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Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.



No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo.

Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção.


Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava em um pouco mais da metade da sua apresentação, condicionando o ambiente. As sonoridades das suas músicas em estúdio foram representadas com fidelidade, despejando sobre todos um stoner de contorno psicodélico, com guitarras e baixo em cima e uma bateria que segurava a onda da porrada sonora. Um conjunto de elementos sonoros que casam bem com o clima das letras, que tratam de teorias da conspiração, assuntos sobre ufologia e de toda a ameaça que isso pode representar para nós, terráqueos. Isso tudo funciona bastante ao vivo!



Não demorou muito e o trio da Marte em Queda enfim assumiu o canto destinado às bandas na livraria (sim, para quem não sabe o local também é uma livraria). Igualmente ao conjunto anterior, os rapazes foram bem fiéis às canções que se encontram no seu debut, um misto de new rock, stoner e rock de arena, soando bem fácil aos ouvidos e acessível para muita gente que por ventura se esbarre com suas composições pelos streamings da vida. Exatamente como a juventude permite com mais facilidade, os três estavam com muita vontade, empolgados e seguros, com a grande maioria das pessoas que foi vê-los respondendo, mais do que bem, a cada investida de acordes introdutórios das suas canções, e cantando em uníssono em todas as letras (cotidiano e relacionamentos aparecem em bons textos), o que foi bem interessante observar, considerando o fato de que aqui na Bahia quem conseguiu arrancar esse tipo de reação do seu público, dessa maneira, foram Cascadura e Vivendo do Ócio, depois de muito conhecidos. Isso tudo promoveu um ápice final na apresentação dos caras com muito suor, distorção, alguns decibéis extras e garantindo, pelo menos, mais dez anos de rock de vigor em terras baianas.



Enquanto você perde o seu precioso tempo discutindo se o rock está morto, ou não, se rendendo à essa discussão desnecessária e que não cabe necessariamente a quem faz o gênero em qualquer uma de suas frentes, há gente que nem parece se preocupar com isso e toca o seu rumo para o futuro. O sabor de presenciar a continuidade desta música está muito em pesquisar e sair de casa para ver o que está acontecendo. Ficar somente na rede social reclamando que não há nada do tipo acontecendo na sua cidade só vai fazer você acreditar que essa sua bolha é real e verdadeira, e que os algoritmos são bons amigos seus. Marte em Queda e My Friend is a Gray, enquanto ainda novidades, podem lhe tirar da mesmice.

Comentários

Junior Brito disse…
Excelente, texto Léo! Parabéns!!
Unknown disse…
Valeu, Júnior! Vamonoz!!
Maicon disse…
Foi uma experiencia incrível. Grande momento.
Moca disse…
"Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There's more to the picture
Than meets the eye"

Ótimo texto!
Grande abraço
Unknown disse…
A noite do som foi foda, Maicon! De verdade!
Unknown disse…
Olá, Moca! Você é o Moca da banda Machina? Se sim, há quanto tempo, meu velho, bacana ter a sua visita por aqui! Que bom que curtiu a leitura. Grande abraço, meu caro!

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