Pular para o conteúdo principal

Low-fi, psicodélico e enigmático. Por Leonardo Cima.


O período de quarentena tem sido propício para expressões artísticas. Vários compositores aproveitaram para criar e lançar trabalhos ao longo desses meses, em um impulso criativo no qual vários sentimentos foram postos para fora. Angustias, reflexões, filosofias existenciais, auto critica e até mesmo a beleza de ver a vida com bom humor são alguns dos sentimentos que mais apareceram, ao menos por aqui em terras baianas. Não diferente de outros lugares, a cena da Bahia frequentemente traz novidades nesse sentido.

Em maio deste 2020, o cantor e compositor Leopoldo Vaz Eustáquio lançou um EP homônimo de quatro faixas, o seu primeiro trabalho. Completamente imerso já no período de quarentena, o disco foi feito entre os meses de abril e maio dentro do apartamento do próprio autor, que cuidou de todos os elementos inclusos na obra e contando com a participação especial da Emily Caroline na segunda voz e dos diversos arranjos vocais. Em condições de reclusão, com um violão, um gravador e algumas programações, o Eustáquio deu forma aos seus sentimentos e sentidos.

Na canção de abertura, Na Estação de Abrigo traz psicodelismo marcado por um baixo em seus primeiros segundos, para dar lugar na sequencia a um violão mais presente e sombrio, em um clima ao mesmo tempo suave pontuado pelos backing vocais da Emily Caroline. Com Fim de Festivais se mantem a mesma vibe sonora da sua antecessora, dessa vez incluindo elementos de percussão com mais presença a partir de uma mudança simultaneamente brusca e sutil da canção, como em uma paisagem onírica. Já Dança de Gigantes surge mais intimista com apenas as duas vozes marcando presença e com o violão em um andamento mais meditativo. Finalizando a sequência, Não Há retoma o clima sombrio impresso ao longo da obra, com tons fantasmagóricos em ambos vocais, sons de fogos de artifício e texto surrealista com direito a citação à Lily Allen, dentre outros.

Em sua estréia, o Leopoldo Vaz Eustáquio traz uma musica introspectiva à sua maneira, com textos cheios de simbolismo e, junto a tudo isso, também traz paisagens sonoras próprias de tempos de quarentena. Apostando em uma sonoridade low-fi mesclada ao psicodelismo, o cantor e compositor passeia pelos caminhos da MPB sem deixar de flertar com o indie, formando uma trilha surreal de um sonho enigmático. O seu violão é o grande fio condutor de todo o disco e os arranjos vocais dão um certo brilho soturno às composições. Uma maneira diferente de se dizer o que pensa e sente!

Ouça aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UAVTKrMZgBQ

Comentários

Popular Posts

"Carnaval, carnaval, carnaval / Fico tão triste quando chega o carnaval" Por Sérgio Moraes

Com uma sonoridade ímpar desde os idos de 1985, a Banda Organoclorados (Alagoinhas-Bahia), Lançou seu mais recente vídeo “No Carnaval a Gente Esquece”. Você pode ouvir nas plataformas de vídeo espalhadas pela web ou aqui!  O vídeo faz um paralelo visual da vida cotidiana, euforia e desespero se misturando na obscuridade dos dias turbulentos que vivemos. Misturando imagens de alegria (num simples passeio pela calçadão das ruas com a banda) e desilusões diárias (Coquetel Molotov e afins). A sonoridade blues-Rock da canção é bem vinda, pois, a participação especial de Lucas Costa na gaita harmônica abrilhanta ainda mais as imagens e a sonoridade de “No Carnaval a Gente Esquece”. Veja e tire suas próprias conclusões deste belo vídeo, letra e composição dos cinco caras!   Organoclorados é: Alan Gustavo - guitarra; André G - baixo; Artur W - guitarra e voz; Joir Rocha - bateria; Roger Silva - teclados. Título: Trecho da letra de Luiz Melodia “Quando o Carnaval Cheg

Tem muito som no tabuleiro do rock aqui na Bahia. Por Leonardo Cima.

Depois do nosso hiato no ano de 2018, retomamos às nossas atividades aqui no site em 2019. É bem verdade que escrevemos menos do que esperávamos e pretendíamos, porém continuamos observando o que acontecia na cena ao longo desses doze meses que se passaram. Bastante som foi lançado, várias propostas sonoras diferentes ganharam a luz do dia e mantiveram esse ano como os seus antecessores: agitado em volume e em alta qualidade de produção. Teve banda/artista apostando em single, ou fazendo as suas primeiras investidas solo, projetos musicais saindo do papel, banda lançando novidade depois de muito tempo sem disponibilizar um novo trabalho, ou seja, uma considerável quantidade de impulsos motivadores levaram à todas essas novidades da cena rocker da Bahia. Então, resolvi fazer essas micro resenhas para compensar a minha baixa frequência por aqui pelo site no ano que passou e para fazer justiça com esses lançamentos, trazendo alguns títulos nessa matéria. Mas, frisando, ess

Marte caindo e aliens entre nós. Por Leonardo Cima.

No sábado do dia 25/01, a banda Marte em Queda lançou o seu trabalho de estreia e esse foi o momento para conferir de perto não só uma, mas duas das bandas que estão mais em alta atividade na cena daqui nesse último ano e meio. O segundo grupo em questão é o My Friend is a Gray, parceiros de jornada do trio baiano e que abriu a noite de som no já marcante Brooklyn Pub Criativo. Com o local sempre pontual no inicio dos sons, comecei a acompanhar a festa pela live do perfil do pub no Instagram no caminho para lá, o que me deixou mais ansioso em chegar e percebendo, já in loco, o quanto não deu para ter, pelo vídeo, a noção de quanta gente compareceu ao evento. É comum o lugar receber uma boa quantidade de gente nas noites de sábado, mas logo de cara, um grupo de pessoas que se aglomerava na parede de vidro do seu lado de fora, para assistir ao som, chamou a atenção. Meio que em zig zag e  me espremendo, adentrei no Brooklyn e a MFIAG, escalada para abrir a noite, já estava