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Duas bandas, duas performances. Por Leonardo Cima.


Nesse mês de julho tivemos a honra de poder disponibilizar pelo nosso selo duas apresentações de duas das mais interessantes bandas do cenário local. Incluídas na série Bootlegs Originals, do SoteroRec, a Célula Mekânika e a Jato Invisível registraram com muita competência e felicidade as suas respectivas performances em cima do palco como elas são, extraindo muito bem todas as suas nuances sonoras e atmosfera que costumam gerar em suas aparições. A espontaneidade e a paixão pela música ainda é o grande combustível para bandas como essas, e como é bom ter um gavador ligado na hora em que elas se encontram em ação.

No dia 03/07, chegou o Máquinas Trabalhando, do recém reativado Célula Mekânika, duo formado por integrantes da veterana banda Modus Operandi, Henrique Letárgico e David Vértigo, guitarra e sintetizador, respectivamente. Os dois dividem as programações e os vocais. Segundo trabalho da sua discografia, ele foi gravado ao vivo no evento Quintal do Rock, em 08/03/2020, às vésperas da iminente quarentena e traz no seu repertório canções do seu disco de estréia e mais duas inéditas, que mantêm a expressão caótica das letras e o ambiente sonoro vertiginoso que a dupla se propõe a causar com seu synth-punk cortante.

Falha no Sistema abre a sequência de sete faixas em meio a vozes robóticas anunciando a necessidade de reiniciar e subverter o sistema por conta deste ter se tonado obsoleto. Logo, em um forte looping, guitarras distorcidas e batidas tecno invadem os tímpanos com Eu Vomito Você e Prisões, mais dançante, não menos agressiva e com um refrão marcante, mantém o clima da sua antecessora. Em A Positivo os ânimos se resfriam, porém a tensão não se afasta nessa faixa que é quase um mantra industrial, Auto Exorcismo é sombria e frenética e, em sua letra, põe para fora todo o peso daquilo que incide na cabeça dos seus autores. Imagens e D.E.M. são as duas faixas inéditas que aqui sequenciam a parte final do disco, com a primeira tendo uma veia melódica épica ao longo de seus sete minutos e a segunda, mais rápida, em um genuíno synth-punk direto e reto.




Dia 17/07 foi a vez da Jato Invisível ter o seu disco ao vivo lançado. Uma das melhores bandas da atual cena baiana, ela mostra em Electric Night Live/Live at Brooklyn Pub Criativo toda a força e desenvoltura que suas performances costumam ter pelos palcos da Bahia. Neste registro de 09/11/2019, no hoje extinto Brooklyn Pub Criativo, o quarteto formado por Sioux Costa (vocal), Alex Costa (baixo), Alex Anjos (guitarra) e Greick Sequela (bateria) assina um pos-punk objetivo sem firulas, em uma noite inspirada, tocando os hits de sua carreira e alguns covers.

Ao longo das dez faixas do bootleg, a Jato Invisível manteve incansavelmente a energia das suas composições de ponta a ponta. Filme de Suspense dá inicio ao seu set list já empolgando, com dois minutos e meio de um rock visceral e certeiro, uma boa porta de entrada para, justamente, quem gosta de um impacto sonoro como esse, Pós-escrito segura essa vibração e como uma boa faixa sequencial prepara a chegada de Se Vira, mais reflexiva e não menos objetiva em som e ideia. Veiculando Neuroses tranquiliza um pouco mais os ânimos, ainda se mantendo muito expressiva como em sua versão original. Conflito de Interesses surge envolvente e groovada, enquanto Esperar Sentado mais intensa e sensível. Presença certa no repertório da banda, Remédio é um punk rock veloz, de punch forte e arrebatador, que não perde a sua força. Os covers de Immigrant Song (Led Zeppelin) e Me Perco (As Mercenárias) casaram muito bem com as canções autorais da JI e não se afastaram da sonoridade do grupo. Seria Interessante (Viver!) encerra a sequência fazendo justiça ao que veio antes dela, com aceleração e distorção na medida certa e agitada ainda com fôlego para mais gig!




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