve uma consequência positiva no que veio adiante em suas atuações.

Sem muita espera, a Invena subiu ao palco para a sua primeira apresentação do ano. Estreando sua nova formação, dessa vez com o baixista Yohan Mesquita no posto, o repertório bem ensaiado do quarteto, também formado por Suzi Almeida (vocal), PJ Oiticica (guitarra) e Ádamis Ribeiro (bateria), que vem há quatro anos tocando frequentemente na cena local, se refletiu na segurança e no bom desempenho do mais recém chegado ao grupo. O seu repertório autoral, fincado no pop rock e cada vez mais cheio de personalidade, também abriu espaço para algumas versões de outros artistas, mesmo que estas sejam cada vez menos presentes em seus shows.

O carisma da banda se fez presente mais uma vez e deu mais potência à sua performance, que foi bem percebida por quem já se encontrava por lá. Houve também composição novíssima e inédita do conjunto nesta ocasião com Alice, de pegada rock Brasil anos 1990 e refrão grudento, marca forte da banda. A sequência de canções escolhida pela banda funcionou bastante na matinê e agradou muito a quem, inclusive, não a conhecia, atraiu a audiência para vê-la na frente do palco e esquentou o clima do lugar para os anfitriões da festa.

Logo em seguida, a Dom Sá entrou com vontade para tocar as faixas do seu disco homônimo, as alternando com alguns covers. Com a casa cheia, o quinteto se saiu muito bem na execução de suas composições. Esta não foi a minha primeira oportunidade de ver os rapazes em ação, mas foi o momento em que, para além da festividade do lançamento do seu cd, o conjunto tocou em um local que deu para perceber melhor a sua musica. A sonoridade promovida pela casa deu mais brilho ao som ensolarado da Dom Sá, que transita entre o BRock e o pop, passando pelo reggae e com letras leves e descontraídas.

Fazem parte do perfil dos rapazes boas composições com potencial radiofônico, riffs firmes e boa comunicação com a plateia, que por sua vez já estava em maior número durante a sua apresentação e que cantava junto boa parte das suas canções. Um ponto de destaque no show do grupo foi a participação especial da candora Andreia Lemos na música Recados, na qual ela também aparece no EP fazendo dueto com o vocalista Thiago Peralva.

Com as boas energias vibrando pelo lugar após o término da jornada musical, as duas chamaram a atenção pela demonstração de segurança das suas músicas em cima do tablado. Ambas também vivem um bom momento de suas carreiras, fazendo muito shows pela cidade e sempre disponibilizando material novo para seus seguidores, seja nas redes sociais, ou nas suas aparições ao vivo. Aqui, cada uma seguiu essa lógica e, em celebração, animou e agradou a quem saiu de casa em meio a tanta opção de lazer, mas que preferiu privilegia-las.
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