Pular para o conteúdo principal

Vigor stoner sem impedimentos. Por Leonardo Cima.



Diretamente da cidade de Perth, na Austrália, na semana que se iniciou o carnaval, foi lançado Doom, o trabalho de estreia da novíssima banda Black Diamond Lake. Super trio com forte influencia de stoner rock, a Black Diamond Lake possui em sua formação o baterista Dimmy "Demolition Man" Drummer (ex The Honkers e ex Vendo 147) assumindo o posto no instrumento, além do Barry Malice-Son (vocal e guitarra) e Mark Linkhorn (guitarra).

Este single contém duas faixas que vão bem além do gênero stoner citado acima, dialogando bastante com o rock clássico, dentre outros estilos que ajudam a dar corpo à musica encontrada aqui. Peso, som arrastado, psicodelismo lisérgico ligado aos sons ecoados do Rancho de La Luna dão um tom denso à característica do conjunto, que não deixa de lado momentos mais empolgantes nas suas composições mostradas aqui.

Na faixa título, encontramos o grupo arriscando bem com as possibilidades sonoras vindas de suas respectivas vivencias no mundo da música. Mais lenta e visceral, Doom se conecta aos sons de bandas da cena de New Orleans dos anos 1990 em seu ataque de guitarras, misturada à acidez lisérgica de um grunge obscuro, promovendo mudanças interessantes no andamento da canção ao longo de sua duração. A inclusão da percussão na faixa indica o contato com a musica brasileira de raiz, mostrando não haver preconceito ou restrições a determinados estilos quanto ao que se pode experimentar em sua própria musica.

Em When You Gonna Let Your Hair Down é onde o trio mostra o seu potencial total, em uma faixa mais enérgica, veloz e objetiva. Com bons riffs de guitarra e bateria sólida, o diálogo do trio com o blues rock setentista se faz mais presente, dando vazão ainda maior ao stoner em sua música, lembrando bandas como Kyuss. A rouquidão do vocalista aqui, pontua ainda mais esse aspecto e que não passe despercebido o solo de guitarra cheio de sensibilidade e vigor. A música funciona muito bem em par com sua faixa irmã e gruda fácil no ouvido.

Diferente de suas bandas conterrâneas surgidas nos últimos dez anos, como o Tame Impala, por exemplo, a Black Diamond Lake se afasta bastante dessa áurea psicodélica sessentista contida nesses grupos e entrega uma proposta sonora que segue um caminho oposto a este, prezando mais pelo peso, por guitarras de presença massiva e por uma bateria raivosa. Não foi nem preciso a presença de um baixo para dar um grave especial na sonoridade realizada pelo trio. Sem restrições, é para se ouvir em alto e bom som!

Comentários

Popular Posts

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava

Como na profundidade do cosmo. Por Leonardo cima.

Bem no começo desse ano, em janeiro, antes de toda essa agonia que nos encontramos, de pandemia e quarentena, a banda soteropolitana Vernal lançou o seu mais recente trabalho, Epicteto. Essa ressalva inicial do período desse lançamento se faz presente pelo fato de trazer uma recordação recente, de se botar na praça algo novo e poder circular livremente por aí pelas gigs e se esbarrar com os seus autores em um palco tocando as suas canções. Digo isso de maneira geral, até. As produções da cena continuaram e continuam em meio a quarentena, mas esse sabor de presenciar as coisas de perto já começa a pesar, de certa maneira, e visitar esse disco da Vernal também é visitar esse período de cerca de dois meses e meio, ou três (quase!), de liberdade sem restrições que ainda gozávamos. Olhando mais para dentro desse momento, o trio estava vivendo uma boa projeção na cena, com boa frequência de shows e aparição em canais de comunicação alternativa, alguns deles em seus passos iniciai

Sexto guia de singles de bandas baianas. Por Leonardo Cima.

Mais uma vez o Portal SoteroRock traz a sua lista de singles de bandas e artistas baianos, lançados ao longo desse período pandêmico no qual nos encontramos neste 2020. Para essa ocasião, a diversidade ainda marca uma forte presença nessa seleta. Rock, pop, metal, eletrônico, folk e o grande leque que se abre a partir desses gêneros vão aparecer para você aqui enquanto faz a sua leitura. Então, abra a sua mente, saiba um pouco sobre cada um dos trabalhos citados aqui, siga cada um nas redes sociais (se possível, é claro!) e, óbvio, escute as canções!! Se você acha que faltou algum artista/banda aqui nessa matéria, mande uma mensagem inbox pelo nosso perfil do Instagram, que iremos escutar! Midorii Kido - Sou o que Sou Para quem acha que o rock já se esgotou em termos de abraçar minorias e até mesmo acredita que é conservador, este primeiro single da drag queen Midorii Kido é um tapa na face daqueles que professam dessa maneira contra o gênero. Sou o que Sou é um rock forte,